O acervo do Jornal Olho Vivo, que circulou de 1981 a 2007 e de seu sucessor, Diário de Guarulhos, editado até 2016, foi doado no sábado, dia 17/1, pelo jornalista Alexandre Polesi ao Arquivo Histórico Municipal, situado no andar do estacionamento do Centro de Educação Adamastor, na avenida Monteiro Lobato, 734, Macedo.
As tratativas entre o empresário e a Prefeitura foram desenvolvidas pelo fundador do jornal, Valdir Carleto, contando com a presteza do servidor efetivo e atual chefe de Seção do Arquivo Histórico, Paulinho Trewasae, o qual enalteceu a contribuição da diretora Fábia Costa, no sentido de viabilizar o espaço e as condições para que, em breve, a coleção possa vir a ser consultada pela população.
São dezenas de volumes encadernados, que contemplam os períodos em que o jornal começou a circular mensalmente, no Parque Cecap, e nos quais foi crescendo, atingindo outros bairros da cidade e aumentando a periodicidade para quinzenal, semanal, bissemanal e trissemanal.
Em 2005, Carleto trouxe para Guarulhos como sócio o experiente jornalista e empresário Alexandre Polesi, que, além de ter atuado no jornal que tinha seu pai, Fausto Polesi, como um dos fundadores, havia trabalhado na Folha de S.Paulo e em outras publicações. Em 2007, o Olho Vivo passou a ser editado como Diário de Guarulhos. Em 2009, Carleto deixou a sociedade e constituiu a Carleto Editorial, por meio da qual manteve a RG – Revista Guarulhos e lançou, ainda naquele ano, junto com o filho Fábio Carleto, a revista semanal Weekend. Em 2015, Valdir Carleto deu início ao portal Click Guarulhos, buscando manter na internet a mesma linha editorial independente que consagrou o Olho Vivo.
Ao ceder o acervo, Polesi (ao centro na foto abaixo) disse estar satisfeito em permitir que a população de Guarulhos tem acesso à coleção dos periódicos que marcaram época e que, de certa forma, ajudam a perpetuar a história da cidade.


Efetuando a entrega ao Arquivo Histórico, Carleto e Paulinho deram início a uma triagem no conteúdo das caixas, com o que contribuiu a servidora Sandra Maria, que agora está se dedicando, junto com Paulinho, na organização do acervo. O Arquivo já conta com a coleção de décadas da Folha Metropolitana, período em que pertenceu à família Thomeu. Tem também a coleção completa da RG Revista Guarulhos e da Weekend. Indagado como se sente vendo décadas de seu trabalho no Jornalismo local agora disponível para a população, Valdir Carleto respondeu que resumiria na palavra “resgate”: “É como trazer à tona o trabalho que foi desenvolvido por dezenas de profissionais. Chegamos a ter mais de 70 funcionários; jovens que puderam desenvolver-se na área, conquistar experiência e galgar novas funções, ao mesmo tempo em que, indiscutivelmente, o jornal contribuiu para o desenvolvimento do comércio local, do ramo imobiliário, da gastronomia e muitas outras áreas”, afirmou.






Parte dos exemplares da fase Diário de Guarulhos não foi encadernada

Cupins danificaram parte da coleção
Infelizmente, nem todo o acervo do Olho Vivo poderá fazer parte do Arquivo Histórico: 16 volumes encadernados, referente aos período de 1999 a 2002, foram danificados, assim como três volumes do Diário de Guarulhos, de 2010. Alguns foram atingidos por uma enchente em um antigo depósito; muitos outros foram corroídos por cupins, o que impede que sejam colocados junto aos demais, sob o risco de afetar outas coleções do Arquivo Histórico.
A situação em que se encontram impede até que sejam digitalizados, o que deve acontecer, a médio e longo prazos com os volumes que foram aceitos pelo Arquivo Histórico Municipal. “É um objetivo nosso que todos os acervos venham a ser digitalizados, para ampliar o alcance à população e perenizar todo o material que temos aqui”, disse Paulinho Trewazae. Para isso, entretanto, a Seção irá depender de aprovação de um projeto em editais de fomento.
Os volumes que estão sem condições de ir para o Arquivo Histórico precisarão ser descartados. Veja nas imagens:











Coleção mostra coerência editorial:
porta-voz da população, com críticas a todos os prefeitos
A entrega da coleção do Jornal Olho Vivo ao Arquivo Histórico terá um efeito colateral, que é demonstrar à opinião pública e setores mais jovens que o periódico conquistou a simpatia da população guarulhense e o apoio do comércio local graças à linha editorial de total independência, quaisquer que fossem os partidos políticos que estivessem no poder.
“Entendo o Jornalismo como missão. Só deve abraçar esta profissão aqueles que estejam dispostos a servir de porta-voz da população. As autoridades sempre encontram formas de se fazer ouvir pelo povo, usando de todos os recursos legais – e muitas vezes até ilegais – para mostrar seus feitos e propagar como suas até realizações que pegaram praticamente prontas. A população, entretanto, só tem a Imprensa para mostrar suas reivindicações, apresentar queixas e fazer sugestões. Cada munícipe conhece melhor as necessidades de seu bairro do que um vereador, um secretário municipal ou uma autoridade qualquer. Os políticos inteligentes aprendem a ver as críticas como ferramentas para aprimorar seu trabalho, enquanto os medíocres as vêm como ofensas. O papel de imprensa é imune; não tem incidência de impostos. Então, se não tiver utilidade pública, não tem utilidade nenhuma. A coleção do Olho Vivo, ao longo de 28 anos sob minha direção, mostra coerência editorial: qualquer que fosse o prefeito, a linha de conduta sempre se manteve, ouvindo o povo e publicando, e, quando possível, ouvindo o que o outro lado tinha a dizer“, desabafa Valdir Carleto.
Ele complementa citando que o jornal cresceu e sobreviveu, porque contou com o apoio do pequeno comércio da cidade e prestadores de serviços, bem como graças ao sucesso dos anúncios classificados. “Pulverizando o faturamento, o Olho Vivo nunca ficou dependendo do poder público, nem de grandes anunciantes; nunca teve padrinhos na política. Ao criar dependência, um veículo de comunicação vira refém e perde liberdade”, explicou. Citou uma nota publicada na coluna Diz-que-diz, sempre uma das mais lidas do jornal, na qual relata que o mestre de cerimônias, evitando citar o Olho Vivo, embora fosse o único veículo presente, agradeceu genericamente “à presença da Imprensa”; e explicou “ao pé do ouvido”, que omitiu com medo de perder o cargo que ocupava. “Mostrou que entende de seu ofício e conhece a Prefeitura onde trabalha”, constou na nota publicada com o título “Nome perigoso”.

A galeria de imagens é prova dessa coerência.
Acompanhe e tire suas próprias conclusões:

































