Começou o “Setembro Lilás: Mês de Conscientização da Doença de Alzheimer e outros tipos de demência”, campanha realizada mundialmente para diminuir o estigma que cerca a demência. Segundo o Ministério da Saúde (MS), a Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Dentre os sintomas mais comuns estão dificuldade na fala e no raciocínio, desorientação no tempo e no espaço, alterações de humor e de comportamento.
Entidades e organizações de saúde estimam que cerca de 50 milhões de pessoas vivam com a doença em todo o mundo, número que deve aumentar nos próximos anos, devido ao envelhecimento da população. Segundo o professor de Medicina da UniCesumar, Pedro Bregola, que atua na área de Psiquiatria, o Alzheimer é o tipo mais comum de demência, representando cerca de 70% dos casos diagnosticados. “Isso se deve ao fato de que as mudanças neurodegenerativas associadas a essa condição são mais prevalentes ou mais frequentemente identificadas do que outras formas de demência, como a demência vascular, por exemplo.”
De acordo com ele, o Brasil tem uma população envelhecendo rapidamente, e o risco de desenvolver Alzheimer aumenta com a idade. “Além disso, fatores como a falta de diagnóstico precoce, conhecimento limitado sobre a doença, e condições sociais e econômicas podem contribuir para esse elevado número de casos. Mais pessoas estão vivendo mais tempo, o que leva a um aumento na incidência de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer”, atenta o professor. A estimativa do MS é que, no Brasil, a condição afeta 1,2 milhão de pessoas e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano.
Estilo de vida
Hoje, já se sabe que o estilo de vida pode influenciar significativamente o risco de demência. Segundo ele, fatores como sedentário, dieta pobre, isolamento social, e abuso de substâncias estão associados a um aumento do risco. “Há evidências de que um estilo de vida saudável pode proteger a saúde cerebral.” Por outro lado, embora não haja uma forma garantida de prevenir o Alzheimer, de acordo com o professor, certos hábitos de vida podem reduzir o risco. “Estudos sugerem que manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, estar socialmente ativo, manter a mente ativa através de atividades intelectuais, e controlar doenças crônicas como diabetes e hipertensão podem ajudar a diminuir o risco de desenvolver a condição”.
Vida normal
Para o professor, muitas pessoas diagnosticadas com Alzheimer ou outras demências podem continuar a viver vidas satisfatórias e significativas, especialmente nas fases iniciais da doença. “O suporte da família, amigos e profissionais de saúde é crucial para ajudar os pacientes a se adaptarem às mudanças e manterem a qualidade de vida. Ter um plano de cuidados e estratégias de enfrentamento pode permitir que os indivíduos mantenham aspectos de sua rotina e sua autonomia por mais tempo.” Na Medicina, ele explica que mais pesquisas estão sendo realizadas para descobrir as causas, melhorar os diagnósticos, e desenvolver tratamentos. “O enfoque também está se expandindo para incluir o suporte ao paciente e familiares, o que é fundamental para o manejo da doença”, finaliza.

