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Certa vez, a escritora norte-americana Emily Dickinson disse: “Se eu puder aliviar o sofrimento de uma vida, ou se conseguir ajudar um passarinho que está fraco a encontrar o ninho… A vida terá valido a pena”. Ajudar pessoas não é uma tarefa simples. Entregar um pouco do seu tempo, energia, habilidades e até dinheiro a uma pessoa com quem você não tem nenhum vínculo não é fácil. Mas, imagine saber que uma pessoa que pensava em suicídio mudou o pensamento após uma conversa com alguém disposto a doar-se para ajudar, mesmo sem sequer tê-la visto uma única vez! A alegria em ver o resultado não se explica.
Por vezes, procuramos o cuidado exterior para atingir a satisfação do nosso eu (leia-se ego). Cuidar da pele, cabelos, perder alguns quilinhos e ganhar dinheiro nem sempre é tudo: pode não ser o suficiente para a prosperidade da felicidade e paz interior. A diferença está no começar de dentro para fora, o caminho totalmente inverso ao mundo. “Quando alguém se voluntaria a prestar determinado trabalho, é porque ele o fará da melhor maneira possível, pois a única recompensa que ele espera é a própria realização da atividade. O voluntário, além de ter em sua atividade uma realização pessoal, a satisfação em se perceber útil para as pessoas que buscam ajuda e a experiência de entregar algo de si, sem esperar retribuição, é algo recompensador”, explica a voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV) Adriana Rizzo.
Muitas pessoas encontram nesses grupos de apoio aquilo que procuravam há anos – não bens materiais, tampouco a beleza exterior, mas o glamour da alma, do coração; elas encontram razões para sua vida. “O voluntariado é importante para a sociedade e para o próprio voluntário. É uma forma de haver serviços essenciais a diferentes perfis e segmentos da população nos quais há um espaço não preenchido por outras instituições”.
Agora, da mesma forma, se você está do ‘outro lado da linha’, buscar ajuda através do CVV, por exemplo, pode ser um bom escape. De acordo com Adriana, o voluntário se coloca completamente disponível para a outra pessoa e não faz qualquer juízo de valores ou oferece conselhos. Com isso, quem está precisando conversar encontra um conforto e a liberdade de se expressar livremente, sem ser recriminado. Ao fazer isso, normalmente, a pessoa alivia essa pressão interna e passa a enxergar as situações com outros olhos, com mais clareza, conseguindo encontrar seus próprios caminhos e motivações. “Quando a pessoa não consegue dividir o que acontece com ela com mais ninguém, o CVV pode ajudá-la a resgatar seus valores, ao fazer com que a pessoa se sinta acolhida, compreendida”, finaliza Adriana.

CVV

O Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo em 1962, é uma entidade filantrópica, reconhecida como Utilidade Pública Federal, que presta serviços voluntários de apoio e prevenção do suicídio, em total sigilo. O CVV realiza mais de mil atendimentos anuais e está distribuído em 18 distritos do território nacional. Os contatos são feitos pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 72 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br via chat, VoIP (Skype) e e-mail gratuitamente.

Seja um voluntário

Todo aquele que tiver mais de 18 anos de idade, com pelo menos quatro horas disponíveis por semana, pode se candidatar ao Programa de Apoio Emocional do CVV. Antes de participar, será necessário um curso. Acesse o site www.cvv.org.br/seja-voluntario-cadastro.php e saiba mais.

Em Guarulhos

A cidade tem uma unidade do Centro de Valorização da Vida, que fica na rua Otávio Nunes da Silva, 66, vila Moreira. Quem preferir pode usar o telefone 2440-4111 ou 141 – caso deseje algum atendimento.
Há, também, a Central do Voluntariado de Guarulhos (CVG): um programa da Prefeitura, coordenado pelo Fundo Social de Solidariedade, no qual pessoas que desejam ser voluntárias podem cadastrar-se para serem indicadas a instituições que procuram voluntariados.

A religião

Longe de se aprofundar em qualquer uma das crenças que permeiam a humanidade, fato é que quando se está perdido, em busca dos valores pessoais e do autoconhecimento, muitos encontram-se na religião.
As religiões são diversas, cada uma com suas características; mas todas estão em busca da verdade absoluta do Universo, da idealização do seu espiritual. Todas possuem grupos destinados para ajudar aqueles que querem resgatar-se. Não são poucos os relatos dos que frequentam algum tipo de crença que passaram por momentos de transformações e realizações na vida, onde aprenderam a lidar com seus defeitos e exaltar suas qualidades.
Mas, não é só através do espiritual que é possível resgatar-se. Atividades promovidas entre os grupos, religiosos ou não, são bons meios de se chegar a esse fim. Através da prática das ações sociais, por exemplo, as pessoas que estão perdidas percebem que ao se doar para determinada crença, elas se sentirão bem.

 

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