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Nomes de ruas de Guarulhos: Quem é quem

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Fotos: Índio Reis

É controverso afirmar o que cada pessoa que dá nome às ruas da cidade efetivamente contribuiu para merecer esse destaque. Alguns simplesmente ocuparam cargos públicos.

Em 1913, por exemplo, o então vereador Gabriel Antônio Machado fez uma indicação ao prefeito da época, o capitão Gabriel José Antônio, dando nomes dos próprios vereadores – e até do prefeito – a ruas do entorno do Cemitério São João Batista.

Foi assim que foram denominadas as ruas João Gonçalves, Felício Marcondes, Gabriel Machado e Capitão Gabriel. Falaremos a seguir sobre eles.

Outras figuras da história que dão nome a vias públicas de Guarulhos não tiveram vínculo com a cidade, mas sim projeção na vida do País, como o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco; Tancredo Neves, que sequer assumiu a Presidência; e até para o mundo, como o cientista Emílio Ribas e o escritor Monteiro Lobato.

Nesta reportagem comemorativa dos 460 anos de fundação de Guarulhos, celebrado em 8 de dezembro, dia dedicado a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, informamos também quem foram estas personalidades: Paulo Faccini, Luiz Faccini, Otávio Braga de Mesquita, Timóteo Penteado e Padre Celestino. Muitos outros, sem dúvida, haveriam de ser focalizados.

Na impossibilidade de o fazermos agora, criaremos uma seção fixa nas vindouras edições da RG, falando de um nome a cada vez.

A crise dos anos 1920 trouxe Octávio Braga de Mesquita para Guarulhos

A família Mesquita é bastante numerosa em Guarulhos, tendo membros exercendo as mais diversas atividades profissionais e empresariais.

O início da saga dos Mesquita na cidade se deu no final da década de 20, com a Grande Depressão na economia mundial. Em decorrência, o jovem Octávio Braga de Mesquita mudou-se para Guarulhos. Até então, ele tinha um armazém na cidade de Duartina, no interior paulista, região de Bauru. Os fazendeiros que eram seus clientes, em dificuldades, não pagaram o que lhe deviam. Octávio precisou vender os cavalos e outros animais, para não deixar de pagar os credores. Precisando sustentar seis filhos, passou a trabalhar na fazenda do sogro, Manoel Martins Júnior, na mesma cidade, até que, em 1941, veio para Guarulhos onde o sogro tinha a Fazenda Bela Vista, de cem alqueires.

Assim, Otávio (grafia adotada na nomenclatura oficial da avenida) foi trabalhar na fazenda de seu sogro, na mesma Duartina sem privilégios, como empregado comum. Em 1941, mudou-se com a mulher e a prole para a Fazenda Bela Vista, em Guarulhos (hoje o Jardim Bela Vista). O atual Jardim Santa Emília seria referência a Emília, esposa de Martins Júnior. Além da avenida que tem o nome do patriarca, várias ruas do bairro levam nomes de seus descendentes: Manoel Izidoro, Inês, Aníbal…

Quando Martins Júnior faleceu, a esposa de Otávio, Maria de Castro Mesquita herdou parte da fazenda. Esse pedaço, ao qual foi dado o nome de Vila Mesquita, ficava nas proximidades da atual praça Oito de Dezembro, no bairro do Taboão.

Uma parte da fazenda foi loteada e vendida, o que permitiu a Otávio Braga de Mesquita cultivar o que restou das terras sem a preocupação de ter lucro com isso. Ele gostava de lotar a charrete com legumes, ovos, verduras e frutas para presentear amigos e parentes.

Participou da Irmandade Santo Ivo e presidiu a Sociedade São Vicente de Paulo, voltada a obras sociais. Deixou os filhos Álvaro, Carlos, Clóvis, Élio, Mylton e Paulo. Carlos Mesquita é nome de rua no Jardim Paraventi. O dentista Paulo Braga de Mesquita denomina uma rua na Vila Nova Carmela, em Bonsucesso. Um dos filhos de Clóvis é o apresentador de TV Otávio Mesquita. Álvaro, que foi estabelecido com a Comercial Mesquita, era o lendário possuidor de carros antigos, incluindo o Fordinho 1929 com o qual trafegava, trajando terno, gravata borboleta e bengala; nas manhãs de domingo pela cidade; seus descendentes ainda mantém uma chácara na avenida Martins Júnior. Élio foi estabelecido com a Imobiliária Mesquita, atualmente sob a responsabilidade dos filhos. Mylton, agora com mais de 90 anos, foi vereador e presidente da Câmara Municipal nas décadas de 1950 e 1960. Ele também presidiu, por longo tempo, a tradicional Cooperativa de Crédito de Guarulhos, que era chamada de “banquinho” pelos clientes e foi incorporada recentemente por outra instituição e é hoje a Sicoob Metropolitano.

