Diante dos vários casos de ataques a escolas e a uma escalada da informações – muitas das quais sem fundamento – sobre outras supostas ocorrências, o Click Guarulhos ouviu o presidente da AEG – Associação das Escolas Particulares de Guarulhos, Wilson Lourenço.
Há quanto tempo existe a AEG – Associação das Escolas Particulares de Guarulhos, e quantas escolas fazem parte?
A AEG completou 30 anos em 2022! Temos cerca de 40 escolas associadas.
Soubemos que houve uma reunião com o secretário de Educação da Prefeitura, Alex Viterale, sobre a questão da violência nas escolas. Qual a avaliação da AEG quanto ao resultado dessa reunião?
Foi uma reunião bem produtiva na qual o secretario Alex Viterale se apresentou para as escolas particulares de Guarulhos, contando sua experiência no poder público desde quando atuou na Secretaria da Assistência Social e agora na Educação. Recebeu algumas demandas das escolas referentes à sinalização viária, lombadas, mão de direção, pinturas, entre outras. Porém, o tema principal acabou sendo a segurança, sobre o qual anunciou as medidas tomadas pela Prefeitura e outras autoridades.
Qual é a orientação da AEG para os pais neste momento de medo?
A AEG é uma associação que debate os problemas comuns das instituições de ensino, buscando as melhores práticas em prol da Educação. Sempre que há um problema que envolve as escolas e a educação, procuramos orientar. O caso que estamos enfrentando agora é de segurança pública, com ameaças difundidas nas redes sociais. A orientação para os pais é que não divulguem informações não confirmadas nos grupos de Whatsapp ou redes sociais. Se necessário, os pais devem procurar sempre a escola para esclarecer questões de segurança dos alunos. Nossa sociedade hoje prefere divulgar postagens falsas ao invés de procurar a informação correta. É isso que está causando mais medo. A escola é um lugar seguro, onde os alunos têm acolhimento, amor e ensinamentos. As famílias devem confiar na escola em que matricularam seus filhos, pois os profissionais que ali estão certamente acreditam que com a boa educação é que iremos construir uma sociedade melhor. Se a mãe ou o pai duvidam disso, o que a criança vai pensar?
Acredita que suspender as aulas temporariamente é uma boa opção para as escolas?
Fechar escolas nunca é uma boa solução. Seria algo extremo diante de uma ameaça efetiva. Creio que a experiência da pandemia já provou isso. Parece-me que estamos vivendo hoje, em parte, consequências das escolas fechadas, em que os laços sociais se desgastaram ainda mais. As escolas particulares de Guarulhos irão funcionar normalmente.
Já se percebe queda no rendimento escolar dos alunos por conta da tensão gerada a partir dos recentes ataques a escolas?
Os professores e as equipes pedagógicas têm conversado bastante com os alunos. A força de uma mensagem do Tiktok não pode ser maior do que a orientação de uma professora, de um pai, de uma mãe. Se bem esclarecido o que está acontecendo de fato, os alunos retomam as atividades pedagógicas normais, sem prejuízo no rendimento. Os casos mais graves precisam ser observados com mais detalhes, sempre com o apoio e parceria das famílias.
Como as escolas podem reforçar a sua segurança em parceria com o poder público?
As escolas revisaram seus procedimentos e reforçaram algumas medidas de segurança. A parceria com as autoridades foi renovada e temos percebido uma atenção muito boa por parte das polícias Militar, Civil e a Guarda Municipal. Como em outros momentos, as escolas aprendem rápido com a crise e ajustam-se. Os últimos dias foram de muita pesquisa, estudos dos casos de outros países, reuniões com as autoridades e especialistas. Temos um acesso rápido, se necessário. Foi criado um Sistema de Alarme para pronta resposta pela Prefeitura e solicitamos que as Rondas Escolares também circulem pelas escolas particulares. É uma articulação de esforços em prol da segurança.
Caso haja alguma suspeita de ataque, seja em boatos que circulam presencialmente ou via grupos de conversas virtuais, qual é o caminho correto que pais e professores devem seguir para evitar episódios de violência?
Temos verificado a origem dessas mensagens e encaminhado para o canal do Ministério da Justiça. A polícia está investigando a origem para identificar os autores. Os pais devem estar atentos pois poderão ser responsabilizados pelas mensagens ou compartilhamentos de ameaças. Qualquer pessoa que tiver conhecimento de mensagens, conversas, atos que possam ameaçar outra pessoa deve comunicar às autoridades.

