Coluna do Carleto – 31.08.2019

Publicidade em debate

Entre as perguntas encaminhadas a Guti, durante o III Fórum com o Prefeito, no Ciesp Guarulhos, quarta-feira, formulei uma sobre fiscalização de publicidade. Há comerciantes se queixando do rigor da SDU quanto à simples afixação de banners na fachada ou porta do estabelecimento, enquanto milhares de panfletos são distribuídos livremente no Centro de Guarulhos. Guti pediu que o secretário de Desenvolvimento Urbano, Jorge Taiar, respondesse. Ele informou que uma nova legislação do setor está em elaboração e se prontificou a receber denúncias de abusos.

Não falta lei

A legislação em vigor é clara quanto a isso. O Decreto 29330/2011, que regulamenta três leis sobre publicidade, deixa clara a proibição à distribuição de panfletos,Art. 26. Fica expressamente proibida a instalação de anúncios e/ou a divulgação de propaganda e/ou publicidade:.. item XVIII: distribuição manual de propaganda comercial impressa nos logradouros públicos, excetuando-se jornais que contenham no mínimo seis páginas de matéria editorial.

Falta bom senso

Ao final do evento, conversei com Taiar e relatei a ele as queixas que tenho recebido. Enquanto uma van fica o dia todo parada no calçadão da rua D. Pedro II, com vários funcionários dentro, acessando celulares, em travessas próximas há dezenas de pessoas distribuindo panfletos. A população é parcialmente culpada, porque aceita os impressos e os joga nas ruas em seguida. Em 2018, foram lavrados apenas 23 autos de infração por publicidade irregular. Se a fiscalização agisse, essa quantidade seria alcançada em apenas um dia.

Guerra entre óticas

O ramo de óticas é um dos mais concorridos no Centro de Guarulhos e, sem dúvida, o que mais suja a cidade com a distribuição de panfletos. Na rua Capitão Gabriel, uma lotérica, na qual costumam se formar filas, tomou a iniciativa de pôr uma caixa na calçada para recolher os papéis que as pessoas costumavam jogar no chão. – foto em destaque

Mais do mesmo

A julgar por algumas atitudes que já têm sido vistas, a campanha eleitoral de 2020 não será muito diferente das de sempre. Potenciais candidatos já se movimentam patrocinando churrascos, festinhas, entregas de troféus, uniformes esportivos, além da velha cantilena da ajuda a instituições com verbas parlamentares.

Vergonha alheia

Vendo determinadas matérias publicadas em alguns jornais que surgem nos períodos pré-eleitorais, dá um certo desânimo quanto à profissão de jornalista e de empresário do ramo da comunicação. Como tem gente que se presta a papéis tão humilhantes, aceitando divulgar pura demagogia. Como se costuma dizer, enfim, papel aceita tudo.

Bem-intencionados

Ainda que agindo com a melhor das intenções, a atitude de pré-candidatos que mantêm serviços de conservação de praças, informando com placas os seus nomes, para dizer que são diferentes pois já estão ajudando a cidade, demonstra não saber quais as funções dos vereadores. Aliás, alguns dos atuais edis também fazem isso, substituindo a importante tarefa de legislar e fiscalizar, por trabalhos que caberiam ao Poder Executivo.

Quando a letra “e” se junta com a “x”…

A história registra que o prefixo “ex” é o que de mais grave pode acontecer a um político. Quando a ex-esposa ou ex-marido resolve abrir o bico, lá vem prejuízo. Quando se trata, então, de ex-aliado, ex-assessor, sai de baixo. Ex-diretor, nem se fala.

E o Metrô, hein?

Em delação premiada, o ex-diretor do Metrô Sérgio Brasil explicou como funcionava o esquema de propina, de 2004 a 2014, favorecendo gente e campanhas do PSDB, DEM e PTB. Incluiu até, com um dos articuladores, o atual vice-governador, Rodrigo Garcia, que nega qualquer envolvimento. Aliás, todos os citados negaram. Sérgio Brasil comprometeu-se a devolver R$ 6 milhões aos cofres públicos. Segundo contou, uma das maracutaias consistiu em atender pleito das empreiteiras para que um trecho da linha Verde que seria aéreo passou a ser subterrâneo, por ser obra mais cara. Mesmo com serviços paralisados, contratos foram mantidos, para evitar nova licitação. Não é à toa que cada metro de metrô no Brasil custa uma fortuna!