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Rio Grande do Sul já tem 722 abrigos temporários

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Segundo as informações oficiais da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) do Estado do Rio Grande do Sul, com base em informações das secretarias municipais de Assistência Social, há, na tarde deste domingo, 12/5, um total de 81.170 pessoas em 722 abrigos. Dos 497 municípios gaúchos, 446 foram afetados pelas fortes chuvas.

O número de abrigos e de desabrigados ainda pode flutuar, explicou o secretário de Desenvolvimento Social do RS, Beto Fantinel, à medida que algumas pessoas voltam para suas casas ou as deixam, conforme a passagem das águas. “Os abrigos funcionam conforme a demanda dos atingidos, que varia de forma constante”, explicou.

O estado ainda sofre com o mau tempo, e há previsão de novas chuvas fortes neste domingo. Em Porto Alegre, por exemplo, o nível do lago Guaíba voltou a subir, podendo voltar a superar os cinco metros, dois a mais da cota de inundação.

Estão sendo levantadas também as condições de infraestrutura e as demandas de materiais de cada abrigo. Participam do levantamento também o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; o Ministério da Saúde; a Defesa Civil nacional; a Defesa Civil do RS; e o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“O objetivo desse levantamento é identificar onde estão os abrigos, identificar as características básicas de sua infraestrutura, características básicas do perfil das pessoas desabrigadas e suas necessidades”, disse o secretário-adjunto da Sedes, Gustavo Saldanha.  

Segundo ele, com os números, o governo gaúcho “vai ter condições de fazer demandas mais específicas para o Ministério do Desenvolvimento Social, assim como auxiliar parceiros a disponibilizar recursos e doações para as características reais dos abrigos e das pessoas abrigadas”.

Entre as prioridades está a identificação das condições de acesso a água potável e a necessidade de medicamentos, itens de cozinha para o preparo de alimentos, cobertores e materiais de limpeza e higiene.

Numa primeira amostra, com dados de 96 abrigos, o governo estadual constatou que 47,92% desses locais possuem gestantes ou puérperas; 47,17% abrigam população indígena ou quilombola; e 43,75% possuem migrantes.

Dessa amostra de abrigos, 91,67% informaram que possuem banheiros funcionais em quantidade suficiente para abrigos emergenciais (1 para cada 25 pessoas); 78,12% informaram que possuem espaços específicos para lazer e convivência de crianças e adolescentes; 62,5% possuem cozinha e produção de alimentação no local (as demais recebem marmitas prontas).

Em meio à insegurança que tem assolado alguns abrigos, 58,33% da amostra já pesquisada disseram possuir equipes de segurança; 85,42% possuem equipes de saúde; e 83,33% possuem equipes de atendimento psicossocial atuando no local.

Até a última sexta-feira (9), somente via órgãos federais foram encaminhadas quase duas mil toneladas de doações aos desabrigados do RS, sem contar as doações enviadas por pessoas físicas e empresas.

De acordo com balanço mais recente do governo estadual, foram registradas até o momento 143 mortes causadas pelo mau tempo, com enchentes e enxurradas, no RS. Outras 125 pessoas estão desaparecidas, e 537.380 ficaram desalojadas.

Recursos liberados pelo governo federal

Emergencialmente, enquanto os municípios gaúchos não conseguem elaborar planos com definição dos valores necessários, o Ministério da Integração de Desenvolvimento Regional liberou valores, de acordo com a população de cada cidade.

  • R$ 200 mil para municípios com até 50 mil habitantes;
  • R$ 300 mil para municípios com população entre 50 mil e 100 mil;
  • R$ 500 mil para municípios com população acima de 100 mil.

O ministro Waldez Góes mexplicou que, em razão das inundações que persistem, muitas cidades ainda não têm dados consolidados sobre números de pessoas afetadas e dos valores necessários para socorro às vítimas. Por isso, o governo editou a portaria para liberar um primeiro repasse. “Basta o encaminhamento de um ofício”, disse o ministro, respondendo a questionamento público feito pelo prefeito de Farroupilha (RS). “Esse valor [R$ 300 mil] é só para o senhor usar agora, enquanto o senhor faz o plano de trabalho, prefeito”, diz Paulo Pimenta na gravação que o prefeito divulgou.

O governo informou que a Defesa Civil Nacional aprovou, até a manhã da sexta-feira (10), 87 planos que somam quase R$ 56 milhões em recursos. Outros 93 planos estão em avaliação.

Edição: Vinicius Lisboa/Agência Brasil

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