domingo, 5 dezembro 2021
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Confira o teste do Fiat Argo Trekking

Entre o imaginário e o real: com o lançamento do utilitário esportivo Pulse, a versão Trekking do hatch Argo busca uma nova trilha rumo às aspirações do consumidor

Por Luiz Humberto Monteiro Pereira
Fotos: Luiza Kreitlon
AutoMotrix

            Apesar dos problemas causados pela falta de componentes, que afeta a maioria das linhas de montagem automotivas do Brasil, o Argo vive um dos seus melhores momentos desde que foi lançado, em maio de 2017. O hatch compacto da Fiat ocupa a segunda posição no ranking anual de vendas, com 73.795 emplacamentos de janeiro a outubro. Embora tenha liderado as vendas nacionais nos meses de maio, julho e outubro, na totalização do ano, o hatch fabricado na cidade mineira de Betim ainda é superado com folga pela picape Fiat Strada, que emplacou 91.514 unidades. Mas já ultrapassou, por menos de mil unidades, o concorrente Hyundai HB20, com 72.998 emplacamentos nos dez primeiros meses de 2021.


Em meio à boa fase da linha Argo, há uma versão que anda um tanto ofuscada: a Trekking 1.3. Com o lançamento do Pulse, a nova configuração de utilitário esportivo da plataforma do Argo, a versão aventureira do hatch poderia perder um pouco o sentido. Afinal, o Argo Trekking 1.3 parte de R$ 78.990 (há variações de acordo com as diferentes tributações estaduais) e a versão Drive 1.3 manual do Pulse, que leva o mesmo “powertrain”, foi lançada por R$ 79.990. A diferença de preços entre o hatch com estética off-road e a configuração mais básica do novo SUV ficou em apenas R$ 1 mil

            O Argo Trekking foi apresentado em maio de 2019 e, além do design inspirado nos utilitários esportivos, trouxe diferenciais que habilitam o hatch para trilhas leves. A suspensão foi reforçada e elevada – são 21 centímetros de vão livre em relação ao solo, quatro centímetros a mais que a da versão Drive – e os pneus são Scorpion 205/60R15 91H S-ATR WL com perfil mais alto e banda de rodagem para uso misto. Novos amortecedores e molas reforçadas deixam essa versão mais apta a encarar pisos de má qualidade. Nada que transforme um hatch em um SU; porém, são atributos valorizados por quem roda nas ruas e estradas nacionais – às vezes, tão maltratadas que mais parecem trilhas de rali.

            A pintura bicolor diferencia a versão Trekking das outras do Argo – o preto domina a capota, as barras do teto, os retrovisores, a coluna central e o aerofólio traseiro, além de um aplique quadrado preto com grafismos no alto do capô, que remete a alguns modelos da Jeep. Também são escurecidos os faróis com design em leds, as molduras das caixas de rodas e a parte inferior do para-choque traseiro. Recentemente, o modelo recebeu mudanças discretas no visual, como a logomarca em cromo negro e a pequena bandeira italiana na grade dianteira (a tal Fiat Flag) e os adesivos redesenhados na carroceria, na parte baixa das portas. A ponteira de escapamento trapezoidal e as rodas aro 15 com calotas também são enegrecidas, assim como as molduras plásticas contornam laterais e caixas de roda. Algumas logomarcas “Trekking” aparecem nas portas e na tampa do porta-malas – no teto preto, próximo ao para-brisa, surge apenas o desenho do logotipo de aspecto tribal, que lembra dois triângulos sobrepostos em tom laranja. Opcionalmente, é possível incluir rodas de liga leve de aro 15 com cor negra e câmera de ré com linhas dinâmicas – acrescenta R$ 4.090. Dois acessórios da Mopar são exclusivos da versão Trekking: as barras transversais de teto e o suporte para bicicleta, apoiado nas barras transversais que, por sua vez, precisam das barras longitudinais – que, no hatch, são item de série específico da configuração aventureira. Por dentro, o tecido escuro dos bancos ressalta as costuras alaranjadas, a área central com textura quadriculada e o logotipo Trekking bordado. O sistema multimídia Uconnect de 7 polegadas “touchscreen” com Apple CarPlay e Android Auto destaca-se no centro do painel.

           

O motor



Sob o capô do Argo Trekking está o motor Firefly 1.3 de quatro cilindros naturalmente aspirado, com duas válvulas por cilindro, que entrega uma potência de 109 cavalos e um torque de 14,2 kgfm. É o mesmo que move a versões Drive 1.3 do Argo e do Pulse e as mais caras da Strada, sempre acoplado a um câmbio manual de 5 velocidades. Não se sabe se a linha Argo receberá o novo motor 1.3 turbo flex 200 apresentado no Pulse, com 130 cavalos de potência a 5.750 rotações por minuto abastecido com etanol e 20,4 kgfm de torque de 1.750 a 3.500 giros com os dois tipos de combustível, associado à transmissão automática de 7 marchas com opção de trocas sequenciais em “paddles shifts” localizados atrás do volante. No Argo, tal trem de força embalaria muito bem em uma versão esportiva do hatch – talvez a própria Trekking.

