Bolsonaro troca seis ministros de uma só vez

O presidente da República, Jair Bolsonaro, participa da34ª Reunião do Conselho de Governo
 

Confirmando os prognósticos que davam conta da possibilidade de troca de vários nomes na equipe do presidente Bolsonaro, ele efetuou nada menos de seis substituições nesta segunda-feira, em busca de reduzir as pressões vindas do Congresso Nacional e de setores da sociedade civil por mudanças no governo.

Para o lugar do advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Júnior, o presidente está levando de volta André Mendonça, atual ministro da Justiça. Para o posto, nomeou Anderson Gustavo Torres, que era o secretário de Segurança Pública do governo do Distrito Federal.

Tendo demitido o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva, nomeou para a vaga o então ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Neto. Para a Casa Civil, remanejou o também general Luiz Eduardo Ramos, que ocupava a Secretaria do Governo, que terá agora como titular a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), em aceno ao Centrão do Congresso.

Também por pressão do Congresso, principalmente do Senado, caiu o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O novo chefe do Itamaraty será Carlos Alberto Franco França, embaixador que já foi chefe do Cerimonial e assessor especial da Presidência, de total confiança de Bolsonaro e contra quem há pouca resistência.

Não por coincidência, as trocas acontecem poucos dias após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ter feito duro discurso, no qual cobrou radicais mudanças na política do governo federal, argumentando que o Congresso dispõe de vários remédios para situações que exijam atitudes severas e que todos eles são amargos. Embora não tenha dito expressamente, insinuou que pedidos de impeachment do presidente Bolsonaro poderiam ser votados. Somando-se tudo isso às derrapadas de Ernesto Araújo no comando do Itamaraty, o chefe da nação preferiu fazer de uma só vez todas as substituições que entendeu necessárias.