Morre Pedro Casaldáliga, bispo emérito conhecido por luta dos direitos humanos

Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, fala sobre a estreia do filme Descalço sobre a terra vermelha (Wilson Dias/Agência Brasil)
 

Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, conhecido pela luta a favor dos direitos humanos, faleceu, aos 92 anos, na manhã deste sábado (08). A informação foi confirmada pela Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, Prelazia de São Félix do Araguaia e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos). 

Com problemas respiratórios, Casaldáliga chegou a ser internado, mas não resistiu às complicações causadas por uma embolia pulmonar. 

Nascido em Balsareny, na Catalunha (Espanha), Casaldáliga mudou-se para o Brasil aos 40 anos, onde ficou conhecido por sua luta a favor do trabalho pastoral e em defesa aos direitos humanos. Além disso, Casaldáliga também é uma das figuras mais destacadas na Teologia da Libertação.

Bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia desde 1971, Casaldáliga atuou à frente da luta em defesa de grupos indígenas e contra a desigualdade social. 

Em nota, as associações Araguaia com o Bispo Casaldáliga, da Catalunha, e a Associação ANSA, de São Félix do Araguaia, lamentam o falecimento do bispo “a quem devemos a nossa fundação e cada um destes 40 anos de existência”.

Ainda, segundo o comunicado publicado pelas instituições, o velório do bispo acontecerá em três locais, tendo início em Batatais, interior de São Paulo, neste sábado (08). Depois, passará por Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, a partir do dia 10 de agosto. Por fim, o último velório acontecerá em São Félix do Araguaia, também no Mato Grosso. 

*Com informações da CNN Brasil


Invocação a Mariama



No dia 20 de novembro de 1981 era celebrada no Recife para um público de 8 mil pessoas, a Missa dos Quilombos. A celebração foi criada por Dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, com música de Milton Nascimento e fez parte de seu disco Missa dos Quilombos, na voz de Dom Helder Câmara. O ato religioso denunciou as consequências da escravidão e do preconceito no Brasil. Reproduzimos o texto e, ao final, o vídeo da fala de D. Helder no YouTube:

Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens!

Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra. Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.

Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavras, não fique em aplausos.

O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros. Como entrou de cheio na pastoral da terra e na pastoral dos índios. Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo e hoje sem ligar ao que disserem.

Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama.

Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos. Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.

Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é Paz.

Basta de injustiças! De uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.

Basta de uns tendo de vomitar para comer mais e cinquenta milhões morrendo de fome num ano só.

Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.

Mariama, Senhora Nossa, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino.

Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e os pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico!

Nada de escravo de hoje ser senhor de escravo de amanhã. Basta de escravos. Um mundo sem senhor e sem escravos. Um mundo de irmãos.

De irmãos não só de nome e de mentira. De irmãos de verdade, Mariama!