Líder do governo critica diretores de escolas e diz que professor não quer trabalhar

 

Em entrevista à CNN Brasil, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, fez críticas à paralisação das aulas presenciais e responsabilizou a categoria dos professores pelo não retorno dos alunos às escolas. “Não tem nenhuma razão para o professor não estar dando aula”, disse.

O deputado mencionou a votação de Projeto de Lei no Congresso Nacional para tornar a educação um serviço obrigatório. “É um absurdo a forma como estamos permitindo que professores causem tanto dano às nossas crianças na continuidade da sua formação”, afirmou. “Professor não quer se modernizar, não quer se atualizar. Passou no concurso, quer se aposentar e não quer aprender mais nada”, acusou, após dizer que os alunos brasileiros não tiveram um dia de aula sequer durante um ano, sem levar em conta que houve aulas à distância e que os professores tiveram de se adaptar rapidamente à nova rotina, dedicando muito mais horas por dia do que aquelas pelas quais são remunerados.

Segundo Barros, os estados possuem condições sanitárias de retomarem o ensino presencial, desde que adotem protocolos de prevenção ao coronavírus, como rodízio de alunos e redução da capacidade das turmas. Citou que há estados que já determinaram a volta às aulas presenciais, como o Paraná, que definiu em 30% a capacidade máxima de ocupação das salas de aula.

Referindo-se à conexão das escolas à internet, ferramenta importante para o ensino híbrido, no caso dos alunos cujas famílias preferem que não retornem às aulas presenciais, Barros afirmou que as escolas não querem conectividade. “Uma diretora que não sabe lidar com tecnologia não quer que a escola seja conectada, pois corre o risco de perder o lugar para uma pessoa que tenha mais habilidade nessa área”. O trecho em que ele faz essas referências pejorativas aos educadores está entre o 10o. e o 16o. minuto da entrevista, que pode ser acessada no link da CNN citado no início da matéria.

A entrevista teve início comentando a aprovação do Orçamento, as implicações das decisões tomadas pelo Congresso, a CPI da covid-19, passou por críticas à gestão de recursos por governadores e prefeitos durante a pandemia e também por críticas ao Supremo Tribunal Federal, ao qual o deputado acusa de ativismo político.