O rádio de antigamente e sua influência em várias gerações

Dia Internacional do Rádio, 13 de fevereiro

Artigo de José Paulo Ferrari, psicólogo

Dia 13 de fevereiro, segundo estabelecido pela Unesco, é o Dia Internacional do Rádio! Para nós, que no meio do século passado alimentávamos nossas almas ao som dessa maravilhosa invenção, há muito que festejar e, principalmente, agradecer. Pois sem ele – certamente – não seríamos quem somos, já que lá pelos idos dos anos 50 e início dos 60, em nossas humildes casas, no interior do Estado, era nosso elo com o mundo. Era através dele que vivíamos nossa realidade – já que nos trazia as informações do que ocorria em locais distantes – e também nossas fantasias, uma vez que magicamente sabia conduzir nossos sonhos e nutrir nossas ilusões!

O rádio – aquele então aparelhinho mágico, aos olhos dos meninos caipiras, que chegou junto com a luz elétrica lá no interior – era responsável, diariamente, por nossas alegrias e nossas tristezas…! Era ele quem nos dava sonhos, nutria nossas expectativas e alimentava nossas esperanças no amanhã. Foi ele o principal responsável – creio eu – em fazer nossas gerações ávidas do buscar, do conhecer… Foi ele quem plantou em nossas mentes as primeiras sementes da curiosidade que floresceram em nossas pobres almas os anseios de saber!

Para mim, em particular, ele foi o responsável pela escolha da primeira profissão de verdade, já que foi pelo seu alto-falante que ouvi, quando varria o chão do escritório em que trabalhava, a propaganda de uma escola de desenho artístico e publicitário, cujo curso fui logo fazer lá na Capital e que promoveu, digamos assim, minha emancipação.

Berço de nossa primeira cultura, ele soube com sabedoria e alegria alimentar, também, o romantismo em nossas almas simples, de jovens sonhadores, através das eternas canções e inesquecíveis novelas, que reuniam diariamente, quase em comunhão, famílias inteiras ao seu redor.

Para a maioria das pessoas simples do interior, ele era quase sagrado, instrumento abençoado no qual somente os pais colocavam as mãos. Era lá, naquelas casas de chão de terra batida e telhados com frestas que deixavam ver as estrelas e seus brilhos em noites de luar, que nossa imaginação ia longe buscar terras e sonhos.

Em sua maioria, esses instrumentos mágicos tinham apenas dois simples botões: um para ligar, aumentar o som e desligar e outro para deslizar pelas poucas estações, cujas sintonias dependiam, quase sempre, de uma extensa antena externa, feita de qualquer fio de arame esticado por dois pedaços de paus que, geralmente, se estendia sobre todo o telhado, a partir da cozinha, passando pelo quarto e quintal.

Quantos meninos, como eu, lá no interior, adormeceram embalados pelos doces sons das sublimes canções, imortalizadas pelas belas vozes de Vicente Celestino, Emilinha Barbosa, Dolores Duran ou Nelson Gonçalves junto com Ângela Maria, Cauby Peixoto e tantos outros internacionais, como Nat King Cole, Frank Sinatra, além daqueles que só cantavam modinhas caipiras como Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana e outras duplas, que ainda cantam nos palcos de nossas lembranças e nos reportam a sons imortais, que constituem as colunas basilares de nossas inspirações.

Gratidão aos seus sublimes sons, de notícias, informações, novelas, canções ou mesmo propagandas, como aquela do elixir que era utilizado pelo elegante e faceiro senhor sentado no ônibus ou das pastilhas Valda e das ceras Poliflor e, ainda, da Loção Brilhante ou cobertores Paraíba, que povoam as nossas imaginações.