O senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões concedidas pelo INSS. Foi deflagrada na quinta-feira, 18, pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União e a investigação chegou a pedir a prisão do senador, mas o ministro André Mendonça, do STF, apenas autorizou busca e apreensão. Rocha mostrou-se surpreso e disse estar à disposição para colaborar nas apurações. No relatório da PF Rocha é descrito como uma “liderança e sustentáculo” das atividades de Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, operador do esquema. Ele também é um dos senadores envolvidos em emendas do chamado orçamento secreto, operado entre 2020 a 2022 pelo Congresso.
Foi determinada também a prisão domiciliar de Adroaldo Portal, ligado ao senador Rocha. Ele era secretário-executivo do Ministério da Previdência, o segundo cargo mais importante da pasta, e foi exonerado logo da operação ser deflagrada. O ministro Wolney Queiroz disse que não tinha conhecimento do envolvimento de Adroaldo Portal “com qualquer ilícito”. Afirmou que os órgãos de controle têm total autonomia e que o governo “não protege ninguém”.
A PF identificou que a empresa RL Consultoria, de Roberta Moreira Luchsinger, que tem relações de amizade com Luiz Inácio Filho, o Lulinha, teria recebido cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, feitos por uma empresa de Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Em mensagens trocadas com seu contador, Antunes diz que um dos repasses teria como destino “o filho do rapaz”. Em uma conversa, ela busca tranquilizar o Careca do INSS sobre suspeitas de suposta sociedade entre ele e o filho de Lula: “Falavam que ele era sócio de frigorífico. Nunca foi nada além disso”. Conforme a investigação, os contratos firmados entre o Careca do INSS e Roberta Luchsinger fugiam das atividades da empresa do lobista. Sua defesa garante que ela nunca teve nada a ver com descontos do INSS e que o contrato com Antunes se refere a prestação de serviços na área de aprovação de medicamentos à base de canabidiol. Segundo a investigação, os dois formaram uma sociedade que tinha interesses em decisões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde.
A Polícia Federal aponta que a empresária, que é herdeira de um banqueiro, faria parte do “núcleo político” da organização criminosa. “Sua atuação se revela essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”, diz a decisão do ministro André Mendonça.
A decisão do ministro Mendonça não aponta nominalmente Lulinha, mas essa referência reforça os indícios de que ele estaria no foco das investigações. As suspeitas devem tornar-se uma arma na mão da oposição, que sempre relaciona o filho de Lula com irregularidades, até agora sem provas que pudessem levar a alguma condenação. Se algo mais concreto surgir nesse sentido, pode embaraçar os planos de Lula se reeleger.
Lula foi questionado sobre o assunto, durante café da manhã no Palácio do Planalto na quinta-feira. Ele defendeu a investigação de todos os envolvidos, inclusive do filho. “Todas as pessoas que estiverem envolvidas, diretamente ou não, elas vão ser investigadas pela Polícia Federal. Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, disse o presidente, afirmando que toda investigação a respeito dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões partiu de seu próprio governo e que os resultados só não apareceram antes porque a Controladoria preferiu aprofundar as apurações em vez de fazer pirotecnia.
Como o filho de Careca também foi preso na operação, cogita-se que o pai aceite fazer delação premiada. Ele tem dito a interlocutores que o “filho de rapaz ” não é Lulinha, sem esclarecer, entretanto, de qual outra autoridade o personagem que receberia a mesada de R$ 300 mil é filho.
Segundo o advogado Marco Aurélio Camargo, que já representou o filho do presidente em casos anteriores, Lulinha está sendo vítima de “vilanias, suposições e ilações” infundadas e que ele buscará reparação por danos causados à sua imagem com a tentativa de envolver seu nome no caso. Garantiu que Lulinha não é alvo do inquérito que apura as fraudes no INSS.

