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Dia de tensão em Brasília. Por enquanto, Moro fica, mas quer indicar novo diretor da PF

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Um dia de idas e vindas e desmentidos. Foi assim esta quinta-feira, 23/4, em Brasília (DF). Há tempos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem cogitando trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, nomeado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Em agosto de 2019, essa intenção quase provocou a saída de Moro da equipe do governo. Bolsonaro foi desaconselhado pelo general Augusto Nunes, porque o ministro tem a simpatia de boa parte da ala militar, por ver nele um símbolo da luta contra a corrupção e, de certa forma, contra o petismo.

Coincidência ou não, a nova investida do presidente contra Valeixo acontece quando o Ministério Público do Rio de Janeiro obteve da Justiça a determinação para manter investigação do caso das “rachadinhas”, prática que consiste em repartir o salário dos funcionários comissionados com os políticos que os nomeiam, e que pesaria contra o então deputado Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Coincidência ou não, a nova investida contra Valeixo surge num momento em que o presidente Bolsonaro vem buscando atrair para a base de sustentação do governo parlamentares de partidos que têm integrantes investigados pela Operação Lava-Jato. É importante para o governo isolar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) e, para isso, precisará contemplar os deputados com cargos em órgãos públicos e estatais e atender a outras reivindicações. Interessa a muitos parlamentares tirar o diretor da PF, porque são alvo de investigações.

Um nome cogitado para o lugar de Valeixo é o do delegado Alexandre Ramagen, que é o diretor atual da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Depois que o UOL, portal da Folha de S.Paulo, noticiou nesta quinta-feira, que, diante de pretensão do presidente de trocar o diretor-geral da PF, Sergio Moro teria pedido demissão, a assessoria do Ministério divulgou nota negando a informação.

Outros ministros, inclusive os militares, buscam convencer Moro a permanecer no Ministério. Uma saída honrosa seria que ele pudesse escolher o substituto de Valeixo, que já declarou não ter apego ao cargo.

Fica aí um novo impasse: se Moro capitular e ficar, aceitando o nome que Bolsonaro impuser, demonstrará fraqueza diante da opinião pública. Se Bolsonaro aceitar que Moro indique o substituto, dará mostra de que precisa do ministro, cuja popularidade o desagrada.

A sexta-feira promete. A não ser que os ministros militares convençam Bolsonaro a deixar tudo como está para evitar maior desgaste.

Se não bastasse o imbróglio referente à pasta da Justiça, ainda teve o desastrado anúncio, ontem, pelo ministro da Cidadania, Onix Lorenzoni, de antecipação do pagamento da segunda parcela do Auxílio Emergencial, hoje negado por Bolsonaro, que afirmou que Onix fez a promessa sem consultá-lo.

Se não bastasse, há também o desencontro entre o Plano Pró-Brasil, anunciado ontem pelo ministro Braga Neto, com o que a equipe do Ministério da Economia discorda.

Por hoje, basta.

Valdir Carleto

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