Fotos: Divulgação
 

Por Amauri Eugênio Jr.

Falar em câncer de mama e em retirada da glândula mamária é algo desagradável ao extremo. Mas, na mesma proporção, é fundamental falar a respeito. Vamos aos fatos: segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), vinculado ao Ministério da Saúde, estima-se que houve 57.120 casos de câncer de mama. Para se ter ideia, esse dado equivale a 56,1 casos entre 100 mil pessoas.
Por causa da grande incidência de casos de mulheres com câncer de mama, ou até mesmo com histórico familiar, muitas optam pela mastectomia, ou seja, a retirada da glândula mamária, para erradicar o câncer. Isso tornou-se ainda mais intenso após a atriz Angelina Jolie ter feito, em 2013, a extração profilática das duas mamas, ou seja, em caráter preventivo. À época, a atriz contou que médicos estimaram que ela tinha 87% de risco de desenvolver câncer de mama. Contudo, é necessário pensar no seguinte: o caso da atriz foi pontual e, sendo assim, não deve ser usado como padrão. Pelo contrário. “Sempre que se estiver diante de uma paciente com câncer de mama, procura-se fazer um procedimento de menor porte, cirurgicamente falando, para ela ser tratada em vez de ser mutilada”, explica Sérgio Masili, mastologista do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo).

Situações diferentes

Quando se trata de mastectomia, entende-se que possa ser a extração total ou parcial. Mas não é bem assim. No caso, o processo consiste na retirada da glândula mamária – ou seja, de toda a mama. “O termo ‘mastectomia parcial’ não é correto. É possível dividir as cirurgias mamárias entre conservadoras e radicais, sendo que as conservadoras preservam parte da mama”, pontua Masili.

E a faixa etária?

A maior incidência de câncer de mama acontece após os 50 anos e, por consequência, a mastectomia – ou cirurgia mamária conservadora, quando for o caso – acontece com maior frequência nessa mesma faixa etária.youbangarmgudlange0125

Fator tempo

A recuperação está condicionada à proporção da cirurgia, podendo levar de duas semanas a dois meses, de acordo com o caso. Vale ressaltar que o objetivo é ser o menos “invasivo” possível, de modo que a paciente retome as atividades cotidianas rapidamente. Ou seja, fazer um procedimento oncologicamente seguro, no que diz respeito à extração do tumor, para possibilitar a readaptação breve da mulher à vida que ela levava antes.

Quando é necessária?

Pode-se dizer que a mastectomia só é recomendada quando não há a menor possibilidade de se conservar a mama, mesmo parcialmente. Ou seja, os casos em que pode ser feita são quando o tumor é de grandes proporções, quando o câncer foi descoberto de modo tardio; quando é pequeno, mas com pontos diversos na mama, o que impossibilita a cirurgia para retirada parcial; e quando não chega a ser grande, mas a glândula mamária é muito pequena. Além disso, outro caso diz respeito a fatores estéticos, quando se opta pela retirada radical para reconstruí-la posteriormente.
Contudo, hoje vem sendo adotada outra modalidade, que é a mastectomia poupadora da pele, na qual é feita a retirada da parte interna da mama, e a pele, como o próprio nome sugere, é poupada. “Hoje, o princípio de toda cirurgia mamária é retirar o que está afetado. Se a pele não estiver afetada, não tem por que tirá-la”, destaca Masili.

Pós-cirúrgico

Quando se fala em uma paciente com estilo de vida saudável, as chances de haver complicações por causa da cirurgia são inferiores a 5%. Mas é bom ressaltar que esse percentual está condicionado ao tamanho do tumor quando foi detectado. “A cirurgia pode ter corrido muito bem, mas se o tumor tiver sido detectado em fase avançada, pode progredir para outros órgãos. Por isso, é importante enfatizar que o diagnóstico precoce evita, na maior parte dos casos, a mastectomia”, comenta o mastologista do Icesp.
Por fim, há quem pense que, por ter sido feita a extração do tumor, as chances de haver reincidência do câncer são menores. Mas é o contrário nesse caso. Ou seja, uma pessoa que se submeteu ao procedimento tem risco até maior de voltar a ter câncer. “São pacientes que devem passar com frequência, a cada seis meses, no mastologista ou oncologista, e ele vai avaliar como anda, e se houve algum retorno da doença ou não. Toda paciente que teve câncer de mama tem risco aumentado de ter tanto na mama preservada ou, quando teve uma mama totalmente retirada, na outra”, completa Masili.

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