            Contudo, o fato é que a diferença de apenas R$ 1 mil entre os preços do Argo Trekking 1.3 e do Pulse Drive 1.3 não deve durar tanto, porque o valor cobrado pelo Pulse “de entrada” é promocional de lançamento e provavelmente será reajustado em breve. Assim, o Argo Trekking 1.3 – que tornou-se o “top” de família, pois as versões automáticas Trekking 1.8 e HGT 1.8 não tiveram suas linhas 2022 apresentadas – assumirá a função mercadológica de ser a “ponte” entre o hatch e o novo SUV compacto da linha Fiat. E como custa apenas R$ 600 a mais em relação à Drive 1.3 S-Design, que tem o mesmo motor e parte de R$ 78.290, a versão Trekking acaba sendo uma das mais procuradas do Argo. A estética off-road ainda tem seus fãs e alguns deles preferem a leveza dos hatchs ao estilo mais abrutalhado dos SUVs.

Experiência a bordo

Inspiração rústica

            No Fiat Argo Trekking, quatro adultos acomodam-se sem dificuldades, com razoáveis vãos para a cabeça e as pernas de quem se senta no banco traseiro. O interior usa e abusa do preto e apenas alguns frisos no volante e no console são prateados e as saídas de ar, cromadas. No console central, há apenas um porta-copos, e no painel, um pequeno porta-objetos serve para abrigar miudezas. Os bancos são revestidos em tecido escuro texturizado, com costuras em laranja, com o logotipo da versão bordado no encosto. Os plásticos são rígidos, mas a montagem é bem executada.

            A ergonomia e a visibilidade do Argo Trekking são boas, inclusive a proporcionada pelos retrovisores. O volante é regulável em altura, entretanto, não em distância. De série, o hatch da Fiat traz ar-condicionado, central multimídia UConnect com tela “touch” de sete polegadas, conectividade com celulares e sistema de reconhecimento de voz, alarme, controle remoto na chave para travas, vidros e tampa do porta-malas, direção e retrovisores elétricos, faróis de neblina, sensor de obstáculos traseiro, volante multifuncional e computador de bordo.

Impressões ao dirigir

Simples e bem resolvido

            Com seus 109 cavalos de potência e torque de 14,2 kgfm, o motor Firefly 1.3 de quatro cilindros move com agilidade os 1.130 quilos da versão aventureira do Argo. Uma tarefa mais fácil que a da versão Drive do SUV Pulse, na qual o mesmo “powertrain” tem de mover cerca de 50 quilos a mais e uma carroceria mais robusta e elevada. No Firefly 1.3, o torque máximo só aparece em 3.500 giros, contudo, a maior parte dele já está disponível nas baixas rotações, o que confere agilidade às acelerações. O conjunto embala de forma convincente as retomadas de velocidade, e o ganho de velocidade é consistente. A transmissão manual de 5 marchas tem uma relação curta. Uma sexta marcha no câmbio provavelmente reduziria o consumo na estrada. O curso do pedal de embreagem é ligeiramente longo e o câmbio manual poderia ter uma relação menos longa. Já a direção com assistência elétrica funciona bastante bem – leve nas manobras de estacionamento e mais firme nas altas velocidades.

            Os 21 centímetros de vão livre permitem ao Argo Trekking passar com alguma desenvoltura por lombadas, valetas e outros obstáculos urbanos. O ajuste correto da suspensão ajuda a performance nas trilhas e também não deixa a carroceria adernar demasiadamente nas curvas feitas em altas velocidades. O Argo Trekking roda em pisos irregulares mantendo o bom comportamento dinâmico demonstrado no asfalto. A absorção de impactos pela suspensão funciona e o Argo aventureiro transmite sensação de segurança mesmo em terrenos com baixa aderência. Recentemente incorporadas ao Trekking, os controles de estabilidade e tração e o assistente de partida em rampas ajudaram a tornar esse hatch com jeito de crossover ainda mais consistente e seguro.

Ficha técnica

Fiat Argo Trekking

Motor: dianteiro, transversal, flex, 1.332 cm³, com quatro cilindros, de 70 mm de diâmetro e 86,5 mm de curso, e oito válvulas, com comando único

Potência: 101 cavalos (gasolina) a 6 mil rpm e 109 cavalos (etanol) a 6.250 rpm

Torque: 13,7 kgfm (gasolina) e 14,2 kgfm (etanol) a 3.500 rpm

Transmissão: manual de 5 marchas, tração dianteira

Suspensão: MacPherson na dianteira e eixo de torção na traseira

Rodas e pneus: rodas de liga leve (opcionais) 6” x 15”, pneus 205/60 R15”

Freios: discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS

Direção: assistida eletricamente, diâmetro de giro de 10,4 m

Dimensões: 3,99 metros de comprimento, 1,72 metro de largura, 1,51 metro de altura e 2,52 metros de distância entre-eixos,

Peso: 1.140 kg

Vão livre em relação ao solo: 21 centímetros

Carga útil: 400 kg

Tanque de combustível: 48 litros

Porta-malas: 300 litros

Preço: R$ 78.990, na cor Preto Volcano. As cores sólidas Vermelho Montecarlo e Branco Banchisa acrescentam R$ 950, enquanto as metálicas Cinza Silverstone (a do modelo testado) e Prata Bari e a perolizada Branco Alaska somam R$ 1.800. As rodas de liga leve e a câmera de ré são opcionais e custam R$ 4.090. Há variações de acordo com as diferentes tributações estaduais

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