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Junho Vermelho: entre bandeirinhas e torcida pela Copa, uma doação pode salvar até quatro vidas

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Junho costuma ser lembrado pelas festas juninas, pelas ruas decoradas com bandeirinhas e, neste ano, também pela expectativa em torno da Copa do Mundo. Mas, em meio às comemorações e encontros, o mês também carrega uma importante mobilização de saúde pública: o Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a doação de sangue.

A iniciativa busca chamar a atenção para a necessidade constante de doadores, especialmente nesta época do ano, quando os estoques dos hemocentros costumam registrar queda. O período de temperaturas mais baixas favorece o aumento de doenças respiratórias, enquanto as férias e feriados prolongados reduzem a presença de doadores regulares, criando um cenário de atenção para os bancos de sangue. 

Segundo o Ministério da Saúde, apenas cerca de 1,8% da população brasileira doa sangue regularmente. Embora o percentual esteja dentro dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas alertam que a manutenção dos estoques depende da participação contínua da população ao longo de todo o ano. 

Para a hematologista e professora de Medicina da Universidade São Judas / Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, Gabriela de Luca, a doação de sangue é um dos gestos mais simples e, ao mesmo tempo, mais impactantes que uma pessoa pode realizar.  

“A doação de sangue é um ato de solidariedade que tem impacto direto na preservação da vida. Diferentemente de muitos medicamentos ou tratamentos, o sangue não pode ser produzido artificialmente. Dependemos exclusivamente da generosidade dos doadores para atender milhares de pacientes todos os dias. Por isso, cada doação faz diferença e pode representar a chance de recuperação para várias pessoas”, explica. 

Um ponto importante na ação é que uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue coletado é separado em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas e plasma, utilizados em tratamentos diversos. O material é essencial para pacientes submetidos a cirurgias, vítimas de acidentes, pessoas em tratamento contra o câncer, portadores de doenças hematológicas e pacientes que necessitam de transfusões frequentes. 

A especialista destaca que existe uma preocupação constante dos serviços de hemoterapia com a reposição dos estoques, principalmente durante períodos de maior demanda. 

“Os bancos de sangue trabalham diariamente para manter níveis seguros de abastecimento, mas existem momentos do ano em que essa tarefa se torna mais desafiadora. O inverno, os feriados prolongados e as férias costumam reduzir significativamente o número de doadores. Ao mesmo tempo, a necessidade de transfusões continua existindo. Por isso, campanhas como o Junho Vermelho são fundamentais para conscientizar a população e estimular a doação regular”, afirma. 

Apesar da importância do ato, muitas pessoas ainda deixam de doar por falta de informação ou por receios relacionados ao procedimento. Segundo Gabriela, a doação é segura, rápida e realizada sob rígidos protocolos sanitários. 

“Todo o processo é cuidadosamente monitorado. O material utilizado é descartável e de uso único, eliminando qualquer risco de contaminação para o doador. Além disso, antes da coleta, o voluntário passa por uma avaliação clínica que garante sua segurança e a qualidade do sangue que será destinado aos pacientes”, ressalta. 

A médica também reforça que a doação não deve ser vista como uma ação pontual, realizada apenas em momentos de emergência ou campanhas específicas. 

“O ideal é que a doação se torne um hábito. Os estoques precisam ser abastecidos continuamente porque as transfusões acontecem todos os dias. Quando uma pessoa doa regularmente, ela contribui para que o sistema tenha mais estabilidade e consiga atender com segurança aqueles que dependem desse recurso para sobreviver”, completa. 

Quem não pode doar temporariamente? 

Existem algumas situações que impedem a doação de sangue por um período determinado. Entre elas estão: 

  • Estar gripado, resfriado ou com febre, sendo necessário aguardar sete dias após o desaparecimento dos sintomas; 
  • Gestação e período de amamentação, até que o bebê complete um ano de idade; 
  • Pós-parto, sendo necessário aguardar 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana; 
  • Ingestão de bebida alcoólica nas últimas 12 horas; 
  • Realização de tatuagens, micropigmentação ou colocação de piercings nos últimos seis meses; 
  • Cirurgias e extrações dentárias recentes, que serão avaliadas durante a triagem clínica; 
  • Transfusão de sangue realizada nos últimos 12 meses; 
  • Diagnóstico recente ou recuperação de infecções como a Covid-19, sendo necessário aguardar o prazo estabelecido pelos protocolos de triagem dos hemocentros antes da doação. 

Neste Junho Vermelho, a campanha reforça uma mensagem simples: enquanto muitas pessoas celebram, milhares de pacientes seguem aguardando transfusões que dependem exclusivamente da solidariedade de quem escolhe doar. Um gesto que leva poucos minutos pode representar uma nova oportunidade de vida para quem mais precisa. 

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