Policial é condenado pela morte de George Floyd

 

O ex-policial Derek Chauvin foi condenado hoje pela morte de George Floyd, homem negro que morreu após ser asfixiado por nove minutos no estado de Minneapolis, nos Estados Unidos. A decisão é do júri popular que analisou o caso —os membros são seis mulheres brancas, três mulheres negras, dois homens brancos e três homens negros.

Chauvin foi condenado por assassinato não intencional em segundo grau, assassinato em terceiro grau e homicídio culposo.

No dia 25 de maio de 2020, policiais abordaram Floyd após acusações de que ele teria pago uma compra com uma nota falsa de US$ 20. Chauvin foi o único policial a ser indiciado por assassinato em segundo grau e homicídio culposo. Depois da repercussão do caso, ele foi expulso da polícia de Minneapolis.

A morte de Floyd gerou comoção internacional e desencadeou os protestos Black Lives Matter contra o racismo e a truculência policial —Chauvin continuou a pressionar o pescoço de Floyd mesmo quando ele estava algemado e repetia: “Eu não consigo respirar”. Na semana passada, o ex-policial Chauvin decidiu não testemunhar em seu próprio julgamento alegando o direito contra a autoincriminação.

Os promotores do caso convocaram quase 40 testemunhas durante as duas primeiras semanas do julgamento, iniciado no dia 29 de março, incluindo peritos médicos, policiais da ativa e aposentados e o funcionário da loja que recebeu o dinheiro falso de Floyd.

O presidente dos EUA, Joe Biden, assistiu ao anúncio do veredito e deve se pronunciar em breve, segundo a CNN dos EUA. Mais cedo, Biden considerou que as evidências sobre a responsabilidade de Chauvin são “esmagadoras”. Ontem, o presidente chegou a telefonar a parentes de Floyd para “ouvir as notícias sobre eles e assegurar-lhes que estava orando por eles”, disse uma porta-voz da Casa Branca.

O julgamento

O vídeo chocante de Floyd agonizando sob o joelho do policial foi o foco da abertura da argumentação no julgamento pela morte que abalou os Estados Unidos. A promotoria buscou mostrar que Chauvin não tinha justificativa para sua ação de nove minutos que acabou asfixiando Floyd, detido por uma contravenção.

Já a defesa de Chauvin alegou que pode provar que Floyd estava drogado, o que teria forçado os policiais a serem mais duros, e que sua morte se deve mais às drogas e a seus problemas de saúde do que à asfixia. Donald Williams, um instrutor de artes marciais que estava no local do assassinato, afirmou ter dito a Chauvin que sua maneira de imobilizar Floyd pelo pescoço era equivalente a uma manobra perigosa usada em combates chamada de “blood choke”, ou “sufocamento de sangue”.

Policiais raramente são condenados nos Estados Unidos e a sentença por qualquer uma das acusações contra Chauvin exigiu um veredito unânime.