InícioLITERATURACANTINHO LITERÁRIOPesquisador guarulhense relaciona a independência do Brasil à dos EUA

Pesquisador guarulhense relaciona a independência do Brasil à dos EUA

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O professor e escritor guarulhense André Figueiredo Rodrigues especializou-se, desde o início dos anos 2000, em pesquisar fatos, documentos e evidências relacionados à Conjuração Mineira e sua influência para a Independência do Brasil.

André é membro efetivo da Academia Guarulhense de Letras e, no âmbito de suas pesquisas, acabou por concluir que não terá sido por acaso que a saga de Tiradentes ocorreu pouco após a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Reportagem de Nathan Sampaio, no site da Unesp, universidade na qual André Figueiredo Rodrigues é docente, em Assis-SP, descreve didaticamente como se dá a ilação entre os dois acontecimentos históricos.

https://jornal.unesp.br/2026/01/15/historiador-da-unesp-mapeia-contatos-e-influencias-entre-o-movimento-de-independencia-dos-eua-e-a-inconfidencia-mineira/

A Declaração de Independência dos Estados Unidos foi assinada em 4 de julho de 1776, na cidade de Filadélfia, na costa leste da América do Norte. Embora a vitória ainda demorasse a ser realidade, a tradição política dos EUA celebra o 4 de julho como referencial para comemorar o nascimento do país.

O mote para a postagem do site da Unesp foi o lançamento do livro A Independência dos Estados Unidos e a Conjuração Mineira – Aspirações políticas e libertárias nas Minas Gerais do final do século XVIII, lançado em 2025 por André Figueiredo Rodrigues, sendo o quinto livro que o historiador dedica à Inconfidência Mineira. A obra foi editada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP – Universidade de São Paulo.

Nathan revela que a nova obra reúne uma série de evidências históricas, como cartas, documentos e estudos de outros historiadores, para mostrar que a influência dos independentistas do norte ultrapassou o plano conceitual ou ideológico, e envolveu até um contato direto entre os dois grupos com um pedido de apoio político e institucional para uma eventual vitória por parte dos inconfidentes.

“Até recentemente, a maior parte dos historiadores pensava que os processos independentistas na América Espanhola tinham sido os primeiros a tomar os Estados Unidos por modelo. Mas isso ocorreu já nos anos 1800. Foi para os participantes da Inconfidência Mineira, ainda no século 18, que a Revolução Americana começou a aparecer, pela primeira vez, como exemplo a ser seguido por outros revolucionários nas Américas”, diz o historiador ao site da Unesp. “Essa é uma perspectiva totalmente inovadora, em termos da pesquisa histórica”, explica.

André reforça que a Revolução Americana veio a somar-se ao ideário iluminista como inspiração para os inconfidentes. “As discussões sobre a Revolução Americana chegaram ao território mineiro por volta de 1781. Há relatos de que o cônego Luís Vieira da Silva, um dos mais importantes letrados da capitania de Minas Gerais, já comentava os acontecimentos da América Setentrional”, diz Rodrigues. Esses relatos foram reforçados com a chegada, em 1787, de dois exemplares da Coleção das Leis Constitutivas dos Estados Unidos da América. A obra reunia a Declaração de Independência e as leis instituídas após a separação. “O livro gestava a ideia de que era possível romper com os laços coloniais”, destaca o historiador.

Por fim, o professor e acadêmico guarulhense informa que esse documento foi tido como uma inspiração de emancipação contra a metrópole e um método de como organizar e instaurar um governo republicano, nos moldes do que as treze colônias fizeram. “Os Estados Unidos servem de exemplo porque fazem uma declaração de independência que deixa claros todos os abusos da metrópole e os motivos que levaram ao rompimento do processo de exploração imposto pela Inglaterra”, explica o docente.

Segundo ele, mesmo escritos majoritariamente em inglês ou francês, os documentos foram traduzidos e difundidos entre os inconfidentes. Muitas pessoas sabiam citar trechos desses textos de cor, conheciam a cronologia e os argumentos, porque, antes de tudo, eles representavam uma crítica profunda ao sistema colonial. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, teve papel central nesse processo de tradução e difusão das ideias revolucionárias. “Esse contato direto com a população foi o que fez Tiradentes se tornar um grande revolucionário”, conclui o pesquisador.

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