Não faz sentido antecipar feriados para evitar contaminação

Praia da Ferradurinha, em Armação dos Búzios. Foto: Thiago Freitas.
 

Prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo reuniram-se virtualmente para discutir a possibilidade de antecipar diversos feriados, a exemplo do que fez o prefeito da Capital, Bruno Covas, com o objetivo de reduzir as aglomerações de pessoas. Não se chegou à conclusão se essa seria a melhor decisão e, por isso, nada foi definido, mas a tendência é que nem Guarulhos nem outras cidades da Grande SPaulo adotem o tal feriado, que seria após dia 26 de março.

A primeira reação à atitude de Covas partiu de seu principal aliado, o governador João Doria, para quem o ideal seria uma ação coordenada das cidades e do Estado, já que outras cidades podem ser afetadas, diante da possibilidade de inúmeras famílias desceram para o Litoral ou viajem para o Interior.

Em minha opinião, é um erro antecipar feriados, não apenas pela superlotação que pode provocar nas cidades de praias, nas estâncias climáticas e mesmo em municípios pacatos, onde as pessoas têm chácaras e sítios. É errado também porque não faz sentido. Se só estão podendo funcionar os setores essenciais e esses setores também funcionam no feriado, qual a vantagem de antecipar feriados?

Outra questão: os setores administrativos das empresas estão funcionando com trabalho remoto; ou seja, as pessoas estão trabalhando em casa. Se houver um feriado prolongado, elas se sentirão motivadas a sair, o que é totalmente contrário à necessidade de conseguir isolamento.

Mais um fator que precisa ser considerado é o sistema bancário. O feriado prolongado da cidade de São Paulo fará fechar os bancos? Se outras cidades aderirem à ideia, será feriado bancário em todas elas? Como ficariam os vencimentos dos boletos e das contas de consumo? Seriam prorrogados? Imagine as consequências de uma medida assim: empresas paradas e os vencimentos correndo normalmente. Perguntas que não querem calar: as empresas conseguirão manter os salários em dia, se não puderem funcionar? Se as indústrias não puderem funcionar, será possível manter o abastecimento de gêneros de primeira necessidade?

Moral da história: o prefeito Bruno Covas deve concluir que errou em sua decisão, pois ainda dá tempo de voltar atrás. E os demais prefeitos devem tomar outras atitudes, mais efetivas e com menos efeitos colaterais do que a atabalhoada medida de antecipar feriados.

Valdir Carleto