Biden diz que novo ataque ao aeroporto de Cabul é ‘muito provável’

Foto: Reprodução/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou neste sábado (28) que um novo ataque ao aeroporto de Cabul é “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” e que o bombardeio americano que matou dois membros do grupo Estado Islâmico “não será o último”. “A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente em um comunicado após se reunir com seus conselheiros militares e de segurança.

Ataque com drones

Dois dirigentes do Estado Islâmico-Khorasan, o braço do Estado Islâmico no Afeganistão, foram mortos nos ataques de drone feitos pelos Estados Unidos no sábado (28). Além desses dois, um terceiro dirigente ao grupo terrorista ficou ferido. Segundo os militares dos EUA, os três estiveram envolvidos no planejamento e execução do atentado suicida do lado de fora do aeroporto de Cabul, na quinta-feira.

Pode ser que haja novas operações, de acordo com as agências de notícias. Os bombardeios com drones foram executados na província de Nangarhar, uma região montanhosa do Afeganistão.

Foi uma retaliação, pois menos de 48 horas antes houve um ataque suicida que matou 169 afegãos e 13 militares americanos no aeroporto de Cabul. Esse atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico-Khorasan. No Afeganistão, esse grupo e o Talibã são inimigos.

Retirada de estrangeiros e afegãos

Cerca de 110 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão desde o dia 14 de agosto. O Talibã tomou o poder no país no dia 15 de agosto. Ainda há alguns dias para tirar mais gente do país: os Estados Unidos e o Talibã negociaram que a retirada plena aconteceria no dia 31 de agosto. Cada país organizou um esquema para a retirada de pessoas do país, entenda a seguir.

Estados Unidos

Os soldados dos EUA começaram a sua retirada do aeroporto de Cabul, afirmou o porta-voz das Forças Armadas, John Kirby. A previsão é que a operação só acabe no último dia, 31 de agosto. A prioridade é a retirada de militares dos EUA e de equipamento dos norte-americanos. Ao menos 5.400 americanos foram retirados do Afeganistão —no último dia, foram 300. Cerca de 350 afirmaram que ainda tentam deixar o país. Eles são os únicos que o governo dos EUA conhece. Há outros 280 que se identificaram como americanos, mas não pretendem deixar o Afeganistão.

Reino Unido

O país fez o seu último voo militar em que carregou civis neste sábado (28). Nos próximos voos, só vão viajar militares britânicos. Nas duas últimas semanas, os britânicos retiraram cerca de 15 mil pessoas, entre seus próprios cidadãos e afegãos, do Afeganistão. Estima-se que um número entre 800 e 1.100 afegãos que trabalharam com o Reino Unido nos últimos 20 anos enquadravam-se nos critérios para deixar o Afeganistão, mas não conseguiram chegar ao aeroporto.

Alemanha

Os voos de retirada de pessoas feitos pela Alemanha terminaram na quinta-feira (26). Os militares alemães tiraram 5.347 pessoas —a maioria delas, mais de 4.100, são afegãs. A Alemanha chegou a dizer que tinha identificado 10 mil pessoas que precisavam sair do Afeganistão. Nesse balanço estavam ativistas de direitos humanos, jornalistas e os funcionários locais que trabalhavam para os alemães. Cerca de 300 alemães vão continuar no Afeganistão, disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha.

Catar e Emirados Árabes

Mais de 40 mil pessoas deixaram o Afeganistão e foram para Doha, no Catar. As operações continuarão pelos próximos dias. Os Emirados Árabes ajudaram a retirar 36.500 pessoas até o momento. Dessas, 8.500 foram recebidas no país.