Brasil perde R$ 200 bi/ano com a corrupção, afirma estudioso

Segundo o advogado Antenor Batista, autor do livro “Corrupção: O 5° Poder”, resultado de 50 anos de pesquisa, existem mais de 100 espécies de corrupção. Para ele, “a corrupção queira ou não, é uma referência internacional, idem em relação à violência, avareza e racismo. São fenômenos tão antigos quanto à humanidade. Quem de nós já não fez algo de corrupto?”, pergunta.

O autor avalia que o homem é violento, avaro, estúpido, corrupto, ruim, mentiroso, compulsivo, inteligente, bom ou benigno. Daí, a propensão para a fraude ou para bem. “As pessoas raramente mostram o jeito que são de verdade, e esses elementos, ainda que passíveis de se manifestar em qualquer um de nós, para o bem ou para o mal, já que o mal e o bem, a exemplo da desgraça e da felicidade andam juntos, ora esbarramos num, ora esbarramos noutro, dependendo das circunstâncias”, informa Batista.

Dessa forma, de acordo com o autor de “Corrupção: O 5° Poder”, o maior responsável pela corrupção no Brasil e no mundo é a sociedade complacente ou sem compromisso com a ética. “O combate à praga da corrupção, em geral, cinge-se aos seus efeitos periféricos, sem atingir suas causas mais profundas”, analisa. Em contraponto, Antenor Batista acredita que está crescendo a aversão à corrupção. “Desde a formação escolar, o que é promissor, no aperfeiçoamento das instituições em geral, políticas públicas inclusive, considerando que o ser humano é sensível aos reflexos condicionados e aos bons ensinamentos”.

Para ele, o Estado é o principal responsável pela corrupção e pela violência que, na sua opinião,  são irmãs siamesas, cabendo-lhe punir os corruptos e os violentos, exemplarmente. Para o autor, está mais que provado que a impunidade incentiva o crime organizado e a má política, “que acolhe a alcateia de políticos corruptos à espreita de propina, clientelismo, tráfico de influência, máfias, contrabando, de minérios inclusive, com realce ao tráfico internacional de nióbio, barganhado por remessas de armamento clandestino. Enfim, infiltrações do crime organizado em todas as instituições que integram o Estado e as filantrópicas também”.

Ele sentencia: “relacionamos 100 espécies de corrupção, mas esperamos que o Brasil saia dessa vala comum de malfeitos, apesar da descrença generalizada, em virtude da propensão para a fraude fazer parte do DNA do ser humano. Mas, se o Estado e a família constituírem sólida base educacional, teremos chance das pessoas se politizarem em prol de uma sociedade menos corrupta e menos violenta”.

Segundo Antenor Batista, o acesso aos movimentos anticorrupção: passeatas, minisséries na televisão, Capitão Nascimento, entrevistas, palestras, aumento da participação política dos cidadãos, Lei da Ficha Limpa, Lei de Acesso à Informação, educação de boa qualidade, dentre outros, podem ajudar e muito no combate a essa praga. “Sabemos que aqui no Brasil e no mundo, a Justiça é o principal óbice à corrupção, em todas as suas formas e disfarces, daí a vigilância e eficácia do Estado, particularmente em relação ao seu poder de polícia”, indica.

Os menos corruptos

Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia estão entre os países menos corruptos do mundo, segundo estudo da ONG Transparência Internacional, mas nem sempre foram assim. A virada aconteceu com a perseguição implacável aos corruptos. Para o autor do livro “Corrupção: O 5° Poder”, isso se deve principalmente, à cultura de honestidade, as regras claras e ao esforço público para criar um sistema de informações eficiente. Além disso, nesses países existe uma vigilância intensiva contra corrupção.

“Essa pandemia ou peste e os terríveis males e injustiças, que causa nas comunidades em geral, estão sendo combatidos com fortes antídotos, com a participação dos respectivos cidadãos e cidadãs. Portanto, no futuro, esperamos ter uma sociedade melhor e menos corrupta, que não esconda suas mazelas. Uma aragem nesse sentido está andando pelo mundo e está chegando ao Brasil. Se o Lula e o Eduardo Cunha estão se esvaindo, politicamente falando, a corrupção e seus malfeitos também podem se esvair. A Operação Lava Jato, sob o comando do juiz Sérgio Fernando Moro, é um exemplo…”, festeja o autor.