OMS não recomenda mas autoriza testes com hidroxicloroquina para covid-19

 

Após a análise de um estudo publicado pela revista médico-científica The Lancet, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou nesta quarta-feira, 3/6, que o grupo responsável retomará os protocolos com a cloroquina e sua variante mais recente, a hidroxicloroquina. 

“Como vocês sabem, na última semana o Grupo Executivo dos Testes de Solidariedade [nome dado ao grupo de pesquisa que busca medicamentos eficazes contra o SARS-CoV-2] decidiu suspender o ramo de testes com hidroxicloroquina por preocupação no uso da droga. Essa foi uma decisão de precaução. Com base nos dados disponíveis, os membros recomendaram que não há razões para suspender o protocolo de testes”, afirmou Tedros.

A suspensão durou 10 dias (o anúncio foi feito em 25 de maio). Os testes com a hidroxicloroquina serão retomados com 3.500 pacientes em 35 países, informou o diretor-geral. Vários especialistas do mundo inteiro já haviam se manifestado contra a metodologia de mineração de dados usada pela Surgisphere – empresa responsável por coletar números para o estudo. “A OMS está comprometida em acelerar o desenvolvimento de terapias eficazes, vacinas e diagnósticos [contra a covid-19]  como parte do nosso compromisso em servir o mundo com ciência, resolução de problemas e solidariedade”, complementou.

A OMS deixou claro, entretanto, não haver provas de que o medicamento seja eficaz para evitar mortes de pacientes com covid-19, nem para impedir que pessoas sejam infectadas.

Muitos especialistas condenam seu uso, por temer que os efeitos colaterais possam ser mais nocivos do que os benefícios. “Não podemos afirmar, mas é provável que muitos tenham morrido por causa da hidroxicloroquina e não apesar dela”, confidenciou ao Click Guarulhos um médico da cidade. Um outro afirmou temer que a aplicação sem critérios adequados da drogas pode provocar “uma carnificina” no Brasil.

Remessa dos EUA

A decisão da OMS vem logo em seguida ao anúncio da doação de 2 milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil feita pelos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, também enviou respiradores mecânicos.


Texto-base da matéria: Pedro Ivo de Oliveira/Agência Brasil