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IR 2026: A duas semanas do prazo final, 18,4 milhões ainda não declararam

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Com o prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 se encerrando no próximo dia 29 de maio, milhões de brasileiros ainda não acertaram as contas com o Leão. Dados da Receita Federal atualizados até às 8h24 desta segunda-feira (18/5) mostram que 25.690.584 declarações foram enviadas até o momento, número que representa pouco mais da metade da expectativa de aproximadamente 44 milhões de declarações previstas para este ano.

Isso significa que mais de 18 milhões de contribuintes ainda precisam enviar a declaração nos próximos dias. O cenário acende um alerta, pois deixar a entrega para a última hora pode resultar em erros, omissões e, principalmente, na perda de oportunidades legais para pagar menos imposto ou aumentar o valor da restituição”, alerta Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade.

Segundo os números mais recentes da Receita Federal, 65,3% das declarações entregues até agora têm valores a restituir, enquanto 19,6% resultaram em imposto a pagar e 15,1% ficaram sem imposto devido. Os dados também mostram um forte avanço no uso de recursos tecnológicos: 59,6% dos contribuintes utilizaram a declaração pré-preenchida e 55,4% optaram pelo modelo simplificado.

Além disso, 9,1% das declarações enviadas já são retificadoras, evidenciando que muitos contribuintes identificam erros ou esquecimentos após o primeiro envio. Do total já entregue, 43,3% foram apresentadas por mulheres, a média de idade dos declarantes é de 47 anos, 24.237 correspondem a declarações finais de espólio e 28.211 referem-se a contribuintes que comunicaram saída definitiva do país.

Entre as principais dúvidas dos contribuintes estão quem pode ser incluído como dependente, quais despesas podem ser abatidas e quem está obrigado a declarar. Segundo Richard Domingos, ainda há tempo para organizar a documentação e realizar simulações que podem reduzir a carga tributária.

Quem deixa a declaração para os últimos dias costuma perder qualidade no preenchimento. Muitas vezes o contribuinte deixa de incluir despesas dedutíveis, escolhe o modelo incorreto ou não avalia corretamente a inclusão de dependentes. Tudo isso pode impactar diretamente no valor do imposto a pagar ou da restituição”, afirma.

Malha fina dispara em 2026 e reforça urgência na entrega antecipada

Além do risco de multa por atraso, um outro fator torna ainda mais importante antecipar o envio da declaração: o aumento expressivo das retenções em malha fina. Somente por divergências de informações, um número muito alto de contribuintes já tiveram suas declarações retidas pela Receita Federal neste início de temporada.

O cenário indica que 2026 tende a ser um dos anos mais rigorosos da fiscalização.

Quem entrega antes ganha tempo para corrigir eventuais problemas. Esse é um ponto estratégico neste ano, em que o número de retenções já começa elevado”, explica Richard Domingos.

O principal fator por trás desse aumento está na mudança do modelo de envio de informações ao Fisco, com o fim da DIRF. Agora, os dados são transmitidos ao longo do ano por diferentes sistemas, como eSocial e EFD-Reinf.

Antes havia uma base única. Hoje, as informações são fragmentadas e enviadas em momentos diferentes. Isso aumenta significativamente o risco de divergências”, afirma Domingos.

Segundo ele, muitos casos de malha fina não estão ligados a erro do contribuinte, mas sim à inconsistência na origem dos dados.

Estamos vendo situações em que a empresa informa um valor ao Fisco e outro no informe de rendimentos. Quando o contribuinte declara com base nesse documento, o sistema identifica a diferença e retém automaticamente”, explica.

Um dos pontos mais críticos deste ano é que o contribuinte pode ser impactado mesmo tendo preenchido corretamente a declaração.

Esse é um cenário novo. A pessoa pode cair na malha fina por divergência entre bases de dados. Por isso, a conferência precisa ser ainda mais criteriosa”, alerta Domingos.

Erros mais comuns continuam liderando retenções

Apesar da mudança estrutural, os erros tradicionais seguem sendo os principais responsáveis pelas retenções. Entre os mais frequentes estão:

  • Omissão de rendimentos, inclusive de dependentes
  • Erros ou falta de comprovação em despesas médicas
  • Divergências no imposto retido na fonte
  • Informações inconsistentes sobre aluguel
  • Inclusão indevida de dependentes
  • Falhas na declaração de investimentos e operações em bolsa

Esses dados são facilmente cruzados pela Receita com informações de empresas, bancos, planos de saúde e outras instituições.

Outro ponto de atenção em 2026 é o uso da declaração pré-preenchida, que já representa 59,9% dos envios. “A pré-preenchida agiliza, mas não elimina riscos. Como os dados vêm de diferentes fontes, qualquer erro será importado automaticamente. Confiar sem revisar pode aumentar as chances de cair na malha fina”, destaca Domingos.

Quem deve declarar em 2026

Pelas regras atualizadas do IR 2026 (ano-base 2025), está obrigado a declarar quem:

  • Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00
  • Recebeu rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil
  • Obteve ganho de capital na venda de bens
  • Realizou operações em bolsa acima de R$ 40 mil ou com lucro tributável
  • Teve receita bruta rural superior a R$ 177.920,00
  • Possuía bens superiores a R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025
  • Tornou-se residente no Brasil em 2025
  • Possui rendimentos ou investimentos no exterior, entre outras situações

Entregar agora ou esperar?

A decisão sobre o melhor momento para enviar a declaração depende do perfil do contribuinte, mas em 2026 há um novo fator relevante: o risco de retenção.

Quem entrega antes não só pode receber a restituição mais rápido, como também ganha tempo para corrigir inconsistências caso caia na malha fina”, explica Domingos.

Riscos de deixar para a última hora

  • Congestionamento no sistema da Receita
  • Falta de documentos importantes
  • Maior chance de erros
  • Menor tempo para corrigir pendências
  • Multa mínima de R$ 165,74 por atraso

Com mais de 18 milhões de declarações ainda pendentes e um cenário de fiscalização mais rigoroso, especialistas reforçam que antecipação e conferência são fundamentais.

Em um ambiente com cruzamento de dados cada vez mais sofisticado, pequenos erros fazem diferença. O contribuinte precisa revisar, comparar informações e acompanhar o processamento após o envio”, conclui Richard Domingos.

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