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Agrotóxico matou 100 milhões de abelhas e pode estar provocando câncer em MT

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Reportagem do jornal “Estado de Minas” deste sábado, 22/7, revela que na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, que é a mais rica do agronegócio no país, a aplicação indevida do agrotóxico Fipronil por via áerea foi comprovada como a causa do extermínio de mais de cem milhões de abelhas, o que é gravíssimo para o perfeito funcionamento do ecossistema. O produto foi pulverizado por aviões agrícolas em uma fazenda de algodão em junho.

Segundo a vice-presidente da Associação de Apicultores e Meliponicultores do Vale do Teles Pires de Sorriso (Apis Vale), Clacir Signorini, o uso desse inseticida por via aérea é proibido. Um dia depois do despejo do agrotóxico, apicultores dos municípios de Sorriso, Sinop (MT) e Ipiranga do Norte (MT) registraram mortes instantâneas das abelhas em suas colmeias. Ao todo, 600 caixas, com cerca de 200 mil abelhas cada uma, foram contaminadas e perdidas pelos produtores, nesta época que é a principal para produção de mel. “Foi um verdadeiro extermínio por conta da grande quantidade. E sabíamos que era o resultado de veneno que passaram em uma fazenda próxima”, diz ela.

O Instituto Biológico do Estado de São Paulo analisou o material coletado e confirmou que as mortes de mais de cem milhões de abelhas ocorreram em razão do agrotóxico Fipronil, que tem em sua bula a proibição de uso por via aérea.

A investigação começou logo em seguida à denúncia pela Associação e não foi difícil identificar os responsáveis, pois em uma das 22 fazendas visitadas foram encontradas as embalagens do agrotóxico e resquícios do produto em um avião. O proprietário recebeu multa de R$ 225 mil, e o processo foi encaminhado para o Ministério Público de Mato Grosso, para investigação de crime ambiental, e para o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso, para apurar a conduta do engenheiro responsável pela autorização da aplicação do produto de forma ilegal. A reportagem do jornal “Estado de Minas” não conseguiu contato com o produtor rural multado. Fica disponível espaço no Click Guarulhos para a defesa, caso queira manifestar-se.

Segundo Filipe Cavalcante Farias, engenheiro agrônomo e fiscal estadual de defesa agropecuária e florestal do instituto, a fiscalização foi rápida, o que facilitou a identificação do responsável pela morte das abelhas. “Houve crime ambiental porque esse agrotóxico invadiu a cidade. Pessoas respiraram esse produto, que tem um grau altamente tóxico, conforme sua bula. Como o Indea não investiga crime ambiental, encaminhamos para as autoridades competentes”, explica o engenheiro.

A vice-presidente da associação de apicultores reforça que, além do impacto econômico, há também a preocupação constante com os impactos ambiental e de saúde pública na região, que é repleta de fazendas que utilizam agrotóxicos. “É preciso urgentemente criar políticas de controle do uso de agrotóxico nessa região, porque nossas crianças estão adoecendo. O número de jovens com câncer tem aumentado na nossa cidade. E as autoridades têm que intensificar as fiscalizações para evitar que uma tragédia maior, a médio e longo prazos, ocorra”, afirma.

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