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Revistas Weekend e RG deixam de circular e acervo é doado ao Arquivo Histórico

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Conforme noticiado na edição 429 da Revista Weekend, que circulou no início de fevereiro, ela não irá mais ser produzida, o mesmo acontecendo com a RG – Revista Guarulhos, que circulou em dezembro com a edição 143.

Postei vídeo no Facebook há alguns dias, respondendo a leitores que nos questionaram sobre os motivos que nos levaram a tomar essa decisão.

Entendi oportuno e necessário, entretanto, fazer este registro também aqui no Click Guarulhos, em respeito a todas as pessoas que acompanharam esse trabalho durante tantos anos, muitas das quais não acompanham as redes sociais.

Em 2002, lançamos a Revista Guarulhos, com circulação bimestral. Depois de algum tempo, passou a circular mensalmente. O objetivo principal da publicação foi o de mostrar pessoas, empresas e lugares de Guarulhos, apresentando à população aspectos da cidade que muitos desconheciam. Tivemos edições nas quais focamos em quem foram as pessoas que dão nome a escolas e vias públicas de Guarulhos. Em outras, focalizamos lugares pitorescos a serem visitados. Em uma delas, enfatizamos sobre produtos de indústrias locais, incentivando os consumidores guarulhenses a lhes dar preferência, para gerar empregos e divisas na cidade.

Há vários anos, a RG passou a ter anualmente a edição “República Gastronômica de Guarulhos”, com um roteiro dos restaurantes, padarias, lanchonetes e bares da cidade. E também edição voltada às escolas particulares de Guarulhos, com critérios para as famílias escolherem as que mais correspondessem às suas aspirações. Quando ainda não havia os aplicativos de orientação de trânsito, publicávamos mapas dos bairros onde se situavam, tanto o ramo gastronômico quanto o da educação, para facilitar aos leitores.

Até 2009, ano em que eu e meu filho Fábio saímos da direção do Diário de Guarulhos (ex-Olho Vivo), a cidade não tinha uma revista semanal. Concluímos que caberia a nós, com décadas de experiência no Jornalismo local, propiciar à população uma publicação que divulgasse tudo que estivesse acontecendo, na área cultural e gastronômica. Assim nasceu a Weekend, circulando todas as sextas-feiras.

Foi um estrondoso sucesso, tanto de público como comercial. Recebíamos inúmeros comentários elogiosos a cada edição e testemunhos valiosos de anunciantes a respeito do ótimo retorno obtido. A exemplo do que fazíamos com o antigo Olho Vivo, especializamo-nos em distribuição gratuita em condomínios e em estabelecimentos comerciais de grande fluxo de pessoas. Os exemplares esgotavam-se rapidamente. A RG era entregue também em salas de espera de clínicas, consultórios e salões de beleza, nos quais exemplares permaneciam por longo tempo, tendo em vista que o conteúdo era válido mesmo depois. A Weekend chegou a circular com 18 mil exemplares e a RG com 10 mil. Temos convicção de que ajudamos a fazer com que os guarulhenses prestigiassem o comércio local, que foi se fortalecendo e diversificando-se, a ponto de muita gente de outras cidades passar a frequentar nossos restaurantes e bares. Não existe comparação entre o que Guarulhos oferecia em 2009 e o que ostenta agora.

Durante 7 anos, fizemos 350 edições da Weekend, exatamente 50 a cada ano. Com o crescimento das redes sociais, gradativamente a população foi perdendo o interesse pelas publicações impressas e anunciantes passaram a investir nessas plataformas, alegando que com valores menores obtinham melhores resultados do que se anunciassem nas revistas.

Chegou o momento em que não foi mais possível editar a Weekend semanalmente. Circulando a cada duas semanas, já não fazia sentido publicar o roteiro dos filmes em cartas nos cinemas, ou as atrações do teatro Adamastor, por exemplo. Naquela ocasião, sendo cada vez menor a possibilidade de retiradas para os sócios, Fábio precisou dedicar-se a outras atividades, para obter o sustento de sua família. Graças à credibilidade conquistada em tantos anos e ao excelente relacionamento que tem com empresários dos mais diversos ramos, ele vem alcançando o êxito esperado.

Veio a pandemia e ficou muito difícil equilibrar receita e despesa para manutenção das revistas, tendo em vista que o ramo da gastronomia, que sempre foi um dos principais entre os anunciantes, sofreu por meses com as portas fechadas. Durante meses, não foi possível editar as revistas. Depois, quando voltaram a circular, tivemos problemas em vários condomínios que já não aceitavam que deixássemos exemplares. Em outros, foi notório que as revistas já não eram retiradas no mesmo ritmo de antes. Afinal, sem a periodicidade costumeira, as pessoas perderam o hábito de aguardar a até então preciosa leitura.

