O Click Guarulhos inicia neste domingo (18) a publicação de uma série de artigos, que serão postados a cada domingo, até dia 24 de março, relatando por que pessoas que viviam em boa condição, com profissão e sólida formação, acabam indo morar nas ruas das grandes cidades e como é esse cotidiano.
O autor, Alek Honse, é jornalista, pós-graduado, filósofo, conheceu 80 países, e, por circunstâncias que os artigos mostrarão, viu-se vivendo e perambulando pelo Centro da capital paulista. Tem sobrevivido vendendo livros de sua autoria e obteve uma vaga em um apartamento de uma pessoa amiga, desde que arque com o pagamento da taxa de condomínio. Quando ainda estava nas ruas, no Páteo do Colégio, teve sua barraca invadida há algumas semanas e lhe roubaram, além do notebook, exemplares de seus livros que ainda tinha para vender.
Ao final de cada artigo mencionaremos seu número de telefone e WhatsApp, que é também sua chave para recebimento de pix. Assim que obtiver valor suficiente, imprimirá mais livros e poderá vendê-los a quem interessar-se por sua obra e queira, dessa forma, ajudá-lo a reorganizar sua vida e a tocar o Projeto Invisíveis, com o qual procura auxiliar outras pessoas a deixar as ruas.
Da Quinta-Feira da Paixão ao Domingo de Páscoa, serão outros quatro artigos, um a cada dia. Nas redes sociais, comente, compartilhe. A essência da Quaresma é solidariedade.
Passagem só de ida
A primeira viagem ao País dos Invisíveis que fiz foi a lazer, quarenta anos atrás. Era um trabalho de faculdade e decidimos passar 30 dias com eles,vivendo suas experiências. Embora a realidade fosse dura, sabíamos que a passagem de volta estava comprada.
A segunda vez, foi uma viagem surpresa. A adorada esposa com sua filha amada (que eu tratava como filha) me trocou por outro e mandou-me para o País dos Invisíveis. Dessa vez foi doloroso, mas ao conhecer os habitantes de lá, via em seus olhos uma faísca de esperança e isso me contagiou. Eu tinha fé de que minha estada seria provisória. Conheci as histórias deles e as escrevi em quatro livros. Quando almas abnegadas me resgataram, os publiquei e montei o Projeto Invisíveis que resgata pessoas da invisibidade e lhes proporciona uma nova chance de terem sua dignidade de volta.
Agora é a terceira vez que venho para cá. Agora não vejo mais a esperança, não tenho mais a mesma fé. A velha marquise (assim como todo o centro) está tomada pelos oriundos da Cracolândia, o que aumenta em muito a insegurança.
A proibição da Prefeitura em montar barracas, deixa-nos mais expostos.
Velhos moradores, como o Sr. Sem Nome, Lucimara, o Doutor, com os quais compartilhei momentos únicos, desapareceram.
Hoje não é um dia bom. Temo que desta vez a viagem é só de ida. E, sinceramente, não tenho forças para suportar uma longa estadia. Seria bom se Deus me mostrasse logo o que quer que eu aprenda com isso.
Alek Honse
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