‘Árvores’, de Clarice Lima, questiona o desejo de permanência

Performance Árvores, de Clarice Lima, foi apresentada no Centro de Convivência do Sesc - Foto: Alexandre de Paulo

Uma intervenção artística bastante curiosa chamou a atenção do público do Sesc Guarulhos neste domingo, 13. Trata-se da performance “Árvores”, da artista Clarice Lima, na qual um grupo de artistas, paramentados com longos vestidos, plantam bananeira e ficam nessa posição até o limite das forças do corpo. Com os troncos, braços e rostos ocultos pela vestimentas, os performers expõem as pernas esticadas, representando troncos de árvores, com as copas (vestidos) voltadas para baixo.

Segundo Clarice, “trata-se de um exercício do desejo de permanência, invertendo o espaço e questionando o tempo. Até quando o corpo aguenta? O trabalho surge como desejo de enraizamento na cidade, onde pessoas vestidas com o mesmo figurino habitam em espaços de passagens”.

A ideia da artista é provocar questionamentos quanto a transitoriedade do corpo no tempo e no espaço urbano.

“Ali contrapõem-se ao fluxo de movimento, permanecem de cabeça pra baixo até o corpo não aguentar mais e cair. A proposta de realizar a performance Árvores em diferentes cidades pretende ampliar a discussão sobre a permanência, ao possibilitar que os artistas locais deixem rastros, não só na paisagem urbana da cidade, mas também nos seus próprios corpos. Árvores interroga as maneiras possíveis para o corpo resistir, continuar, seguir em potência”, explica a artista.