Comercialmente, só se mantiveram superavitárias as edições da RG e da Weekend voltadas à gastronomia e à educação. Nas outras edições, o custo do papel fazia com que fosse muito difícil obter anúncios suficientes para cobrir as despesas, mesmo trabalhando com reduzidíssima equipe. Cogitei produzir só as edições especiais, mas concluí que fatalmente os problemas com a distribuição nos condomínios iriam agravar-se, sendo edições ainda mais esporádicas.

O fato é que os tempos mudaram e não dá para remar contra a maré. Embora muitos anunciantes sempre tenham tido a noção da importância de haver revistas com a qualidade editorial que sempre fizemos questão de manter e com tiragem abrangente, outros visavam unicamente o retorno de seu investimento, o que guarda lógica indiscutível. Outros consideravam o valor do anúncio mera despesa. E há os que agiam como se estivessem praticando caridade, o que, convenhamos, torna-se humilhante para um profissional com mais de 40 anos exercendo Jornalismo, modéstia à parte, sempre procurando fazê-lo com zêlo e independência.

Outra alternativa seria reduzir a tiragem, em vez de manter os 13 mil exemplares que imprimíamos da Weekend e os 8 mil da RG. Se o fizesse, no entanto, estaria traindo quem investia nas revistas, dando-me um voto de confiança. Em todo o tempo, sempre fiz questão de prestigiar quem nos prestigia, tratando-os com o devido respeito e consideração.

Assim, cheguei à conclusão de não mais editar as revistas. Decisão difícil, mas necessária. Passarei a focar no portal de notícias Click Guarulhos, ampliando tanto quanto possível a interatividade com os internautas, buscando reproduzir na internet, cada vez mais, a linha editorial de prestação de serviços à população que notabilizou o saudoso Olho Vivo. E venho me dedicando à edição de livros de autores locais, atividade que me dá muito prazer e realização pessoal.

O QUÊ FAZER COM O ACERVO?

Todas as edições da RG e da Weekend foram encadernadas em volumes de capa dura. Eu poderia guardá-los, pois constituem um patrimônio que registra décadas de um trabalho. Porém, entendi que seria muito mais útil se esse acervo estivesse à disposição da população, incluindo estudantes e pessoas em geral que tenham interesse pela história da cidade, sua economia, sua gente.

Entrei em contato com a Secretaria de Cultura, sendo atendido pelo diretor César Samsoniuk. Prontamente, o acervo foi aceito pelo Arquivo Histórico, situado na área dos fundos do Centro de Educação Adamastor, na avenida Monteiro Lobato, 734, Macedo. Atende de segunda a sexta, das 9h às 17h. Telefones 2409-1600 ou 2442-8723.

Vale citar que as edições das duas revistas, desde 2014, estão disponíveis aqui no Click Guarulhos, no item Revistas do menu.

GUARULHOS QUER O ACERVO DO OLHO VIVO

Muitas pessoas me perguntam sobre o acervo do Jornal Olho Vivo. Infelizmente, quando vendi a empresa em 2009 ao jornalista Alexandre Polesi, lá deixei todos os volumes encadernados durante 28 anos. Em 2014, ele encerrou as atividades. No último contato que tive com ele, Polesi me disse que gostaria de doar a coleção a uma faculdade de Jornalismo. Dialoguei com a UNG, que aceitaria receber o acervo. Eu informei a ele, mas nunca foi concretizada essa esperada doação. O Arquivo Histórico também tem interesse em receber a coleção, assim como foi feito pela Folha Metropolitana, que já está à disposição do público. Rogo a quem tiver acesso a Alexandre Polesi que busque convencê-lo a doar o acervo do Olho Vivo/Diário de Guarulhos a um dos dois organismos culturais, pois constitui um patrimônio da cidade, registro de uma época.

GRATIDÃO

Resta-me agradecer a cada leitor que dedicou tempo a acompanhar nosso trabalho. A cada profissional que fez parte de nossa equipe por anos, meses ou dias. A cada anunciante que nos prestigiou com sua confiança e investimento. A cada personagem entrevistado ou focalizado em alguma de nossas inúmeras matérias. Agradecer à cidade de Guarulhos, que tão bem me acolheu desde 1975 e que me deu a honra de considerar-me Cidadão Guarulhense em 1992. A todos, meu sincero Muito Obrigado.

Valdir Carleto

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