domingo, 25 julho 2021
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Assintomáticos também podem sofrer efeitos da “Covid longa”, diz estudo


Em certos pacientes, sequelas da Covid-19 só aparecem meses depois da infecção. Ao mesmo tempo, estudo alemão indica que percentagem dos assintomáticos seja bem mais alta do que se pensa.

Entre as grandes incógnitas que cercam a pandemia de Covid-19, estão os casos assintomáticos. O que impede que certos indivíduos desenvolvam patologias após se contagiarem com o novo coronavírus? Seus casos contêm conclusões que possam ser úteis aos demais pacientes?

Contudo ser assintomático talvez não seja sempre uma bênção. O estudo Gutenberg Covid-19 da Universidade de Medicina de Mainz, Alemanha, se ocupa não só dos efeitos diretos da pandemia, mas seu impacto maior sobre a saúde pública.

Uma de suas constatações é que o número de casos não identificados seria bem maior de que se pensava. E estes também podem estar sujeitos a complicações tardias e duradouras da infecção original, em parte graves — a assim chamada “Covid longa”.

A DW entrevistou o chefe do projeto Gutenberg Covid-19, o professor de epidemiologia clínica da Universidade de Mainz Philipp Wild, sobre essa nova vertente de investigação sobre a pandemia:

“Voltamos a ter grandes eventos públicos, portanto precisamos de sistemas de alerta precoce. Estamos nos perguntando se há uma assinatura molecular, algo que se possa medir no sangue, indicando que o paciente está a caminho de desenvolver a síndrome de covid longa.”

Como o senhor e sua equipe determinaram que mais de 40% da população da Alemanha não se dá conta de que tem Covid-19?

Selecionamos uma amostra de voluntários proporcional à população alemã e lhes perguntamos se haviam tido uma infecção com o novo coronavírus com distância de dois, quatro meses. Fizemos com eles um teste de PCR, e medimos seus anticorpos, os quais indicam se houve uma infecção, independente de a pessoa ter sido vacinada.

E vocês acompanharam mais de 10 mil voluntários por um período de seis meses.

Exato. A maioria dos casos não conhecidos era entre os os mais idosos: 63%, ou quase dois terços, dos participantes maiores de 75 anos.

Então está na hora de difundir os autotestes, não só para cada um ver se está infectado, mas também para saber se teve Covid-19 no passado?

Sem dúvida, é uma boa ideia passar a testar melhor a população, sobretudo agora, que estamos relaxando as medidas preventivas. Voltamos a ter grandes eventos públicos, como a recente Eurocopa do futebol, portanto precisamos de sistemas de alerta precoce. E os vacinados também devem ser testados, porque podem contagiar quem ainda não foi inoculado. Mas também constatamos que ainda precisamos determinar quais anticorpos precisamos medir nos indivíduos. A maioria só apresenta certos tipos, então temos que aprender quais deles procurarmos, pois só aí será possível fazer uma triagem de longo prazo da Covid-19.

Quantos desses casos não detectados podem ser “covid longa”?

É uma questão debatida. Ainda a estamos investigando no nosso estudo, e vai ser preciso um pouco mais de tempo, pois a definição de “covid longa” é seis meses após a infecção original. Mas o que sabemos é que, dos casos conhecidos, 10% desenvolvem covid-19 de longo prazo, e que em 10% destes – ou 1% do total – se trata de uma forma severa. Agora precisamos entender quantos dos casos assintomáticos são capazes de desenvolver a forma longa.

Há razão para se temer que, em jovens que tiveram Covid-19 sem saber, os órgãos foram danificados, mas isso só vá ser constatado anos depois?

De fato, é o que tememos. Estamos nos perguntando se há uma assinatura molecular, algo que se possa medir no sangue, indicando que o paciente está a caminho de desenvolver a síndrome de covid longa. Mas ainda é uma questão de pesquisa, tudo o que estamos fazendo agora ainda é especulativo. Precisamos compilar mais dados para estarmos seguros de como abordar esses casos e identificá-los. Mas, sim, o nosso temor é que, mesmo após infecções assintomáticas ou brandas, alguns pacientes estejam arriscados de desenvolver covid de longo prazo.

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