Exemplo de Araraquara mostra que lockdown evita mortes

 

A cidade de Araraquara foi a primeira com mais de 100 mil habitantes a adotar o lockdown, termo em inglês que significa um isolamento mais rígido. A decisão foi tomada em 21 de fevereiro, quando a taxa de ocupação de leitos de UTI chegou a 100%, havia fila de espera e pacientes eram transferidos para outras cidades.

Houve determinação de paralisação de todas as atividades não-essenciais e restrição à circulação de pessoas nas vias públicas, com suspensão do transporte coletivo, blitze e multas que chegaram a R$ 6 mil. Treze dias depois de implantado o lockdown, o número de novos casos caiu sensivelmente e parou de ter fila por vagas na UTI.

A cidade teve seu primeiro dia de trégua na sexta-feira, 26, quando nenhuma morte ocorreu. Em fevereiro, haviam sido 89 e em março, 120. Em 93% dos casos relativamente recentes, foi identificada a cepa de Manaus, que é muito mais transmissível do que a da primeira fase da pandemia. No sábado, 27, ocorreram mais seis mortes e neste domingo, mais uma, totalizando 325 óbitos.

O número de novos casos tem caído a menos da metade do que o verificado antes do lockdown e agora Araraquara tem acolhido pacientes de diversas cidades da região. Ainda assim, a taxa de ocupação de UTIs está em 89% e a enfermarias, em 74%. Outros municípios estão seguindo o exemplo e tomando atitudes mais duras de isolamento visando conter a contaminação e reequilibrar a capacidade de atendimento das unidades de Saúde com a demanda.

Apesar dos bons resultados do lockdown em Araraquara, o prefeito Edinho Silva (PT) tem recebido ameaças pelas redes sociais. Internauta insinua que irá matá-lo, outros falam em agredi-lo e um postou o endereço da cada de Silva, o que o obrigou a registrar Boletim de Ocorrência e a pedir proteção da Polícia Militar.