Mais um episódio do ‘diálogo’ entre artistas e a Secretaria de Cultura de Guarulhos

Contagem dos votos

Na semana passada, no dia 13, conforme definido no Chamamento Público realizado no último dia 30, foi realizada a votação do GT (Grupo de Trabalho), que tem como atribuição organizar a Conferência Municipal, assim como promover fóruns setoriais de Cultura de Guarulhos.

Desta vez não teve dinâmica, música ou luz no palco. Mas, segundo alguns artistas presentes, teve ilegitimidade, já que a votação não foi decretada e teria de ser organizada pelo próprio Conselho de Cultura, que teve mandato encerrado em maio passado.

O porta-voz da noite foi Darlan Cavalcanti, que informou como a votação funcionaria: cada pessoa só poderia votar em um candidato ao GT, independente do segmento. Os membros da sociedade civil teriam um minuto e meio para se apresentarem e os dez mais votados seriam eleitos. Quanto aos cinco membros do poder público, serão indicados pelo vice-prefeito e secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Alexandre Zeitune, que mais uma vez não compareceu.

Antes dos candidatos se apresentarem, o diretor da pasta, Tiago Ortaet, subiu ao palco e anunciou o calendário para reuniões com as dez linguagens de Cultura. Nesse momento, alguns artistas começaram a levantar as seguintes questões: “Por que o calendário já estava definido se isso é papel da comissão?” e “Qual a legitimidade dessa comissão, se a lei diz que quem tem de organizar a Conferência é o Conselho Municipal de Cultura?”.

Sobre o calendário, Darlan respondeu que não tinha relação com o GT, mas que se tratava de reuniões setoriais com o diretor de Cultura, que a ocasião foi aproveitada para divulgá-lo, já que muitos artistas e fazedores de cultura estavam reunidos. Já sobre a ilegitimidade levantada, nada foi explicado. “Nós não estamos elegendo aqui nesse momento os delegados, nós estamos elegendo apenas os membros da comissão”, afirmou Ortaet.

Calendário de reuniões setoriais apresentado pelo diretor de Cultura:

  • Teatro – 16|02, às 19h
  • Música – 17|02, às 19h
  • Dança 23|02, às 19h
  • Artesanato 24|02, às 19h
  • Patrimônio Histórico, 9|03, às 19h
  • Cultura Popular 10|03, às 19h
  • Literatura 16|03, às 19h
  • Hip Hop 17|03, às 19h
  • Audiovisual 23|03, às 19h
  • Artes Visuais 24 |03, às 19h

Enquanto um coro perguntava “Cadê o secretário?”, o secretário-adjunto Adalmir Abreu assumiu o microfone e tentou abafar os questionamentos levantados com o seguinte discurso:

“Boa noite a todos os meus amigos presentes. Estamos abrindo aqui mais um dos trabalhos. Uma forma democrática. Eu quero aqui, deixar bem claro a todos vocês, que estão aqui presentes. Será uma forma democrática e com muita transparência. Eu estou responsável pela pasta (…) E como foi dito aqui pelo Darlan, nós vamos começar os trabalhos aqui. Por favor, pessoal. (…) E deixar aberto pra vocês que estão aqui reunidos que eu estou dialogando com as linguagens. (…) Eu estou à disposição de vocês. (…) O trabalho está sendo feito com muita responsabilidade. (…) Alias, faz parte mandar um recado para vocês, com muito respeito a todas as linguagens que estão aqui, com muita responsabilidade e muita transparência. O governo Guti, nesses 30, 40 dias de trabalho, em todos os segmentos, em todas as pastas, está discutindo com muita propriedade e numa forma democrática com todos vocês, e na Cultura não está sendo diferente. Eu estou agindo com muita responsabilidade com vocês, agindo com responsabilidade, respeitando todas as linguagens. Eu nunca faltei com respeito com ninguém. Eu falei com mais de 100 segmentos, mais de 100 linguagens artísticas e nunca faltei com respeito com nenhum segmento do município de Guarulhos. Aliás, você minha amiga, as portas estão escancaradas da Cultura pra você. Pode ir tomar um café comigo, receberei você com todo o respeito como eu recebi muitos de vocês na secretaria da Cultura. Vamos avançar, gente. O governo está trabalhando com  responsabilidade e deixando bem claro que os espaços públicos estão sendo abertos. Está sendo colocado à disposição de todas as linguagens. Respeitando todos vocês. Agradecemos muito a colaboração de todos vocês. Vamos pensar em unidade pra sairmos desse lamaçal que ficou. Temos de olhar para frente. Agradeço a todos vocês que têm uma visão progressista, uma visão de um futuro melhor para o município de Guarulhos. Todos os artistas do município de Guarulhos serão respeitados. Esse governo está respeitando e agindo com responsabilidade. É isso a fórmula, um novo formato de fazer política com responsabilidade é dialogando com todos os segmentos, e isso está sendo feito. Então, aqui nesse momento, quero agradecer do fundo do coração a todos vocês que estão acreditando no novo modelo, novo modelo transparente e democrático. Então vamos começar os trabalhos. Em um mês já está sendo feito o trabalho com multa responsabilidade com vocês. Então vamos lá. A comissão já esta sendo feita. Com todo o respeito a vocês, e nós respeitamos muito a oposição. Vamos avançar, gente. Não dá pra ficar do jeito que está. (…) Se tem um governo que está agindo, se tem um secretário que tá tendo muita responsabilidade, está aqui essa pessoa olhando nos olhos de cada um de vocês. Vamos avançar, vamos avançar…”, disse Adalmir enquanto algumas pessoas o chamavam de demagogo e outras o aplaudiam. *”(…)” Foi usado no texto para ilustrar as falas não compreendidas do secretário-adjunto, devido às manifestações contrárias e a favor.

