Recentemente Eduardo Spohr lançou o aguardado livro “Paraíso Perdido”, o terceiro que compõe a trilogia “Filhos do Éden” e antecede “A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo”. Ao todo, suas obras venderam mais de 700 mil exemplares. Com muita simpatia, Spohr atendeu ao pedido do Click para uma entrevista exclusiva sobre o livro e sua carreira.

Eduardo Spohr é um escritor que podemos considerar de sucesso, suas narrativas dos anjos apocalípticos com personagens bíblicos conhecidos como o Arcanjo Miguel e o próprio Lúcifer ou de criações apreciadas pelos leitores, como Ablon, são alguns dos elementos positivos que levaram Spohr a ser reconhecido como um representante brasileiro da literatura fantástica. “O sucesso sempre vem como consequência. A gente não pode esperar pelo sucesso, temos que fazer o trabalho da melhor maneira possível; tentar escrever o melhor livro que você possa escrever. Até hoje eu não penso no sucesso, e sim em trabalhar e entregar o livro quando achar com esteja o melhor. Fazendo isso, o resto é consequência. Não podemos ser movidos pelo sucesso. Eu tento fazer o melhor que eu posso”, relata o escritor.

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A grande maioria dos que sonham um dia se tornar um escritor deseja saber a rotina que deve adotar. O processo de escrita de Eduardo é primeiro montar o roteiro. O planejamento é útil por causa de possíveis bloqueios imaginário; quando isso acontece, ele sabe o que vai acontecer e como isso vai se dar. Escrever é a profissão de Eduardo e, por isso, ele usa o horário comercial para se dedicar aos livros. “Não existe receita. A única receita é sentar em frente ao seu computador ou máquina e trabalhar; escrever. É claro que a primeira vez não vai ficar boa, mas você vai melhorar. Não tem outro jeito, é escrever. Parece até um pouco frustrante, as pessoas esperam uma fórmula mágica, mas não tem. É escrever. ”

O tempo para terminar um livro é relativo. “Eu até hoje não consegui terminar um livro com menos de um ano; existem outros que conseguem escrever em meses. Para mim, demora um pouco, porque faço revisões, pesquisas…”.

98a6af114ab380380a8b358229a2a046_400x400As inspirações

Todo escritor antes foi e é um leitor voraz. Por isso, entre professores e colegas jornalistas, o escritor tem Anne Rice (Entrevista com Vampiro). H.P. Lovecraft (Contos de terror), Stephen King (Carrie a Estranha, O Ilumiando, À Espera de um Milagre), Bernard Cornwell (As Crônicas de Arthur) Neil Gaiman (Sandman, Deus Americanos) e muitos outros como fontes de inspiração. “Se eu fosse citar, ficaria até amanhã falando”, brinca Eduardo, que deixa claro que não vem só de livros suas ideias.

“Não só no campo da literatura podemos tirar inspirações para criação das obras: cinema, quadrinhos, desenhos japoneses, tudo pode ajudar na composição da obra. Muitos autores da nova geração escrevem como se estivessem assistindo a um filme, anime, etc. Cenas curtas. Não é só o meu caso. Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo, me inspirou bastante nessa parte visual das batalhas, principalmente em Paraíso Perdido, que aponta mais para a mitologia”.

A narrativa

Um dos pontos cruciais do livro e determinantes para prender a atenção do leitor é a narração. “É difícil definir isso ou aquilo porque cada autor tem o seu estilo. O que um usa de tempero o outro não usa; por exemplo, uns são mais contemplativos, outros descritivos e isso que é o legal. Tolkien é descritivo, eu gosto; outros já não gostam.  O importante é que cada um encontre o seu próprio estilo e seguir adiante nele. Escreva o que está no seu coração e acredite”.

