Internautas relataram ao Click Guarulhos que golpes têm sido aplicados a pessoas que portam cartões de crédito ou de débito “contactless”(ao pé da letra, “sem contato”), tecnologia que permite a utilização por aproximação, sem ter de pôr o cartão na máquina do estabelecimento ou do entregador.
Esses cartões contém o símbolo de quatro curvas que indica a comunicação sem fio. Eles têm uma vantagem importante durante a pandemia, pois com eles evita-se o contato com as máquinas e o risco de contaminação.
Porém, muitas operadoras permitem que não seja necessário colocar a senha em operações de até R$ 50, o que é outra vantagem em tempos de pandemia, pois evita o contato da mão com o teclado da máquina.
Aproveitando dessa possibilidade, golpistas valem-se da distração dos portadores e levam com eles uma máquina escondida, já comandada com um valor abaixo de R$ 50. Chegam o mais perto possível da bolsa de uma mulher ou do bolso de um homem, na fila do caixa. Com a máquina previamente programada com uma compra de valor inferior, conseguiriam apropriar-se indevidamente do valor. Casos como esses teriam ocorrido com muita gente durante o carnaval.
Uma internauta relatou ao Click que, ao ouvir falar do golpe, não deu muita importância porque diante da necessidade de senha achou que não teria como isso ocorrer. Porém, ficou surpresa ao fazer uma compra e, com o cartão ainda em suas mãos e sem precisar digitar senha, a transação foi concluída. Tivemos outros testemunhos de pessoas que se surpreenderam ao não ter de digitar senha ao efetuar compras e ficaram preocupadas com a possibilidade de sofrer golpes. Uma seguidora do Click afirmou que irá pedir ao banco para inibir a funcionalidade sem contato, pois toma todos os cuidados de higienização. “Assim que passo o cartão, eu higienizo com álcool gel e guardo. E após digitar a senha, higienizo as mãos também”, afirmou.
Especialista recomenda usar cartão sem contato
Pesquisamos na internet e encontramos a análise do especialista Emerson Alecrim, do site Tecnoblog, acerca de um alerta do Procon-SP sobre esses golpes. Ele considera que, entre prós e contras, é mais vantagem usar o cartão por aproximação do que com contato. “Adianto que não existe tecnologia 100% segura — quem é da área de TI sabe bem disso. Por outro lado, cartões contactless estão longe de ser vilões. Você já vai entender o porquê”, afirma.
Alecrim explica como o sistema funciona: “O cartão precisa ser equipado com um chip de comunicação sem fio. Via de regra, a tecnologia usada para isso é o NFC (Near Field Communication). É fácil identificar cartões do tipo porque eles trazem um símbolo com quatro ondas que sugere justamente transmissão sem fio. Ao contrário de tecnologias como Bluetooth e Wi-Fi, o NFC foi desenvolvido para permitir a comunicação entre dois dispositivos (e não mais do que isso) que estejam fisicamente muito próximos um do outro. Muito próximos mesmo: a distância máxima não passa de 10 cm, mas normalmente esse limite fica entre 2 cm e 4 cm”.
Ele enumera como vantagens do cartão sem contato:
1. o risco de desgaste ou danos ao cartão é menor;
2. durante uma transação, o cartão fica o tempo todo em posse do usuário, diminuindo as chances de um vendedor mal-intencionado trocá-lo por outro para cometer fraude;
3. é possível usar o cartão em máquinas que não têm slot para inserção, como validadores de transporte público (o Metrô do Rio de Janeiro é um exemplo de serviço que permite pagamento de tarifa com cartão contactless);
4. dependendo das circunstâncias, o pagamento é mais rápido com cartão contactless; não precisa esperar o caixa dizer “pode tirar o cartão”.
Precauções que devem ser tomadas
No blog consta que, geralmente, a dispensa de senha acontece em operações de até R$ 50. E há bancos – como o Bradesco – que não dispensam a senha, independentemente do valor. Ainda assim, convém tomar algumas precauções:
Nos comentários do blog, internauta cliente do Nubank aconselha deixar o saldo zerado e manter na Reserva o saldo que tiver disponível, transferindo-o ao necessitar.
Outro sugere manter juntos na carteira dois cartões por aproximação, pois assim impede que a máquina do golpista os acesse.
Um terceiro recomenda o uso de carteira com material RFID, que inibe a transmissão do sinal sem que o usuário deseje. Essas carteiras são comuns em países onde está mais difundido o uso dos cartões contactless, mas já são encontradas no Brasil, a preços a partir de R$ 100.
Como é nos Estados Unidos
O Click Guarulhos entrou em contato com um seguidor guarulhense que fixou residência na Flórida, Estados Unidos. Quem já esteve em Orlando sabe que nos parques, há muitos anos, já não era necessário colocar senha nas compras de lanches, por exemplo.
Ele informa que atualmente é muito raro quem tenha cartões por contato: a grande maioria usa esses por aproximação ou aplicativos de pagamentos instalados nos celulares. Aproxima-se o celular da máquina e não há necessidade de usar o cartão físico plástico).
Quanto à necessidade de senhas, diz que são sempre exigidas nas operações com cartão de débito, independentemente do valor. Quanto aos cartões de crédito, são dispensadas para transações inferiores a 30 dólares. Não sabe definir se esse é o limite de todas as operadoras.
Ele não tem notícia da ocorrência de golpes com o uso de cartões contactless na Flórida. Nos parques da Disney, que estão para ser reabertos, as compras nos quiosques funcionam atualmente com pulseiras, cujos valores são previamente creditados.
Dá para inibir a funcionalidade?
Entramos em contato com a operadora de cartões Porto Seguro. Fomos informados que a senha é dispensada para compras de até R$ 50 e que, se houver transações seguidas, o sistema as bloqueia. Ainda não existe comando para inibir a funcionalidade sem fio. O atendente recomenda que os usuários utilizem a função que envia mensagens a cada transação. Se houver algo estranho, o ideal é contatar a Porto relatando a ocorrência, pela Central 11 4004-3600.
Já no aplicativo do Nubank, há nas configurações a alternativa para inibir a funcionalidade por aproximação.
Enviamos pedido de informações às Assessorias de Imprensa do Mastercard e do Visa, sobre quais operadoras dispõem de uma forma para inibir a funcionalidade. Chegando as respostas, serão publicadas.

