Nas décadas recentes, passou-se a falar em acessibilidade, em garantir a pessoas com dificuldade de mobilidade o direito de trafegar pelas calçadas. Filosoficamente, é muito bonito e correto. Mas, na prática, não funciona, pelo menos na maioria das cidades, nas quais aclives e declives são constantes. Como transitar com uma cadeira de rodas pela calçada de uma rua íngreme, ainda que as entradas de cada casa fossem pensadas no sentido de propiciar ao cadeirante esse direito? Quando se depara com a realidade, o que se vê é que cada proprietário preocupa-se em construir a entrada de seu veículo da forma que lhe pareça mais conveniente. Afinal, pela lógica, em uma rua com declive acentuado ninguém há de querer caminhar em uma cadeira de rodas.
Mas, passando por vias públicas de Guarulhos, vê-se que não é preciso depender de uma cadeira de rodas para ter dificuldade de trafegar por elas. Vejamos dois exemplos de lugares situados no Jardim Zaira, Centro de Guarulhos; e na Vila Endres, região próxima do Centro.


Na rua Armando Arruda Pereira, esquina com rua Dr. Miguel Vieira Ferreira, quase vizinho ao Hortifrúti Sitio Verde, há um prédio de apartamentos cuja calçada foi levantada pela raiz de uma árvore. Alguém que tenha alguma dificuldade de mobilidade não terá como passar ali e qualquer pedestre precisará ter cuidado para caminhar nesse trecho.

Já na esquina da rua Cavadas com a rua Stella Maris (foto abaixo), local muito frequentado por pessoas a caminho do hospital ou da Ótica Stella Maris, ambos situados nas proximidades, simplesmente não há espaço na calçada para que um pedestre possa passar.

Não é uma situação nova: já é antiga. Não se sabe se algo foi feito de forma irregular na construção do estabelecimento da esquina ou se o poder público ao definir o traçado da rua é que avançou sem deixar espaço para a calçada.
O fato é que esses são apenas dois exemplos de que a tão propagada acessibilidade parece piada: se nem um pedestre em perfeitas condições de mobilidade consegue passar por um lugar assim com segurança, como cogitar que um cadeirante possa fazê-lo.
Se isso só acontecesse em Guarulhos, talvez fosse o caso de pensar em como resolver. Mas, não: são cenas muito comuns em praticamente todas as cidades.

