A médica Ana Cristina Kantzos, que foi exonerada na sexta-feira, 13, do cargo de secretária da Saúde da Prefeitura de Guarulhos, falou ao Click Guarulhos sobre sua saída.
O prefeito Guti tomou a decisão de exonerá-la após uma “live” ter sido veiculada nas redes sociais por Alex Bueno, pré-candidato a vereador, na qual ele a confrontou em Arujá, quando ela atendia como médica pediatra em uma unidade da Unimed.
Ela disse que está muito chateada com a situação, pela forma como as coisas aconteceram. Compreende a posição do prefeito, ainda mais em se tratando de um ano eleitoral. Mas afirma que não se sente em falta com a população, nem com a Prefeitura, pois cumpria jornadas diárias de dez ou doze horas na Secretaria, além de permanecer de certa forma conectada com os problemas que surgiam durante a noite ou nos fins de semana.
Entende que não estava infringindo nenhuma norma legal ou de quebra de caráter ao atender durante poucas horas, apenas dois dias por semana, na Unimed de Arujá, cidade onde reside.
“Como pediatra, eu atendo na segunda-feira, das 7h às 9h, e na sexta, das 16h30 às 19h. Na segunda, às 9h30 eu já estava na Secretaria e geralmente ficava até as 20h. Na sexta, porque sairia mais cedo, também chegava mais cedo. Assim, eu cumpria com muito mais horas do que deveria, a jornada como secretária da Saúde. Nunca ninguém cogitou que eu recebesse por horas extras trabalhadas, mas me senti muito desrespeitada com a forma como fui abordada por aquele senhor, na frente das famílias e das crianças que são minhas pacientes em Arujá, como se eu estivesse cometendo um crime”, desabafa.
Kantzos explicou que é sanitarista, especialista em saúde da família e aceitou ser secretária da Saúde de Guarulhos, indicada pelos colegas Eduardo Carneiro e José Mário, aos quais agradece, porque sente prazer em colocar sua experiência a serviço da coletividade. Mas que a remuneração de secretária municipal era insuficiente para cobrir suas despesas.
“Tenho um filho cursando Medicina e só a mensalidade da faculdade consome dois terços do que eu ganhava na Prefeitura. As poucas horas que atendo na Unimed contribuíam para complementar minhas necessidades. Nada fiz de ilegal, está tudo declarado no Imposto de Renda. Entendo as pressões que o prefeito vinha sofrendo, entendo suas razões, não o culpo de forma alguma. Sou muito grata a Guarulhos pela oportunidade que me deu, mas sinceramente saio chateada, não pela saída em si, mas pela forma como tudo se deu”, comenta.
Quanto a sua gestão, diz que a situação da Saúde em Guarulhos é bastante complicada, que havia muitas dívidas que gradativamente foram sendo quitadas; o desabastecimento de insumos e medicamentos, que chegava a 60%, estaria agora em 2,6% e as medidas saneadoras que buscou implantar desagradaram muita gente que trabalha nas unidades.
“Estamos implantando um sistema informatizado que permitirá que os pacientes marquem suas consultas, sem depender dos critérios que os atendentes buscam adotar nas unidades; de forma que por aplicativos as pessoas poderão verificar o cumprimento das jornadas de trabalho dos médicos. Tenho 30 anos de dedicação a minha profissão e sempre o fiz com o melhor que pude”, diz.
Afirma-se técnica e não política e confessa estar vivendo um momento fragilizado de sua vida, por ter perdido um filho de 25 anos, e que o trabalho exaustivo na Secretaria da Saúde lhe foi útil também para manter a mente ocupada de forma sadia, o que a ajudou a superar essa fase tão delicada de sua vida.
“Agradeço ao prefeito e aos colegas que me indicaram e pela solidariedade que estou recebendo de amigos que acompanharam meu trabalho, como o professor Veronezi, por exemplo, com quem vínhamos conversando sobre meu sonho de transformar o Pimentas-Bonsucesso em hospital-escola. Ele e outros sabem que tenho motivos de sobra para sair de cabeça erguida e com a consciência tranquila de que honrei o compromisso assumido com o poder público e com a população de Guarulhos”, complementa.
Veronezi solidariza-se
O ex-chanceler da UNG, professor Antonio Veronezi, disse ao Click Guarulhos que está solidário à dra. Ana porque sabe que ela trabalhou mais horas por semana do que seria obrigada a fazer para cumprir a jornada como secretária.
“Se ela teve de continuar atendendo crianças em Arujá é porque o que ganhava na Prefeitura é menos do que ela ganharia na iniciativa privada. Menos do que a maioria dos médicos ganha. E os horários em que ela atendia em Arujá não eram incompatíveis com a jornada dela em Guarulhos. Ela é uma profissional competente, dedicada e merece respeito. Não culpo o Guti. Sei o quanto ele deve ter recebido de pressões. Administrar a Saúde de Guarulhos não é uma tarefa fácil, é um imenso desafio. Por mais que se faça, sempre há mais a fazer, o povo depende muito do atendimento público e tem razão em reclamar, reivindicar. Mas sou testemunha da dedicação da dra. Ana e me solidarizo com ela, porque merece todo respeito”, afirmou.

