Polícia prende 41 pessoas por rinha internacional de cachorros em Mairiporã

Um dos cachorros, bastante machucado, foi resgatado pelos policiais - Fotos: Polícia Civil/Divulgação
 

A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com a Delegacia de Proteção do Meio Ambiente da Polícia Civil do Paraná, prendeu na noite deste sábado (14), 41 pessoas e desarticulou o evento de lutas clandestinas de cães, numa rinha de cachorros em Mairiporã (SP), limite de município com Guarulhos. Ao todo 26 lutas estavam previstas para ocorrer no local. Vinte e três animais da raça pit bull, quase todos feridos em razão das rinhas, foram encontrados no local, além da “carcaça” de outro cão, que seria consumida como “churrasco” pelos participantes. Outros dois cachorros foram encontrados mortos.
 
Dentre os detidos estão apostadores, criadores e treinadores dos animais, além de dois médicos, sendo um deles veterinário, e um policial militar. Cinco estrangeiros também foram detidos na ação: um americano, dois peruanos e dois mexicanos. Desde a manhã desta segunda-feira (16) os presos estão sendo ouvidos, de cinco em cinco, em audiência de custódia no Fórum de Guarulhos.

Os animais foram resgatados e mantidos sob escolta policial, aguardando transferência para um local adequado. Veterinários e voluntários de Ongs de proteção animal fizeram uma triagem e estão tratando dos animais, primeiramente os feridos com maior gravidade. Os demais serão castrados, vermifugados, passarão por um processo de reeducação e serão encaminhados para adoção.

Participaram da ação agentes da 2ª Delegacia de Investigações sobre Infrações de Maus Tratos a Animais (DIMA), do DPPC, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), além dos policiais paranaenses.

Dentre os detidos estão apostadores, criadores e treinadores dos animais, além de dois médicos, um deles veterinário

As equipes policiais apreenderam envelopes com anotações referentes às apostas, aparelhos celulares, troféus, camisetas do evento, planilhas das lutas, medicamentos ilegais, seringas, e outros insumos hospitalares foram apreendidos.

Dois adolescentes, de 12 e 14 anos, foram deixados no local pelo pai, que fugiu com a chegada da polícia. O pai, que tem guarda compartilhada, ligou para a mãe e pediu para buscar os filhos na delegacia, segundo a polícia.

As brigas eram marcadas por um grupo de Whats App. A chácara, na área rural de Mairiporã, era alugada.
 
Os detidos foram autuados pelos crimes de maus-tratos a animais, resistência e contravenção penal de aposta em jogo de azar e permaneceram à disposição da Justiça.

Na manhã desta segunda-feira (16), eles foram encaminhados do 77° DP, no Centro de SP, onde estavam detidos, e foram levados para o Fórum de Guarulhos, onde estão passando por audiência de custódia.

Participantes presos foram agrupados dentro da própria rinha onde os animais brigavam – Foto: Reprodução do Facebook

CRMV-SP repudia participação de veterinário na rinha

Em nota oficial o divulgada na manhã desta segunda-feira (16) o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) informa que tomou conhecimento da ação realizada em 14/12 pela Polícia Civil de São Paulo, em parceria com a Polícia Civil do Paraná, na qual foi desarticulada uma quadrinha que promovia rinhas de cães no município de Mairiporã (SP). Entre as 41 pessoas detidas está o médico-veterinário André Luis Sotero Vital. Primeiramente, o Conselho manifesta seu repúdio a todo e qualquer tipo de maus-tratos contra animais, crime previsto pela Lei Federal nº 9.605/98, e lamenta profundamente o envolvimento de um profissional da Medicina Veterinária em rinhas de cães. O CRMV-SP ressalta que, de acordo com a Resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) nº 1.236/18, o profissional que comete ou é conivente com atos de crueldade, abuso e maus-tratos aos animais deve responder por falta ética-profissional. O Conselho enfatiza ainda que a resolução é clara em seu texto quanto ao dever do médico-veterinário de prevenir e evitar quaisquer atos que configurem maus-tratos. No que diz respeito ao profissional citado, este não possui registro para atuação no Estado de São Paulo e está inscrito apenas no estado do Amazonas. O Sistema CFMV/CRMVs, responsável por normatizar e fiscalizar o exercício da profissão no Brasil, irá apurar os fatos para que sejam tomadas as medidas cabíveis no que tange à ética profissional.

*Com informações de Comunicação da Secretaria da Segurança Pública do Estado de SP