Moradores do Cidade Maia recusam mudar zoneamento

 

Está na pauta da Câmara Municipal de Guarulhos o Projeto de Lei 3249/2019, que dispõe sobre parcelamento, uso e ocupação do solo. Consta já ter emenda e sua simples leitura não enseja maiores preocupações. Porém, seus muitos artigos contêm muitas siglas e termos técnicos, pouco entendíveis pela população.

Entretanto, o PL inclui mudanças significativas no Zoneamento da cidade, alterando a destinação de algumas áreas. Uma que está causando polêmica é a pretendida mudança para Zona Mista da área contígua ao Bosque Maia, denominada Cidade Maia, a qual, pela legislação em vigor, é estritamente residencial.

Como o entorno – principalmente as avenidas Dr. Renato de Andrade Maia e Papa João XXIII – foi transformado em área comercial, o Projeto prevê permitir que imóveis das ruas internas do Cidade Maia também possam sediar estabelecimentos comerciais de alguns ramos de atividade.

Um morador que pede para ter sua identidade preservada conta que já há alguns locais do bairro transformados em comércio. “Devagarinho, foram pondo um barzinho aqui, um lounge ali, desprezando o direito dos antigos moradores ao sossego. Escolhemos viver aqui há décadas exatamente por ser um local estritamente residencial. E mesmo quem comprou mais recentemente pagou mais caro por isso. Como querem mudar agora? Somos contra, estamos nos mobilizando e não vamos permitir que alterem”, afirmou.

Uma senhora que criou os filhos e agora os netos no Cidade Maia lembra que se houver comércio ali irá afetar o silêncio necessário às muitas espécies de animais que vivem na parte alta do Bosque Maia. “Isto aqui é um paraíso ecológico. Permitir comércio aqui é alterar o equilíbrio, trazer poluição ambiental e sonora, mais carros circulando. Não queremos e não permitiremos”, sentencia.

Ela cita que em audiência pública, houve arquitetos e técnicos que fazem parte de entidades representativas que se manifestaram alertando para o que consideram erros no projeto. Cita o professor Roberto Moreno, ex-secretário de Desenvolvimento Urbano; Júlio Saavedra, do Instituto dos Arquitetos do Brasil, e Marinéia Lazzari, do Sindicato dos Arquitetos de São Paulo. Mas suas opiniões não foram levadas em consideração.

Embora ainda sem personalidade jurídica, foi criada uma associação dos moradores, que tem se reunido e estudado o projeto. Alguns dos membros têm conversado com vereadores e creem que são remotas as chances do PL passar na íntegra. “Fatalmente, irão alterar várias áreas, mas achamos que já fizemos ver a vários vereadores que é absurdo o querem fazer com o Cidade Maia, que é um dos últimos redutos estritamente residenciais da cidade. Porém, na política só se sabe o resultado depois que algo é votado. Então, estamos com nossas barbas de molho, acompanharemos as sessões da Câmara e mostraremos que é praticamente unânime a posição contrária a esse projeto danoso”, ponderou outro morador.