Otávio Braga de Mesquita faleceu em 1º de maio de 1957. Sua esposa, Maria de Castro Mesquita, empresta o nome a uma rua central, ligando a avenida Tiradentes à rua Luiz Faccini.

A artéria que o homenageia começa na avenida Monteiro Lobato e termina na praça Oito de Dezembro, no Taboão. Conta com trechos de comércio variado, indústrias, como a Damapel, e a Unidade 1 do Cemitério Primaveras.

O fazendeiro Felício Marcondes foi intendente

Com o advento da República, em 1889, foram nomeados quatro intendentes: Vicente Ferreira de Siqueira Bueno (presidente), Felício Marcondes Munhoz, Antônio Dias Tavares e Luís Dini. O mandato foi de 13 de dezembro de 1891 a 22 de fevereiro de 1894.

Felício Marcondes Munhoz foi um dos donos da Fazenda do Bonsucesso. O cargo de intendente era equivalente ao atual cargo de prefeito. Foi designado para administrar a então Vila de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos. Quando as câmaras municipais foram restabelecidas, ele foi vereador entre 1892 e 1919. Em dois períodos foi presidente da Câmara de Vereadores de Guarulhos.

Em 15 de abril de 1913, os vereadores nomearam uma rua em sua homenagem no centro da cidade, inicialmente com o nome completo e de forma reduzida, Felício Marcondes, após o Movimento Constitucionalista de 1932. Na região do bairro dos Pimentas, há a rua Marcondes Munhoz, também faz referência a ele.

Rua Felício Marcondes

O prefeito Capitão Gabriel deu o próprio nome a uma rua central

O capitão Gabriel José Antônio foi eleito pela Câmara Municipal para ser prefeito, exercendo o mandato entre 9 de maio de 1908 e 20 de dezembro de 1915. Foi reeleito, mas faleceu no decorrer do mandato de chefe do Executivo. Foi em sua gestão, em abril de 1913, que uma rua do Centro de Guarulhos passou a chamar-se Capitão Gabriel, por indicação do vereador Gabriel Antônio Machado.

Foi também durante sua gestão como prefeito que a empresa Light & Power foi autorizada a executar serviços de iluminação pública por 30 anos.

Rua Capitão Gabriel

João Gonçalves foi vereador e vice-presidente da Câmara

Não há elementos confiáveis para afirmar quais os méritos para João Gonçalves de Almeida ser o nome de uma das principais ruas do Centro de Guarulhos.

O que se sabe, com certeza, é que foi vereador entre 1911 e 1916, sendo um dos agraciados com essa homenagem, devido à indicação assinada por um de seus colegas no Poder Legislativo, Gabriel Antonio Machado, em abril de 1913.

A rua João Gonçalves inicia na confluência da rua D. Pedro II com a avenida Monteiro Lobato e termina na esquina da rua Felício Marcondes, com praça Getúlio Vargas e avenida Tiradentes. Além de variado comércio, abriga a Biblioteca Municipal Monteiro Lobato. Em uma de suas esquinas, com a rua Oswaldo Cruz, está o Ambulatório da Criança.

Rua João Gonçalves

As controvérsias do Padre Celestino

O padre Celestino Gomes d’ Oliveira Figueiredo foi pároco da antiga Igreja Matriz entre1912 a 1916. Em seu favor há o mérito de ter sido autor de registros no Livro de Tombo da paróquia, em uma época na qual poucos dados históricos da cidade ficavam documentados.

Outro feito dele foi a primeira sessão de cinema de Guarulhos, em 1914, o que se tornou possível graças à instalação da energia elétrica na cidade. A pioneira exibição cinematográfica havia sido no Rio de Janeiro, em 1896. Padre Celestino justificou a iniciativa escrevendo que apresentações teatrais eram complicadas e de resultado incerto, ao passo que as de filmes eram práticas e poderiam render algo para a Igreja. Entretanto, Claudino D´Almeida Barbosa e Joaquim Pedro Moreira resolveram também estabelecer um cinema, o que levou o padre a desativar o que havia instalado no âmbito da paróquia. Ele os criticou, acusando-os de gananciosos.

