Música sinfônica e popular na apresentação da Orquestra Jovem

 

A Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos (OJMG) encerrou na noite da quinta-feira (12) a temporada 2019 com o espetáculo Coisas do Brasil, no Teatro do Adamastor Centro. Inusitada, a apresentação uniu música sinfônica com canções da cultura popular, trazendo ao palco artistas e grupos tradicionais da cidade.

Ao longo de toda a temporada 2019, a OJMG fez profundos mergulhos nas obras de compositores renomados, como Chopin, Mozart e Beethoven, mas também apresentou peças completamente inéditas, como Rito de Evocação dos Sons Ancestrais, do brasileiro Matheus Bitondi, o Concerto nº 2, de Leo Brouwer, executado com maestria e leveza pelo violonista Fábio Zanon, e a ópera Vanessa, do norte-americano Samuel Barber.

A temporada também ofereceu ao público a integração entre diferentes linguagens, como dança e teatro, espetáculos como Samba em Concerto e O Corsário, balé completo de Adolphe Adam, ao mesmo tempo em que reservou momentos voltados à apreciação da música sinfônica em si.

Coisas do Brasil

Ao reproduzir no teatro as manifestações culturais que são próprias das ruas, Coisas do Brasil desconstruiu a lógica do público habituado com os concertos da OJMG.

Com o desafio de tornar essa mistura de gêneros musicais uma experiência única para os músicos e também para os espectadores, o concerto recriou cenas da procissão do fogaréu, quando Jesus é perseguido pelos soldados romanos. Em meio aos soldados e os farricocos, o grupo Folia de Reis Estrela Dalva mostrou um recorte cultural permeado de religiosidade, fé e tradição enquanto cantou uma toada.

Na sequência, os catireiros d’Os Favoritos da Catira tomaram conta do palco com sua dança cheia de improvisos coreográficos, batidas dos pés e mãos. Com acordes que ressoaram de sua viola caipira, Oliveira Fontes, o Sêo Oliveira, ritmizou os passos dos dançarinos ao apresentar canções como Visitando o Sertão e Viola na Catira, cujos arranjos foram especialmente criados por Alexandre Daloia e Zé Helder.

Nesse contexto musical adverso, em que as composições populares receberam arranjo orquestral especial, o grupo Os Mensageiros dos Santos Reis seguiu a tradição da Folia de Reis ao apresentar a canção Glória, coral caipira com toadas de devoção religiosa.

Os músicos José Helder, que é professor de viola caipira do Conservatório de Guarulhos, e Edson Fontes são integrantes do Matuto Moderno, grupo que encontra na fusão entre a música caipira e o rock uma forma bastante peculiar de comunicar canções sensíveis, marcadas por temas ligados ao cotidiano e à vida simples.

Histórias e mais histórias

O poeta cordelista Bosco Maciel apresentou repertório autoral, abrilhantando o espetáculo com poesias musicadas: JaboticabasAboio para QuintinoTerra, Fogo, Água e Ar e Dabodididão, que também receberam arranjos especiais de Alexandre Daloia e Fabrício Rodrigues.

Divertido e cheio de histórias para contar, Bosco Maciel mostrou ao público canções que são base da linha melódica do movimento armorial de Ariano Suassuna e traduzem a vida de homens e mulheres do sertão nordestino. Ao unir a simplicidade desse gênero popular com a leveza das sonoridades da orquestra, o cordelista e os instrumentistas emocionaram o público, que retribuiu com palmas irradiantes.

No final, a Orquestra de Violeiros Coração da Viola subiu ao palco, trazendo nas mãos seus instrumentos e uma bagagem com mais de 40 anos de história.

Na última parte do espetáculo, os músicos apresentaram repertório saudoso, com canções que marcaram épocas e que são referência para muitas gerações, como Ipê e o PrisioneiroMoreninha LindaAdeus Morena AdeusChico Mineiro e Menino da Porteira. Ao final, o maestro Emiliano Patarra convidou ao palco todos os músicos participantes e juntos apresentaram a canção Calix Bento, composição de Tavinho Moura, que faz parte do repertório de Milton Nascimento.