Guarulhos perde o professor e empreendedor Antonio Veronezi

Professor Antonio Veronezi e Edna Poli cortam o bolo de 30 anos - Fotos: Alexandre de Paulo/Click Guarulhos
 

Faleceu por volta das 15h desta segunda-feira, 11/1, em decorrência de complicações do contágio com o novo coronavírus, o professor e empreendedor Antonio Veronezi, aos 77 anos. Ele estava internado no Hospital Sirio-Libanês desde 23 de novembro.
Não há mais detalhes por enquanto, nem informações sobre velório e sepultamento, os quais, devido às circunstâncias do momento, terão de ser reservados.



Histórico


Veronezi veio para Guarulhos no final dos anos 1960, depois que já lecionava Química no Ateneu Ruy Barbosa, na Penha. Atendeu a convite do padre José Casagrande, do então Colégio Claretiano. Junto com amigos professores, acabou assumindo a direção da escola e dali surgiram em 1970 as Faculdades Farias Brito, depois transformadas na Universidade Guarulhos, atualmente sob controle do Grupo Ser Educacional.

Casado com Maria Dirce Poli, filha de Primo Poli, que havia sido aluno do Ateneu Ruy Barbosa. Com o ingresso de Veronezi, os negócios da família Poli tiveram incremento. A lendária Casa Poli, da esquina da rua D. Pedro II com a rua São Vicente de Paula, veio a transformar-se no Poli Shopping, inaugurado em novembro de 1989.

Nasci ali um dos maiores conglomerados de shopping centers do Brasil, o General Shopping. Em 1998, foi inaugurado o Internacional Shopping. Vieram depois outros empreendimentos, espalhados por São Paulo e outros estados. Depois de adquirir o controle do Shopping Bonsucesso, a holding vendeu, em 2017, para o grupo israelense Gazit, 70% do Internacional Shopping, vindo a transferir o restante das ações posteriormente. Outro destaque na história do General Shopping foi a criação do Outlet Premium, em Itupeva, às margens da rodovia dos Bandeirantes, obtendo grande êxito desde o início. O modelo foi replicado em outros estados e recentemente teve uma unidade inaugurada na rodovia Mogi-Dutra, proximidades de Arujá e da rodovia Ayrton Senna.

Na área educacional, paixão do professor Veronezi, depois de desligar-se da UNG, ele assumiu – ainda que extraoficialmente – a direção da Unisa – a Universidade Santo Amaro, que experimentou significativo crescimento após isso, notadamente na área de educação à distância. Veronezi tornou-se personalidade influente entre as universidades particulares de todo o Brasil e, da mesma forma, nas relações delas com os consecutivos ministros da Educação.

Em entrevista à RG – Revista Guarulhos, em 2012, Veronezi contou como se deu seu ingresso no Magistério e da gratidão que sempre devotou ao Glady Felix Del Buno Trama (lê-se Glêide), dono do Ateneu Ruy Barbosa, que o acolheu quando precisava estudar e sua família não tinha possibilidade de pagar. Ele o atendeu em um dia que o jovem havia batido de porta em porta em busca de emprego e não havia conseguido. “Era uma porta com janelinha, através da qual falei. Ele então abriu a porta, me abraçou e eu lavei sua camisa de lágrimas”, relatou. No dia seguinte, o garoto foi admitido como office-boy e ali começou sua trajetória de sucessivos sucessos.

Anos depois dessa oportunidade, o Ateneu acabou sendo desativado, por não suportar a concorrência de escolas menos preocupadas com a qualidade, segundo opinou Veronezi. Quando ele soube que um prédio de apartamentos seria construído no local, teve um gesto que mostra o quanto ficou grato pelo abraço e pela chance que lhe proporcionou: “Eu retirei a porta que se abriu para mim em 1955 e a restaurei. Essa porta está num lugar de destaque em minha casa, para que eu e minha família não esqueçamos: Nunca se deve fechar a porta a quem nos procura pedindo auxílio. Nossa porta pode ser a última. Como aquela foi para mim!”

Reconhecimento



Nos próximos dias, desejo postar na íntegra o depoimento de Antonio Veronezi a essa histórica edição da RG – Revista Guarulhos.
Ninguém é perfeito e, assim, o professor pode ter tido seus defeitos e, da mesma forma como conquistou milhares de amigos, também teve seus desafetos. De minha parte, repito o que já disse e escrevi em várias ocasiões: poucas pessoas têm a grandeza de um Veronezi. Pode ter tido a sorte de casar-se bem, com uma mulher de família bem posicionada financeiramente, mas fez multiplicar a fortuna, gerando milhares de empregos, direta ou indiretamente. Por onde se passa em Guarulhos, é praticamente impossível não visualizar algo pujante que não tenha tido sua participação, seu olhar futurista. Chegando pela Dutra, de um lado o imponente Internacional Shopping; do outro, a AutoShopping, o espaço de eventos, o prédio que abrigou até recentemente um campus da UNG. No Centro, o Poli Shopping, a UNG e o campus local da Unisa, primeiro fora de São Paulo; logo adiante, o Parque Maia Shopping; na periferia, o Shopping Bonsucesso. E assim, quantos outros empreendimentos por esse Brasil afora.

No saudoso Jornal Olho Vivo, não foram poucas as vezes que o critiquei. Ele nunca esqueceu, mas sempre respeitou meu direito de opinar e em várias situações escolheu-me para me manifestar sobre o que estava acontecendo ou para ser protagonista em eventos que comandava. Foi estrela do primeiro “Poder Empreendedor” que meu filho Fábio realizou e contou novamente sua trajetória em outro momento, em uma das salas de cinema do Parque Maia Shopping, em evento beneficente.

Veronezi sempre demonstrou ser muito grato a Guarulhos. Digo sem medo de errar que a cidade de Guarulhos também deve ser muito grata a ele.

Valdir Carleto