O pesquisador Peterson Paulino, no blog Medium.com, queixa-se de escritos do padre Celestino no Livro de Tombo, acerca de manifestações culturais e religiosas populares com as quais o pároco discordava. Paulino entende que se tratava de preconceito contra os negros, pois ele demonstrava claramente que desejava abolir tais manifestações.

A rua Padre Celestino principia na rua D. Pedro II e vai até o outro lado da rodovia Presidente Dutra.

Rua Padre Celestino

O presidente que não chegou a tomar posse

Tancredo de Almeida Neves nasceu em São João del-Rei (MG) em 1910. Sem obter êxito ao tentar estudar no Instituto Naval e na Medicina, resolveu estudar Direito, trabalhando como escriturário e jornalista para se sustentar. Desde a juventude, interessou-se por política. Apoiou a Revolução de 1930. Apoiou Getúlio Vargas, mas o combateu, defendendo os constitucionalistas de SP. Em 1935, elegeu-se vereador em sua cidade natal e presidiu a Câmara Municipal. Teve mandato cassado em 1937, pelo Estado Novo. Em 1947, elegeu-se deputado estadual. Em 1953, foi nomeado ministro da Justiça. Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, o vice João Goulart assumiu e Tancredo foi indicado como primeiro-ministro. Os militares derrubaram Goulart, Tancredo foi contra, mas, hábil articulador, entendeu-se bem com eles. Castelo Branco o queria na Arena, mas preferiu ficar no MDB, pelo qual foi deputado federal e senador, fazendo moderada oposição. Em 1984, apoiou a campanha Diretas-Já, mas acabou sendo eleito indiretamente em janeiro de 1985 como presidente da República. A posse estava marcada para 15 de março. Semanas antes, Tancredo começou a sentir dores no abdômen, mas evitou divulgar, temeroso de que os militares impedissem que assumisse. Em 14 de março, foi internado às pressas no Hospital de Base do DF. O vice, José Sarney, assumiu. Tancredo faleceu em 21 de abril, vítima de um tumor que causaram as dores que sentia. Pelo menos, essa é a história oficial, da qual milhões de brasileiros desconfiam.

Avenida Tancredo Neves

Timóteo Penteado determinou novo estudo para construção da via Anchieta

O engenheiro Joaquim Timóteo de Oliveira Penteado foi diretor-geral do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) no final da década de 1930, período no qual ordenou novo estudo para a construção da rodovia Anchieta, ligando São Paulo à baixada santista, vencendo os desafios que a encosta da serra oferecia. A obra é considera uma vitória da engenharia brasileira.

Segundo informações do engenheiro Paulo Dutra da Silva no livro “Cubatão Ontem e Hoje – Um Marco do Desenvolvimento”, o projeto foi executado pelo engenheiro Miguel Rascio Rossi, acompanhando a estrada Vergueiro, além dos canos da Light and Power.

“Podemos afirmar, sem receio de falsa vaidade, que São Paulo e o Brasil possuem na sua Via Anchieta, e especialmente nos seus 12 km de serra, o maior, mais notável e mais harmonioso conjunto de obras rodoviárias de toda a América; não conhecemos através da literatura do continente coisa que se lhe assemelhe”, afirma Dutra da Silva, que acrescenta: “É legítimo pois o orgulho da gente bandeirante pelo feito de seus filhos, que, no mourejar diário, na luta hercúlea para vencer a natureza, como o humílimo Padre José, o enérgico Lorena, o grande Vergueiro e o bem nosso Timóteo Penteado, puderam e souberam escrever esse poema vivo da engenharia nacional”.

A pedra inicial da obra de construção da rodovia se deu em julho de 1939, quando Adhemar de Barros era interventor em São Paulo e o secretário da Viação era o engenheiro Guilherme Ernesto Winter.
Timóteo Penteado nasceu em 1878 e faleceu em 1950.

A avenida que leva seu nome inicia no Centro de Guarulhos e termina após 5 quilômetros, em Vila Galvão, onde passa o rio Cabuçu, que é o que determina o limite entre as cidades de Guarulhos e de São Paulo. É pujante e diversificado o comércio em toda a sua extensão.

Avenida Dr. Timóteo Penteado

Uma homenagem à literatura brasileira

Monteiro Lobato nasceu em 1882 e foi um dos maiores escritores brasileiros, tendo contribuído amplamente para a literatura infantil no Brasil e na América Latina. Nascido em Taubaté, era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Foi registrado como José Renato Monteiro Lobato, mas como queria usar uma bengala que era de seu pai, contendo as iniciais J.B.M.L, adotou o nome de José Bento Monteiro Lobato. Desde menino já mostrava seu temperamento irrequieto: escandalizou a sociedade quando se recusou a fazer a primeira comunhão.

Formou-se em Direito na Faculdade de Direito de São Paulo, atuando como promotor público até tornar-se fazendeiro por conta da herança deixada pelo avô. Sua estreia na literatura foi com o livro Urupês (1918), que deu origem ao personagem Jeca Tatu, um sucesso de vendas. Antes escrevia para jornais, como O Estado de S. Paulo. Uma carta intitulada “Velha Praga”, publicada em 1921, causou polêmica, assim como vários artigos de sua autoria.
Em sua vasta obra, conta com títulos como Narizinho Arrebitado (1921), Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Pica-pau Amarelo (1939), com os clássicos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Emília, Pedrinho, Narizinho, Tia Anastácia e outros.

Monteiro Lobato faleceu em São Paulo, no dia 5 de julho de 1948, de problemas cardíacos.
A avenida Monteiro Lobato liga o Centro ao bairro de Cumbica. Na região central, conta com diversidade de comércio e estabelecimentos públicos, como o Corpo de Bombeiros, o restaurante popular e o Teatro Adamastor; entre a Vila Fátima e o bairro São Roque, abriga indústrias. Pouco depois, o Parque Cecap, conjunto residencial com cerca de 5 mil apartamentos. Após a ponte sobre o rio Baquirivu, tem de um lado a Base Aérea de São Paulo e, de outro, importantes centros logísticos e automotivos.

Avenida Monteiro Lobato

A importância de Emílio Ribas para a Ciência

Emílio Marcondes Ribas (1862-1925) foi um importante sanitarista brasileiro que trabalhou no combate a epidemias e endemias no País, como febre amarela, varíola e peste bubônica. Dentre os seus maiores feitos, está a participação na criação do Instituto Butantan, hoje um dos principais centros científicos do mundo.

Filho de Cândido Marcondes Ribas e Andradina Alves Ribas, nasceu em Pindamonhangaba. Decidido a cursar medicina, mudou-se para a capital federal, à época o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Formou-se clínico geral, em 1887, como um dos primeiros da turma.

Em 1895, já em São Paulo, foi nomeado como inspetor sanitário, e três anos depois diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo, cargo que exerceu por quase 20 anos. Durante esse período, enfrentou diversas epidemias, em especial a febre amarela, tendo feito diversas campanhas para combate contra o vetor e sendo bem-sucedido em todas elas. Foi também um importante combatente a favor da limpeza urbana e residencial em um tempo que pouco se educava a população sobre a relevância do assunto.

Seu nome está ao lado de outros importantes médicos do fim do século XIX e do início do século XX, como Oswaldo Cruz, Adolfo Lutz e Vital Brasil, todos combatentes das graves doenças que assolavam o mundo à época.

Já no final de sua vida, tratava pacientes com hanseníase três vezes por semana no Asilo de Guarulhos, o qual deu origem ao sanatório Padre Bento. Ribas usava o trem da Cantareira, que passava pelo hoje conhecido como Anel Viário, para chegar ao local.

O legado de Emílio Ribas

Emílio Ribas é o “Patrono da Saúde Pública do Estado de São Paulo”, título concedido em 2012 pelo então governador Geraldo Alckmin. Seu nome também é presente em um dos principais institutos de Infeciologia do País.

Em Guarulhos, nomeia uma das principais avenidas, a qual tem início no Centro, em um dos cruzamentos da Tiradentes, e passa por importantes bairros como Gopoúva, Tranquilidade e segue até o Vila Galvão, terminando na Doutor Timóteo Penteado.

Avenida Emílio Ribas

O caminho do trem da Cantareira

Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967) foi político, militar e o primeiro presidente do Brasil depois do golpe militar de 1964. Ficou no poder de 15 de abril de 1964 até 15 de março de 1967, eleito de forma indireta pelo Congresso Nacional.

