Inadimplência nos condomínios de SP encerra 2020 no menor patamar em 16 anos

 

Mesmo diante dos desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus em diversos setores da economia, o índice de inadimplência no pagamento da cota condominial fechou o ano de 2020 em 2,17%, o menor patamar registrado em toda série histórica do levantamento, que começou a ser tabulado em janeiro de 2004. Medido pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), a maior entidade representativa do setor no Estado, o Índice Periódico de Mora e Inadimplência Condominial (IPEMIC) também foi o menor já apurado para o mês de dezembro desde o início do levantamento – em dezembro de 2019, o indicador chegou a 2,52%. Segundo a série histórica do IPEMIC, a alta recorde foi em abril de 2005, quando o indicador bateu em 7,36%.

A AABIC considera devedor inadimplente para o cálculo do IPEMIC os condôminos que atrasam o pagamento da cota condominial por 90 dias após a data do vencimento. Ou seja, para ser considerado inadimplente no fim de dezembro, o responsável pelo pagamento não quitou os boletos dos meses de outubro, novembro e dezembro. Participaram do levantamento da AABIC 12 empresas que compõem uma amostra de 2.734 condomínios, de um total de 16 mil condomínios de 90 associadas à entidade.

Para a AABIC, a mínima histórica do IPEMIC em dezembro é um aspecto positivo do encerramento de 2020, considerando, sobretudo, o período de crise pandêmica, que impactou as empresas em todo o Brasil e elevou consideravelmente as taxas de desemprego no País. Com o anúncio do decreto do isolamento social pelo Governo do Estado de São Paulo, o índice de inadimplência oscilou pouco – de 2,28%, em março de 2020, para 3,43%, em junho. Desde então, o IPEMIC seguiu em queda constante até o patamar atual.

Na avaliação do presidente da AABIC, José Roberto Graiche Júnior, os índices de inadimplência foram moderados mesmo na pandemia em razão da adaptação do custo de vida da população ao orçamento doméstico nos últimos anos. Paralelamente, Graiche destaca que as administradoras juntamente com seus clientes também adotaram uma política de conscientização e medidas de contenção de gastos para redução das despesas. Por outro lado, os moradores deram mais importância para o pagamento da taxa condominial em dia e à manutenção do empreendimento. “As medidas de distanciamento social impostas em 2020 contribuíram para o convívio das famílias, que passaram a ficar mais tempo nos mesmos espaços, e para a valorização dos serviços prestados nos empreendimentos”, afirma o presidente da AABIC.

Inadimplência nos aluguéis

O Índice Periódico de Mora e Inadimplência Locatícia (IPEMIL) encerrou o ano de 2020 em 2,56%, com leve alta sobre o percentual de 0,71% apurado em dezembro de 2019. Segundo o presidente da AABIC, a oscilação reflete, em parte, uma pressão dos custos observados em vários setores da economia por conta da crise provocada pela Covid-19.

Graiche Júnior ainda destaca que o fechamento do IPEMIL em dezembro pode ser considerado estável, uma vez que, em março, mês de decreto do isolamento social, o indicador variava em torno de 2,05%. O pico da inadimplência no pagamento dos aluguéis aconteceu em julho de 2004, quando o índice bateu em 6,37%, período em que o Brasil atravessava uma grave crise econômica e de confiança da população.

A taxa de ocupação dos imóveis voltados para locação no Estado de São Paulo em dezembro manteve o patamar de 24,76% do total de imóveis residenciais e comerciais durante a pandemia. Antes da eclosão da Covid-19, o percentual de imóveis vagos representava 18% da carteira das empresas associadas à AABIC. No segmento de imóveis comerciais, o mais atingido pelos efeitos da pandemia, a vacância alcançou 38% da carteira das associadas, ante o patamar de 20% registrado no final de março. Já no segmento residencial, a vacância atingiu 18%, contra uma desocupação de 9% antes da crise.

“Ainda é cedo para estimar a volatilidade da inadimplência em 2021, principalmente porque o mercado de locação de imóveis residenciais e comerciais depende em boa medida do desenvolvimento da economia. Porém, as expectativas são positivas, sobretudo por conta da chegada da vacina contra o novo coronavírus”, conclui Graiche Júnior.