Entenda por que a conta d’água está tão cara

 

Muitas famílias têm se queixado dos altos valores das contas de consumo de água e serviço de coleta do esgoto sanitário, emitidas pela Sabesp. Para parte expressiva dos consumidores, o valor aumentou exponencialmente durante a pandemia. E as pessoas, sem entender o motivo, imaginam que houve reajuste elevado nas tarifas. Mas, não foi isso que aconteceu.

Desde que a Sabesp assumiu os serviços que eram prestados pelo Saae, os primeiros 10 m3 (dez metros cúbicos ou dez mil litros) de consumo custavam R$ 23,37. Nos locais servidos com rede de esgoto o valor dobra. Esse custo era pouco inferior ao que a Sabesp cobrava na Capital e em outras cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Nas negociações com a Prefeitura de Guarulhos, foi solicitado e a Cia. atendeu que não houvesse reajuste no primeiro ano de operação, 2019.

Em fevereiro de 2020, a Sabesp pleiteou à Arsesp, que é a agência reguladora do saneamento básico no Estado de São Paulo, reajuste das tarifas praticadas em Guarulhos. O reajuste praticado foi de 4,7%. Assim, a tarifa básica residencial subiu de R$ 23,37 para R$ 24,47. Portanto, não foi esse reajuste que está provocando as contas altas.


O problema é que a tabela é progressiva



Com o objetivo de favorecer as famílias de menor renda e incentivar a economia no consumo de água, a tabela de preços dos serviços de saneamento em geral é progressiva. Até 10 m3 (ou 10 mil litros), o preço é de R$ 24,47, mesmo que o consumo seja zero ou menos do que 10 m3.

De 11m3 a 20m3, cada mil litros custa R$ 3,85. Quando uma família gasta, por exemplo, 12 mil litros, os primeiros 10 mil litros custam R$ 24,47 e os dois mil a mais custam R$ 7,70. O que resulta em R$ 32,17. Considerando que o imóvel tenha também esgoto, a conta passa a custar R$ 64,34.

O mais grave, porém, é quando o consumo passa de 20 m3. A partir do 21o. m3, cada mil litros custa R$ 9,59. Esses dados podem ser verificados na própria conta d’água, como se vê na foto em destaque.


O que aconteceu na pandemia


Durante a quarentena, as pessoas ficaram muito mais tempo em casa e isso representa maior consumo de água, pois houve mais banhos, mais louça para lavar… Muitos se dedicaram mais a limpar a casa, lavar a garagem, o quintal… Mesmo que seja um aumento exagerado no consumo, dependendo da faixa em que a família esteja, a diferença no valor da conta pode ser muito grande.

Vamos pegar o exemplo de uma família que consumia 18 mil litros e que tenha passado a consumir 28 mil litros durante a pandemia.

Sobre os primeiros 10 m3, pagava R$ 24,47. Sobre os 8 m3 adicionais, R$ 3,85 x 8 = R$ 30,80. Total do custo da água: R$ 55,27. Somando com a tarifa de coleta de esgoto, mais R$ 55,27 = R$ 110,54.

Se agora está consumindo 28 m3, a conta fica assim:
Sobre os primeiros 10 m3= 24,47
De 11 a 20 m3 = 38,50
De 21 m3 a 28m3 = 8 x 9,59 = 76,72.

Observe que esses 8 mil litros a mais custam mais caro que os primeiros 20 mil litros.

Somando 24,47 + 38,50 + 76,72 chega-se a R$ 139,69.
Somando com a tarifa de coleta de esgoto, mais R$ 139,69
Total da conta: R$ 279,38.

Portanto, basta gastar mais 10m3 para a conta subir de R$ 110,54 para R$ 279,38.

É por isso que muitas famílias estão assustadas com o valor das contas d’água e achando que a Sabesp mais que dobrou o preço do fornecimento.

Fique de olho no seu consumo. Controle o gasto para evitar ultrapassar de 20 mil litros por mês. Estará economizando e fazendo ao planeta.\


Pode estar havendo erro?



Pode. Mas em uma pequena parte dos casos. Por exemplo, se em um mês não houve a leitura e havia mais consumo do que foi cobrado, a diferença virá na próxima conta, o que fará com que o consumidor seja prejudicado, por causa da tabela progressiva.

Outra razão é que hidrômetros foram substituídos e, em raros casos, podem apresentar algum defeito. Um morador relatou ao Click Guarulhos um problema de inversão de hidrômetros sustituídos em um imóvel com duas casas, o que gerou disparidade na conta: quem consumia menos passou a pagar mais. Registrada a queixa na Sabesp, depois de algum tempo o erro foi corrigido.

Pequenos vazamentos podem ser crueis se não forem observados, elevando artificialmente o valor da conta. Havendo aumento brusco no total de m3 consumidos, é importante verificar essa possibilidade.



Quanto custa no comércio



Nos endereços comerciais, os primeiros 10m3 custam R$ 49,52. De 11m3 a 20m3, R$ 9,63 cada mil litros. E acima de 20 m3, cada mil litros custam R$ 18,47. Nesses locais, entretanto, a pandemia não tem causado maior consumo, até pelo contrário: muitos pequenos estabelecimentos ficaram fechados e, mesmo sem consumir uma gota de água, têm de pagar a taxa mínima de R$ 99,04.

Confira a tabela de preços da Sabesp para Guarulhos, aprovada pela Arsesp: