InícioCANAISTECNOLOGIAAfinal, as urnas eletrônicas são realmente seguras? 

Afinal, as urnas eletrônicas são realmente seguras? 

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Quando milhões de brasileiros foram às ruas protestar pelo fim da corrupção em março deste ano, um assunto era constantemente comentado: as eleições presidenciais foram fraudadas? Que o Brasil é um pioneiro mundial na implementação do voto eletrônico, muitos sabem, mas quão seguro é esse método?

O processo de votação começa com um simples ato: apertar os botões e confirmar o voto. Porém, para isso, existe todo um sistema por trás. A começar pela própria urna, que possui memória flash – que armazena o sistema e os aplicativos, pen drive, módulo impressor e dois terminais – um do mesário e o outro do eleitor. Com esses componentes, é possível montar a máquina responsável pela democracia no país.

Os votos registrados são armazenados em um pen drive interno da urna. Os dados gravados nele são criptografados e o sistema não possui nenhum tipo de conexão remota para garantir a privacidade do eleitor. Ou seja: a urna registra se o eleitor já votou ou não sem identificar qual foi o voto. Justamente por isso, depois de todo o processo, o pen drive é lacrado na presença de mesários, representantes dos partidos e policiais e enviado para o TSE realizar a contagem de votos.

Para garantir que a urna esteja 100% limpa no início das votações, ela emite um relatório inicial confirmando que não existia nenhum voto anteriormente, chamado de Zerésima – que fica com o mesário responsável pela seção.  Após o término das eleições, a máquina emite o “boletim de urna” com as informações sobre os votos totais daquela urna. Esse boletim fica disponível posteriormente na internet e qualquer um pode acessar.

Problemas

No entanto, segundo Ricardo Coutinho, analista de segurança da PSafe, as urnas eletrônicas são sim suscetíveis a invasões. Apesar de não utilizarem conexão remota, existem falhas na sua segurança que podem comprometer o funcionamento de uma eleição. Uma delas é a sabotagem do próprio eleitor, através do desenvolvimento de um malware, capaz de realizar alterações através de um pen drive inserido durante o ato de votar.

Desde 2012, o Supremo Tribunal Eleitoral não realiza mais testes públicos de segurança, sendo feita somente por pessoas autorizadas pelo órgão. Segundo o TSE, esses testes provaram que o sistema é à prova de invasão, mas em tentativas independentes nos EUA, Holanda, Paraguai e Índia todas as vezes os hackers obtiveram sucesso.

Outro episódio que chamou a atenção sobre a questão de segurança das urnas envolve a advogada Maria Aparecida Cortiz e o hacker Gabriel Gaspar. No ano passado, sabendo que o TSE não iria abrir testes públicos novamente, ela utilizou sua filiação ao PDT para ter o direito de testar o sistema e procurar por falhas de segurança. A advogada alega que conseguiu encontrar duas brechas com a ajuda do hacker, uma relacionada à programação e outra à transmissão de dados.

A repercussão foi praticamente ignorada pelo Tribunal, segundo a advogada, já que a sua petição sobre o caso foi arquivada e ficou perdida na burocracia.

Possíveis soluções

O analista de segurança da PSafe afirma que muitos especialistas lutam há anos para que o TSE implante um sistema que imprima o voto do eleitor. Isso seria uma forma de confirmar a escolha da pessoa em caso de recontagem, mas sofre resistência justamente por quebrar o sigilo de voto da pessoa – já que existiria um comprovante físico de qual candidato ela escolheu.

Compartilhe

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADEspot_img
Redes Sociais
32,279SeguidoresCurtir
11,922SeguidoresSeguir
1,308InscritosInscrever

Últimas Publicações

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE