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Obesidade foi agravada com a pandemia no Brasil e em todo o mundo

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A obesidade, que já era um problema mundial de saúde, ficou ainda mais grave após a pandemia da Covid-19 e no Brasil não é diferente. Pesquisa do Atlas Mundial da Obesidade em 2022, divulgada pela Federação Mundial da Obesidade, aponta que até 2030 nosso país terá quase 30% (29,7%) de sua população adulta com obesidade. Deste total, 33,2% serão mulheres e 25,8% serão homens. Os dados mais atuais sobre o tema no Brasil são do relatório Vigilância De Fatores De Risco E Proteção Para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2021, realizado pelo Ministério da Saúde, constatou que a população de brasileiros com sobrepeso é de 57,25%, e os obesos chegam a 22,35%.

O Dia Mundial da Obesidade, celebrado no sábado, 4/3 é a data de alerta para essa que é uma pandemia contínua e igualmente grave. A médica endocrinologista Pryscilla Moreira Hajj (CRM 18112/RQE 11762), especialista que atende no Órion Complex, em Goiânia-GO, explica que o problema é uma doença crônica e multifatorial caracterizada pelo acúmulo de gordura e por um desequilíbrio energético que ocorre no organismo.

Essa doença tem se tornado cada vez mais prevalente no mundo e também no Brasil, principalmente devido aos maus hábitos alimentares e ao sedentarismo. A especialista destaca que a pandemia da Covid-19 teve um papel preponderante no agravamento desses quadros de  sobrepeso e obesidade, uma vez que aumentou o sedentarismo e a compulsão alimentar, muitas vezes provocados pela ansiedade e a depressão.

Quando considerar uma pessoa obesa?

Pela definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2. Os indivíduos que possuem IMC entre 25 e 29,9 kg/m2 são diagnosticados com sobrepeso e já podem ter alguns prejuízos com o excesso de gordura.

A endocrinologista Pryscilla Hajj explica que há diversos tipos de obesidade, associados a alterações gênicas e a doenças sindrômicas que são mais raras. “A mais comum, que vemos quando o paciente está acima do peso, chamamos de poligênica. Esse quadro se desenvolve a partir de maus hábitos de vida como má alimentação, falta de atividade física, dificuldades e alteração do sono e até a baixa hidratação corporal”, diz.

“O não tratamento desse sobrepeso, além da própria obesidade, pode resultar em outras doenças como diabetes, hipertensão, alteração do colesterol e do triglicérides, artrose, além do aumento do risco cardiovascular. Portanto, é importante discutirmos sobre o assunto e reconhecer a obesidade como uma doença, que precisa ser diagnosticada e tratada”, destaca a médica.

Tabus e dietas

Pryscilla Hajj diz que a obesidade traz consigo um tabu muito comum, reproduzido até mesmo por alguns profissionais de saúde, que associa o ganho de peso e até a dificuldade de perdê-lo à falta de proatividade do paciente, que muitas vezes é taxado de “relaxado”, o que, segundo a especialista, não é totalmente verdade. “Uma boa parte das pessoas com sobrepeso ou obesidade tem uma genética propensa ao ganho energético. E elas precisam entender que têm uma doença crônica, que deve ser tratada com acompanhamento médico contínuo e em alguns casos com uso de remédio para evitar o agravamento”, esclarece a especialista.

A endocrinologista revela que felizmente há hoje várias alternativas de tratamento, tanto para o sobrepeso quanto para a obesidade, que trazem muita efetividade. Porém, a médica lembra que mesmo com as modernas terapias disponíveis hoje, não existem milagres em relação à perda de peso, que sempre irá ocorrer se o tratamento for aliado a hábitos saudáveis. “É maçante bater nessa mesma tecla, mas os estudos comprovam que hábitos de vida saudáveis previnem a obesidade e o sobrepeso. A prática regular de atividade física também entra neste combo”, esclarece Pryscilla.

A endocrinologista também chama a atenção para as chamadas dietas da moda, que podem dar resultados para alguns, mas ser prejudicial a outros. “Quando se faz uma dieta específica e muito restritiva, corre-se o risco desse paciente não conseguir mantê-la por muito tempo e até mesmo provocar efeito contrário, que é a compulsão alimentar”, exemplifica.

Como manter a medida?

Mas, depois da luta para perder o excesso de peso, como permanecer com a medida ideal? Digamos que aí há outro grande desafio que reforça as orientações já dadas pela médica, de que a obesidade e o sobrepeso são doenças que requerem, além de um tratamento contínuo envolvendo consultas médicas e uso de medicamentos, uma profunda reeducação de hábitos alimentares e mudança de estilo de vida. 

Nessa luta de manter o peso, após a perda do excesso, a especialista dá outras dicas importantes. “Num processo de emagrecimento saudável é imprescindível que a pessoa não perca massa muscular e sim ganhe. Em alguns casos, para a manutenção desse peso perdido é necessário o uso contínuo de medicamento, mas isso deve ser avaliado por um médico endocrinologista para verificar a necessidade ou não desse uso de medicamento”, completa. Ou seja, é preciso equilíbrio e um trabalho constante em prol de uma vida saudável.

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