Nasceu em Fortaleza (CE), filho do general de brigada Cândido Borges Castelo Branco e Antonieta Alencar Castelo Branco. Uma curiosidade relacionada à sua família é que, por parte de mãe, tem descendência do romancista José de Alencar.

Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e também na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Depois, na Escola Superior de Guerra da França e na Escola de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos.

Dentre seus feitos militares, está a participação e chefia da Força Expedicionária Brasileira (FEB), durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália, entre 1944 e 1945. Foi promovido a general e depois passou a chefiar o estado-maior do Exército. No golpe de 64, foi um dos principais articuladores para a deposição do presidente eleito João Goulart, o Jango.

O marechal Castelo Branco faleceu em julho de 1967, em um acidente aéreo.

Avenida Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco

Homenageado em Guarulhos

Parte do traçado por onde passava o trem da Cantareira recebeu o nome de Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, também conhecido como Anel Viário, uma importante via para o munícipio, com diversidade de estabelecimentos comerciais, repartições públicas, colégios e condomínios residenciais; passa por ela o corredor de ônibus, com linhas que levam à Capital, passando pela Vila Moreira, Vila Augusta e Gopoúva.

O italiano Paulo Faccini era empreendedor

Nascido em Papozze, no Vêneto, na Itália, Paulo Faccini veio para o Brasil em 1912, com 22 anos. Em 1914, chegou a Guarulhos com o irmão Luiz Faccini; juntos iniciaram como construtores. Depois, Paulo iniciou uma olaria, na região do Taboão.

Até então, o transporte de Guarulhos a São Paulo era feito por charretes. Visionário, Paulo Faccini requereu em 1925 licença para implantar uma linha de autobonde, ligando Guarulhos à Penha. Operou o sistema até 1928, quando o serviço passou por concorrência pública.

Avenida Paulo Faccini

A produção artesanal de tijolos e telhas deu lugar à Cerâmica São José, quando ele importou máquinas da França para incrementar a fabricação, já que a construção civil em São Paulo tinha alta demanda. Paulo Faccini teve também uma fábrica de parafusos, uma de bases cerâmicas para circuitos elétricos, além do Pastifício Park, que produzia macarrão.

Faleceu em 22 de fevereiro de 1973, aos 83 anos. Dois meses depois, o então prefeito Waldomiro Pompêo promulgou a lei nº 184, dando o nome de avenida Paulo Faccini “às vias que margeiam o rio dos Cubas no trecho compreendido entre a avenida Máximo Gonçalves (antigo nome da avenida Tiradentes) e a avenida Monteiro Lobato”. O rio foi canalizado e a avenida vai até a confluência com as avenidas Salgado Filho e João XXIII, onde se situa o Bosque Maia, um dos locais mais frequentados de Guarulhos.

Luiz Faccini atuou na urbanização de Guarulhos

Vindo da Itália em 1914 me iniciou profissionalmente junto com o irmão Paulo, que chegara dois anos antes, como construtores. Especializou-se de tal forma que teve singular importância na urbanização da região central de Guarulhos.

Nas décadas de 1920 a 1940, foram construídos por ele prédios como o da Escola Capistrano de Abreu, o da Prefeitura na rua Sete de Setembro, e o da então Tecelagem Carbonell. Em 1940, uniu-se ao arquiteto Alberto Barsuglia e constituíram a Sociedade Construtora Guarulhos, que 14 anos depois passou a chamar-se Construtora Faccini. Luiz Faccini especializou-se de tal forma em construções, que o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) lhe concedeu o título de construtor licenciado, permitindo elaborar projetos e ser responsável pela edificação.

Sentindo-se guarulhense de coração, Luiz Faccini naturalizou-se brasileiro em 1948. Por gostar de praticar filantropia, participou da fundação da Santa Casa de Misericórdia de Guarulhos, em 1943, bem como de outras iniciativas de cunho social. Deixando cinco filhos, faleceu em 1959.

A rua Luiz Faccini tem início na avenida Monteiro Lobato e termina na avenida Tiradentes. Por muito tempo, foi conhecida como “rua do Ciretran”, pois ali se situava a repartição estadual de trânsito. Três cartórios eleitorais funcionaram na esquina da rua Dona Olinda de Albuquerque até recentemente. Ali também surgiu a primeira loja da Comercial Esperança, atualmente com unidade bem maior na mesma rua, várias lojas em Guarulhos e presente em diversas outras cidades.

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