Coluna do Carleto – 30.09.2020

 

Comentando a Pesquisa Ibope

Não causa muita surpresa o resultado da primeira pesquisa de intenção de voto para a eleição deste ano em Guarulhos, feita pelo Ibope, por encomenda do empresário Fausto Miguel Martello (PDT). O atual prefeito, Guti (PSD), aparece em primeiro lugar, tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada, seguido de perto pelo ex-prefeito Elói Pietá. São os nomes mais conhecidos ou mais presentes nas mentes do eleitorado.

Retrato do momento

Pesquisa eleitoral é retrato do momento, a começar pelo fato de constar como candidato quem já nem está no páreo: o deputado estadual Márcio Nakashima (PDT), substituído por Sandra Santos. À medida que a população for tomando conhecimento dos nomes dos demais candidatos, a tendência é de que vários cresçam. A dúvida é saber se será um aumento suficiente para mudar o quadro.

Ligações benéficas e perigosas

A alta taxa de aprovação do presidente Bolsonaro que a pesquisa mostra indica que o candidato do PRTB, Rodrigo Tavares, pode crescer bem, embora Adriana Afonso e Néfi Tales Filho procurem também colar sua imagem à do presidente. Por outro lado, a avaliação ruim do governador João Dória (PSDB) pode prejudicar a candidata tucana, Fran Corrêa.

Rejeição

Se a visibilidade de ser o atual prefeito beneficia Guti no sentido de estar presente no noticiário, por outro lado o prejudica, porque é também quem apresenta a maior taxa de rejeição, o que pode influir em um embate no segundo turno, por exemplo.

Segundo turno

Também não é surpresa o resultado indicando que haverá segundo turno em Guarulhos. Só discordam alguns fanáticos da atual gestão, mas torcida não ganha eleição. Pela pesquisa Ibope, na hipótese de vir a se confirmar um segundo turno entre Guti e Pietá, será uma disputa apertada, com Pietá dois pontos percentuais à frente. A taxa de rejeição dos dois é elevada, com alguma vantagem para o petista. Como política se parece com uma nuvem, isso pode mudar no decorrer da curta campanha deste ano.


Assessorias e assessorias

Alguns partidos e coligações de postulantes à Prefeitura de Guarulhos estão mal-estruturados em sua área de comunicação, mais exatamente no relacionamento com a Imprensa. Alguns simplesmente parecem querer esconder-se. Outros acham que os veículos de comunicação têm obrigação de deslocar profissionais para ficar bisbilhotando o que acontece em cada Diretório ou coordenação: não informam e uns ainda reclamam porque não vêm nada publicado.

Assessorias e assessorias – 2

Outros estão tão confusos, que as assessorias de Imprensa não ficam sabendo o que está acontecendo, se o partido decidiu por “a” ou “b” e se aquilo que foi divulgado ontem continua valendo hoje. Logo, não podem informar os veículos. Há os que enviam releases com tantos erros que fazem Rui Barbosa se revirar no túmulo.

Assessorias e assessorias – 3

Ao menos se considerar o material que tem chegado ao Click Guarulhos, o partido mais bem estruturado em assessoria de Imprensa é o PRTB, com Alessandro da Mata, que já havia atuado na campanha de Rodrigo Tavares ao governo estadual. Mas ainda dá tempo de todas engrenarem e mostrarem bom trabalho.

Já que eles não divulgam…

Até hoje, ninguém do PV se dignou a enviar informações sobre as candidaturas do partido. Pesquisando o site http://divulgacandcontas.tse.jus.br/, verificamos que foi registrado o ex-prefeito Jovino Cândido como candidato à Prefeitura, tendo como vice a professora Arlete Ribeiro. Constam apenas oito nomes como postulantes à Câmara Municipal.
Seguem os nomes de todos os candidatos ao Executivo, com respectivos vices, a não ser que algum registro seja indeferido ou que haja alguma substituição:

Adriana Afonso (PL) – vice Flamarion (PL)
Auriel Brito (PCdoB) – vice Rogério Tomaz (PCdoB)
Eduardo Barreto (Pros) – Roberto Sbaraglio (Pros)
Elói Pietá (PT) – vice Adê Rocha (Solidariedade)
Fran Corrêa (PSDB) – vice José Carlos Maruoka (DEM)
Guti (PSD) – vice Prof. Jesus Roque (Republicanos)
Jovino Cândido (PV) – vice Arlete Ribeiro (PV)
Néfi Tales Filho (PSL) – vice Allan dos Santos (PSL)
Rodrigo Tavares (PRTB) – vice Eliana Galvão (PRTB)
Sandra Santos (PDT) – vice Luís Pummer (PDT)
Simone Carleto (PSOL) – vice Eliana Nunes (PSOL)
Wagner Freitas (PTB) – Ademil Góes (PTB)



Faltou diálogo

As campanhas do PSOL e do PT divulgaram na semana passada que fariam carreata na manhã de domingo, 27, na região do Pimentas, mais precisamente no Conjunto Marcos Freire. A arrancada da campanha de Simone Carleto seria às 10h. A de Elói Pietá às 9h. O jornalista Pedro Notaro divulgou nota, informando que estava havendo “treta na esquerda”. Embora a escolha do local pelo PSOL tivesse se dado antes, a coordenação houve por bem alterá-lo, postando às pressas a mudança para o Parque Jurema.