Na sequência, deu-se início às falas dos 22 candidatos ao GT. Uma delas foi sobre o diálogo proposto pela gestão de Guti:

“Boa noite a todos. Meu nome é Alexandre. Eu faço parte do audiovisual. Queria antes de entrar na fala mesmo, falar que nós estamos lutando neste momento, porque o segundo andar do prédio da Getúlio Vargas, que foi prometido para ser o pólo do Audiovisual, está sendo retirado e entregue para a TV Câmara.  Com isso, não só o Audiovisual perde, mas toda a cultura, já que o Audiovisual é uma arte que dialoga com diversas linguagens. Eu queria falar aqui também, fazer o uso do microfone e de todo o sistema de som do Adamastor, porque é fácil quando você está nessa posição, dizer que quem está na plenária grita, faz bagunça e é oposição, mas essa é uma crítica ao senhor Adalmir, que subiu aqui pra fazer um discurso como se estivesse ainda em época de campanha. Eu apoio o que essas pessoas disseram, pois é de suma importância o que elas estão questionando, se o que estamos fazendo é legal ou não. Se aquilo que estamos fazendo, daqui a alguns meses terá validade, ou seja, se poderá ser colocado em prática. Esse é um debate fundamental e que foi ignorado aqui. Enquanto as pessoas falavam você tomou a palavra e começou a encaminhar. Isso não é um diálogo. Quando alguém do poder público, seja fazendo atribuição do microfone, e pior, nas atribuições que tem no dia a dia, rompe esse pacto de diálogo entre a sociedade e o governo, não é possível ter diálogo. E fica a pergunta, será que é assim também o diálogo com o Maurício Matar? Eu acho que se a gente já começa assim, não é possível ter diálogo. Inclusive, nós não queremos apenas ter diálogo. Nós queremos dialogar e queremos que esse diálogo seja efetivo”, afirmou Alexandre Leão, um dos eleitos para o GT.

Os dez membros do Grupo de Trabalho e o secretário-adjunto Adalmir Abreu

Além do Alexandre (Audiovisual), também foram eleitos: Lenon Caldas (Hip Hop), Marcelo Mendonça (Música), Roberto Gomes Canegori (Samba, Cultura Popular), Hermano Madazio (Reggae), Rute Barbosa (Produção Cultural), Antônio Carlos Silva (Artesanato), Maria Conceição da Silva (Artesanato), Carlos José Fernandes Neto (Samba, Cultura Popular) e Edílio Alves de Oliveira (Samba, Cultura Popular).

Nota-se que não houve representatividade de todos os segmentos. O teatro, por exemplo, não teve representante indicado para o GT, por não concordar com a votação, já que teve quem pegasse mais de um papel para a votar, o qual também foi questionado por não conter número de série.

Abaixo o momento de maior legitimação da noite:

Cacique Paulo em apresentação com outros índios, após  reivindicar a situação indígena na cidade

Até a data de publicação deste texto, não recebemos nenhum release da Secretaria de Cultura sobre a votação ou sobre as reuniões que estão acontecendo com o secretario-adjunto e os diversos segmentos. No entanto, o próprio Adalmir tem postado fotos em seu perfil no Facebook com os artistas e fazedores de Cultura que tem recebido na Secretaria.

Pedimos a quem tem participado das reuniões, que enviem e-mail para o redacao@carletoeditorial.com.br informando sobre os encontros para que possamos continuar acompanhando.