A vacinação em Guarulhos: prós e contras

 

A Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Guarulhos divulgou um release, comentando de forma muito elogiosa o desempenho no primeiro dia da vacinação de idosos com 90 anos ou mais contra a covid-19. Citou alguns exemplos e que foram muitos os comentários positivos nas redes sociais.

Por outro lado, li nas tais redes sociais muitos comentários avacalhando o serviço desenvolvido hoje no Bosque Maia. Do lado de fora, no sistema drive-thru foram vacinados os idosos e do lado de dentro, na tenda, receberam a imunização os profissionais da Saúde que ainda não tinham sido vacinados.

Vamos procurar pôr os pingos nos is: nem tanto ao mar, nem tanto à terra!

Acompanhei no local os preparativos para o início da vacinação e percorri a fila de carros que aguardavam a vez para os idosos serem vacinados no drive-thru e também as duas filas de profissionais de saúde, uma das quais os prioritários pelo critério da idade.

E, no decorrer do dia, mantive contato com internautas que ali estiveram e que me enviaram mensagens comentando o que acharam.

Não foi tudo às mil maravilhas como apregoou o release da Assessoria, mas também não foi a desgraça que muitos internautas buscaram pintar em suas postagens.

A escolha de um só local para aplicar a vacina teve uma explicação lógica e matemática do secretário da Saúde, o médico cardiologista José Mário Stranghetti Clemente: o número de doses disponíveis é muito pequeno para dividir nas UBSs; cada uma delas receberia uma quantidade ridícula e isso causaria muito mais confusão do que solução.

Hoje foi o primeiro dia de vacinação dos idosos com mais de 90 anos, os quais somam cerca de 3.500 na cidade, segundo os registros da Prefeitura. É natural que, diante da ansiedade com que todos estão para serem imunizados, que haveria uma imensa presença de idosos logo cedo.

Houve muitas críticas de que teria sido uma crueldade obrigar os velhinhos a ficar horas aguardando serem vacinados. Mas, ninguém obrigou que todos fossem tão cedo para lá. Conversei com Wagner, filho de Denir Oliveira, de 91 anos, o primeiro a ser vacinado. Ele chegou de carro às 4h10, sem o pai. Depois, às 7h, alguém da família levou sr. Denir. Na fila dos profissionais da Saúde, o rapaz que estava em primeiro lugar na fila disse ter chegado à 1h da madrugada.

Enfim, quem chegou às 8h da manhã esperou cerca de duas horas. Quem chegou ao meio-dia já foi atendido rapidamente, porque as poucos tudo começou a fluir melhor. Desde cedo, servidores foram percorrendo as filas, checando os documentos necessários, entregando senhas. É provável que amanhã se repita a mesma rotina: quem for logo cedo esperará mais tempo do que quem for pouco depois.

Senhora de 104 anos recebendo a primeira dose da vacina contra a covid-19

Se houve críticas, houve também testemunhos muito elogiosos. Uma dentista amiga minha, que encontrei lá antes das 8h e cuja identidade não vou citar porque não vejo necessidade, me enviou a seguinte mensagem: “Achei bem organizado! Por incrível que pareça, só a equipe de vacinação embolou um pouco na parte administrativa. Cheguei às 5 horas e saí às 9h20. Dou nota 9,5. Se alguém falar mal, é injusto. Fiquei até emocionada…”.
Ela fez um relato que julgo importante registrar: “Estava tão organizado que minha amiga dentista que acompanhou a avó de 104 anos, mesmo mostrando o registro do Crosp teve que ir para a fila dos profissionais da Saúde depois. Fiquei feliz, pois mostrou respeito às regras. A senhorinha esperou duas horas no drive thru e nem se queixou”.

Entre os comentários nas redes sociais encontrei críticas ao fato de terem vacinados profissionais de Educação Física como se fossem da Saúde. A explicação que ouvi é que foi autorizada a aplicação desde que atuassem em unidades da Saúde. No entanto, há quem afirme que professores de Educação Física que só atuam em escolas foram vacinados. Convém que isso seja devidamente apurado.

Há diversas categorias reivindicando prioridade e todas têm razão. O problema é que não há vacinas para todos que mereceriam esse privilégio. Resta ter paciência e esperar que logo cheguem mais doses.

Outros criticaram que o fato de instalar o drive-thru na avenida Paulo Faccini acabou gerando congestionamento em toda a região central. É um efeito colateral previsível; que iria acontecer a vacinação ali foi bem divulgado e as pessoas que pudessem deveriam ter evitado todo o entorno do Jardim Maia. Tomara que nesta terça-feira, tudo flua melhor; as equipes já estarão com mais prática e a experiência da segunda-feira servirá para evitar os mesmos percalços. Tomara também que não surjam novamente os safados querendo furar lugar na fila do drive-thru.

Em resumo, concluo que a operação desenvolvida no Bosque Maia foi positiva. Foram inúmeros os relatos de felicidade das pessoas que tiveram a graça de receber a primeira dose da vacina. Teve gente com mais de 90 anos que ali estava dirigindo o carro e até dando carona para outros. Uma bênção!

Os idosos que estiverem acamados ou com dificuldades de locomoção serão vacinados nas residências. Entre esses, para os que não estiverem cadastrados em uma Unidade Básica de Saúde é necessário que a família procure a mais próxima do domicílio para fazer o cadastro.

Para a vacinação no drive-thru não existe cadastro prévio. Basta levar documento com foto, se possível o cartão SUS e está sendo pedido o comprovante de residência para evitar que pessoas de outras cidades venham vacinar-se em Guarulhos. A justificativa é que, como as doses ainda são poucas, não é possível abrir mão disso, pois faltariam vacinas para idosos do município, beneficiando quem mora em outros lugares.

Valdir Carleto