A capital japonesa celebrou nesta terça-feira (24) o início das Paralimpíadas de 2020. O evento vai até 5 de setembro.
Sem público em virtude da pandemia de Covid-19, a festa emocionou ao homenagear o Afeganistão, ao promover reflexões sobre inclusão e igualdade e incentivar as conquistas de uma parcela tão expressiva da população mundial, mas ainda discriminada.
O cenário montado para a abertura das Paralimpíadas pôs em prática a acessibilidade em pequenos detalhes, com a pira em uma plataforma mais baixa e a presença de rampas.
A entrada dos Agitos, símbolos das Paralimpíadas, foi emocionante. Formados por balões vermelho, azul e verde gigantes, refletiram exatamente a ideia de sua essência, o conceito de “eu me movimento”. Os 22 esportes do programa dos Jogos, incluindo os estreantes parabadminton e parataekwondo.
Também foi celebrada a campanha “#Wethe15”, “Nós os 15”, na tradução para o português. Ela lembra que 15% da população mundial, cerca de 1,2 bilhão de pessoas, têm algum tipo de deficiência e aspira ser o maior movimento de direitos humanos da história.
Noite de Petrúcio e Evelyn
Outros países, como o Brasil, optaram por levar grupos reduzidos à festa. O Comitê Paralímpico Brasileiro selecionou Petrúcio Ferreira (atletismo) e Evelyn Oliveira (bocha) como porta-bandeiras, e Alberto Martins (diretor técnico do CPB) e Ana Carolina Alves (técnica da classe BC4 da bocha e staff de Evelyn) completaram o número mínimo exigido.
A alegria da dupla de atletas era evidente, e Petrúcio puxou uma dancinha animada para extravasar a emoção e foi tietado por um estrangeiro. Vale lembrar que o paraíbano é o atleta paralímpico mais rápido do mundo e ostenta o título de campeão paralímpico dos 100m na classe T47 na Rio 2016, além de bicampeão mundial nas edições de 2017 e 2019 e recordista mundial na distância.

Chances reais de medalhas
Quem vibrou com o recorde de 21 medalhas do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio poderá comemorar um número bem maior delas nas Paralimpíadas, que começam nesta terça-feira. A expectativa é que os atletas do país subam ao pódio nos 12 dias com disputas, até 5 de setembro.
A delegação brasileira
Serão 260 atletas, incluindo atletas sem deficiência como guias, calheiros, goleiros e timoneiro — 164 homens e 96 mulheres. Esta será a maior delegação brasileira da história em uma Paralimpíada fora do Brasil (no Rio de Janeiro, o Brasil garantiu vagas em todas as modalidades por ser país-sede e contou 286 atletas no total). A modalidade com o maior número de atletas será o atletismo, com 64 representantes e 18 atletas-guia.
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estabeleceu o top 10 como meta. Nos Jogos do Rio, em 2016, foram 14 medalhas de ouro, 29 de prata e 29 de bronze (72 no total), ficando em oitavo no quadro de medalhas. Pelos cálculos do presidente da entidade, Mizael Conrado, o Brasil deve conquistar entre 60 e 75 medalhas no Japão.
Modalidades
Em Tóquio, serão 22 modalidades (o mesmo número que no Rio de Janeiro, em 2016), mas com duas alterações em relação às últimas Paralimpíadas. Duas novas modalidades foram acrescentadas: o parabadminton e o parataekwondo. Elas substituem o futebol de 7 e a vela (ambos foram retirados devido ao alcance internacional insuficiente para justificar a permanência). O Brasil tem participantes em 20 (está fora do basquete de cadeira de rodas e no rúgbi de cadeira de rodas).