Faltou uma imagem

Ainda que partindo de pontos diferentes, as carreatas acabaram se encontrando, pois, afinal, estavam na mesma região. Ao se cruzarem, os carros de som de PT e PSOL pararam e Elói e Simone trocaram gentilezas, um desejando sorte ao outro. Pietá disse que desejava que estivessem juntos. Simone manifestou seu respeito ao oponente e aos militantes petistas. E ninguém das assessorias de nenhum dos lados divulgou foto desse momento. Alguém deve ter filmado. Por falar nisso, recebi do amigo Guilherme Santos, da equipe da vice de Elói, professora Adê Rocha, vídeo da passagem da carreata de Simone.


Prova de fogo

Ter uma filha candidata à Prefeitura é uma prova de fogo para que eu mantenha o equilíbrio jornalístico, tanto pelo aspecto legal (embora veículos impressos e internet não sejam concessão do poder público), como pela questão ética. Não sou filiado a nenhum partido e não estou envolvido na campanha da Simone. Espero conseguir manter o máximo de isenção, coroando os 40 anos de exercício de Jornalismo (com J maiúsculo, modéstia à parte) na cidade.


Momento tenso no ano 2000

Então presidente do PSDB, o advogado José Winter era o candidato a vice-prefeito de Jovino Cândido, no ano 2000. Fazendo campanha no Jardim São João, com carro de som, cruzou com o então vereador Waldomiro Ramos (PTB). Nem um, nem o outro, economizou nos impropérios. Foi um bate-boca e tanto!


Meu amigo, mas…

Troquei mensagens com o vice-prefeito, Alexandre Zeitune, no dia 17/9, quando perguntei quantos seriam os candidatos da Rede à Câmara Municipal. Ele não tinha a resposta de imediato e ficou de dar retorno. Desisti: nunca respondeu. Pelo site do TSE, concluí que são 20 candidatos. Incrível! Zeitune teve 3 anos sem função no Executivo, ganhando como vice-prefeito e não conseguiu organizar a Rede de forma suficiente para ter chapa completa. Em 2016, o partido não conseguiu atingir o quociente eleitoral. Deveria ter servido de lição. Tem gente boa na chapa. Mas, conseguirá neste ano? Calcula-se que sejam necessários 16 mil votos para eleger um vereador.


Mudaram de time

Vereadores eleitos pelo DEM e que, portanto, fizeram parte da chapa de Eli Corrêa Filho em 2016, preferiram migrar para partidos que estão aliados ao prefeito Guti: o candidato a vice, Jesus, está no Republicanos; Ramos da Padaria e Romildo Santos, no PSD. Só Laércio Sandes permaneceu no DEM. Já Rafa Zamprônio, eleito pelo PSB, partido de Guti na época, passou para o PSDB de Fran Corrêa. Carol Ribeiro foi eleita pelo PMDB, que estava na coligação de Eli Corrêa Filho. Durante o mandato, fez parte da base de sustentação do prefeito Guti, mas acabou optando pelo PSDB, de volta ao clã Eli/Fran. Já os eleitos pelo PSDB em 2016, Gilvan Passos e Lauri Rocha, foram para o PSD, atual partido de Guti; o primeiro suplente, Geraldo Celestino, está no PSC, também com Guti. Alexandre Dentista, eleito pelo DC, está no PSD, enquanto seu antigo partido PSDC, agora DC, está coligado a Fran Corrêa.


Erro de digitação

No site do TSE, o nome do ex-vereador Alemão, candidato do PSDB à Câmara, consta como Sebastição Alemão. Ele informa que já pediu correção.


Muito estranho

Na lista de candidatos à Câmara Municipal registrados perante o TSE, consta duas vezes o nome de Inês Moreira da Silva, com nome de campanha “Inês do Povão”: como candidata pelo DEM e também pelo PCdoB. Ou é muita coincidência haver duas pessoas com nomes e apelidos idênticos ou, se houver mesmo dupla filiação, pode acarretar problemas à efetivação do registro.