IMG_1194O que falta no Brasil para a literatura crescer

A literatura brasileira que já teve seus tempos áureos, quando Machado de Assis, Bernardo Guimarães, Jose de Alencar e tantos outros criavam seus clássicos que marcavam a passagem das escolas literárias no Brasil; agora, o país, sofre com dificuldades de valorização dos nossos escritores tanto pela falta de público, quanto pelo estímulo cultural do povo. “O que falta ter é leitores. Agora é só esperar o tempo passar. A literatura está crescendo, graças à internet, pois é um meio que você pode divulgar qualquer livro. Hoje em dia qualquer leitor é um resenhista em potencial, coisa que antes só os grandes meios de comunicação faziam. Você entra no Google e encontra, pelo menos, 15 resenhas de cada livro. O Brasil precisa resolver um problema da educação. Temos analfabetos funcionais. ”

A literatura fantástica no Brasil

“O Brasil sempre teve interesse para a literatura fantástica, mas em certo momento as editoras não apostaram tanto nisso, porque o leitor tinha a necessidade, mas não sabia disso. O brasileiro sempre foi muito interessado nisso, por exemplo, Monteiro Lobato que é um clássico fantástico. Essa geração vem tendo interesse maior pela literatura fantástica, graças a obras como Harry Potter, Senhor dos Anéis e etc. Agora temos essa preocupação das editoras em trazer mais títulos do gênero.”

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O último livro que compõe a trilogia que antecede a renomada Batalha do Apocalipse é Paraíso Perdido que já está disponível nas principais lojas do país. “Nesse último livro, o foco maior é a mitologia. Herdeiros de Atlântico é mais filosófico, o segundo, Anjos da Morte, é um livro profundamente histórico. Em Paraíso Perdido você vai conhecer além da mitologia cristã, a nórdica e a grega.”

Quando questionado sobre os personagens que fizeram sucesso em seu primeiro livro, Eduardo tranquiliza. “Em Paraíso Perdido os personagens conhecidos de A Batalha do Apocalipse irão aparecer, pois o caminho está sendo preparado para o início do livro”.

Cinema

“É o sonho de qualquer escritor que sua obra seja emprestada para públicos maiores. Espero que aconteça antes de eu morrer, mas por enquanto é vago. A ideia é que ele não seja apenas uma ilustras, mas traga informações extras para a galera que quer saber mais. Quem está ilustrando é o André Ramos, o responsável pelas ilustrações da edição de a Batalha do Apocalipse.”

Sobre os direitos de A Batalha do Apocalipse ter sido vendida para o cinema, Eduardo esclarece. “Foi uma brincadeira de um blog que acabou viralizando”.

Dicas

Quando as dicas para escrever, o escritor deixa claro: “Escrever. Não tem outra dica. Se ficar ruim, escreve de novo. Não tem receita, nem palavra mágica que vai mudar a vida. O segredo é trabalhar.”

Novas obras

Para o natal de 2016, Eduardo pretendo lançar um guia ilustrado com cenários, mapas, personagens e informações extras da série de anjos. O desenho ficará por conta de Andrés Ramos, responsável pela ilustração nas páginas finais de A Batalha do Apocalipse, edição de colecionador.

Sobre novas obras, Eduardo ainda não sabe o que será depois do guia, se continuará com as histórias fantásticas sobre anjos ou navegará por algum novo gênero. “Quando eu terminar o guia, penso nisso. Prefiro trabalhar com os projetos que estou fazendo na hora. Eu tenho vontade de escrever sobre absolutamente tudo! Esse é um problema”.

Críticas

A crítica faz parte de alguém que resolve expor seus pensamentos, suas obras, e até a sua vida para um determinado público. Eduardo Spohr sabe bem separar o joio do trigo, ou seja, aquilo que vai fazê-lo crescer e descartar o inconveniente. “Obviamente você vai ter um trabalho que vai ser exposto e vai ter gente que vai gostar e gente que não vai gostar. A pior coisa que existe é achar que pode agradar todo mundo, quando você pensa assim, acaba não agradando ninguém. A crítica construtiva você pensa e pesa, mas quando é destrutiva a gente descarta. Quando a pessoa chega e fala: esse ator é horroroso e até xinga, está claro que não é o problema do trabalho exposto, mas da pessoa que critica.”

“Quando a crítica é construtiva ela vem de vários lugares ao mesmo tempo. Por exemplo, no Batalha do Apocalipse muitas pessoas criticaram os diálogos, e não veio só da internet, mas de amigos. Então com humildade a gente repensa e vai melhorando”, finaliza.