Acompanhante de paciente reclama do atendimento na emergência do Padre Bento

Indignada, denunciante envio foto com o paciente na cadeira de rodas feita às 2h53 ao Click Guarulhos - Arquivo Pessoal

Elisângela Mantovani, moradora do Macedo e acompanhante de um paciente enfermo, relata indignação com médicos, auxiliares e enfermeiros no Pronto Socorro do Hospital Padre Bento, no Jardim Tranquilidade. Segundo ela, na sexta-feira, 26/07, às 23h16min, chegou ao Pronto Socorro com seu tio, Antônio Mauro dos Anjos, paciente oncológico, de 74 anos, debilitado, pesando apenas 45 kg. “Logo na entrada já foi aquele descaso, porque ele, por estar nessas condições, sem poder ficar muito tempo sentando, precisaria de uma maca. Ouvi da enfermeira que não havia maca para melhor acomodá-lo, o que era mais do que necessário, uma vez que ele está com um ferimento no cóccix”, disse.

Segundo Elisângela, a princípio o atendimento foi adequado, mas depois apareceram os problemas. “Passando pelo primeiro médico, que pediu alguns exames, havia também o de urina, porque ele (paciente) estava aparentemente com algum tipo de infecção. Fomos bem atendidos no Raio-X e após ser perfurado por quatro vezes (claro que por se tratar de uma pessoa debilitada a dificuldade aumenta) colocaram ele no soro, e ali ficamos no corredor, aguardando por duas horas o resultado dos exames de sangue”, complementou.

Ainda segundo Elisângela, o exame de urina não tinha como colher, pois não havia coletor masculino e nem maca para realizar o procedimento. “Tentamos levá-lo para a sala de espera, porque ficar duas horas de pé, segurando a cabeça de uma pessoa acamada, com travesseiro, começou a ficar difícil; a cadeira de rodas não passava na porta, e assim aguardamos no corredor”, relatou.

Quando foi verificar se o exame de sangue estava pronto, Elisângela diz que lá foi informada que alguns (exames) sim (estavam prontos), porém os outros não havia o kit. “Voltei para falar com o segundo médico, mas ele já não estava mais na sala. Resolvi falar com as enfermeiras, que também não estavam em seu posto de trabalho. Resolvemos então ir embora, uma vez que estávamos largados naquele corredor, sem assistência nenhuma”, contou.

Antes de sair, Elisângela relata que encontrou uma auxiliar, que confirmou que o médico já tinha ido embora, pois “eles que fazem os próprios horários”.

“O que fazer? Para qual hospital levar? Deixar morrer em casa?”, questiona ela.

Resposta

Procurada pelo Click Guarulhos, a Secretaria Estadual de Saúde, a qual está vinculado o Hospital Padre Bento, respondeu em nota, a qual reproduzimo a íntegra abaixo:

“Não procede a informação de falta de insumos no Hospital Geral Padre Bento. Nos dias 26 e 27 foram realizados cerca de 700 exames laboratoriais no Pronto-Socorro. O Sr. Antônio Moura dos Anjos deu entrada na unidade às 22h45 e foi prontamente atendido pela equipe médica, que solicitou exames para avaliação do quadro e definição da conduta médica. Fez coleta de sangue e foi reavaliado pela equipe médica uma hora depois. O paciente evadiu da unidade sem aguardar os resultados e continuidade no atendimento. O Hospital está à disposição do paciente e dos familiares para esclarecimentos.”

Réplica

Elisângela rebate algumas alegações da resposta da Secretaria de Saúde. “Realmente fui prontamente atendida pelo primeiro médico. Mas ninguém viu os exames dele e alguns não tinha kit (para fazê-los); não colheram a urina, pois não tinha coletor. E
sim, tirei ele do hospital (Padre Bento), porque o coitado estava com muita dor, por conta de uma escara no cóccix. Reafirmo que não tinha maca, conforme o horário da foto que enviei (às 2h53), olha o tempo que aguardamos”, concluiu.