Por Amauri Eugênio Jr.

Imagine entrar no carro e, antes mesmo de a partida ser dada, você dizer qual será o destino e o computador de bordo calcular a rota mais rápida. Agora, pense em você perceber que acabou algum mantimento – carne ou leite, por exemplo – e solicitar a compra por meio de um computador instalado na geladeira. Ou, então, você não precisar olhar o relógio ou o celular para consultar que horas são ou a previsão do tempo, pois tudo está disponível na lente dos óculos. Não está satisfeito? Que tal dar uma corrida no Bosque Maia ou no Parque do Ibirapuera e, durante o exercício, controlar a temperatura do corpo por meio de um chip instalado na camiseta? Ainda não foi o bastante? O que você diria sobre receber um alerta da geladeira sobre a data de vencimento de determinado produto ou dicas para prepará-lo?
Os exemplos citados não são loucura, tampouco cenas de filmes futuristas do desenho animado “Os Jetsons”, mas sim exemplos da internet das coisas. “Internet do quê?”, alguns podem perguntar. Em resumo, trata-se da conexão à internet por meio de eletrodomésticos e eletrônicos, assim como a tênis, roupas e demais itens. Por isso, a tal internet das coisas tende a mudar o modo como nos comportamos e agimos no dia a dia, pois os produtos se relacionarão entre si e com pessoas. “A internet das coisas dá aos objetos identidade visual. A experiência de navegação fica mais rica, pois os produtos são adaptados à evolução necessária ao consumidor”, explica o especialista em redes sociais Gabriel Rossi, diretor da Gabriel Rossi Consultoria.

Relação marca e consumidor
Outro aspecto a ser ressaltado é o modo como marcas e consumidores se relacionam entre si. Como a presença da internet em diversos itens será mais intensa, a quantidade de informações também será. E isso tem relação direta com as informações transmitidas pelas marcas. Ou seja, aquela que se relacionar com o consumidor de maneira menos invasiva terá mais relevância para o dia a dia do consumidor. Isso sem contar que a marca tenderá a receber mais opiniões com frequência maior. “A comunicação entre marca e usuário será mais interativa e dinâmica. Como haverá mais informação, os produtos podem ser criados em parceria com o consumidor e, assim, personalizados”, pontua Rossi.
Além disso, os eletrodomésticos e eletroeletrônicos inteligentes mudarão a maneira como consumidores e marcas se relacionam. “Boa parte das decisões de compra sairá da nossa mão e irá para as mãos da ‘casa’, levando-se em consideração argumentos racionais, como preço, qualidade, prazo de entrega e, principalmente, o cadastro de fornecedores como temos nas empresas atualmente”, ressalta Francisco Camargo, CEO da CLM, empresa distribuidora de soluções em segurança da informação, infraestrutura especializada e web analytics – processo de análise e medição de dados online.

Conexão segura
Se há diversos fatores positivos, alguns merecem ser vistos com cuidado, como a segurança. Se hoje, o usuário tem dores de cabeça das grandes quando o computador é infectado por algum malware, como vírus, imagine então se a geladeira for infectada e um pedido for feito indevidamente por meio desse problema? Ou, então, se os freios do carro forem acionados sem aviso prévio na estrada? Quem sabe, se o relógio mostrar um pico de pressão arterial, sendo que a dita cuja vai bem, obrigada?
Pois é, a segurança será um dos aspectos chave da internet das coisas. Sendo assim, a busca por mecanismos para manter a navegação segura e sem sustos será fundamental na era da internet das coisas. O mesmo vale para a privacidade.

O que muda?
Não é exagero dizer que muita coisa sobre a internet tal qual a conhecemos, para não dizer tudo, muda. Não acredita? A energia elétrica tornou-se parte fundamental do cotidiano, ao ponto de tudo depender desse recurso, como o uso de computadores em escritórios, assistir televisão, a iluminação e assim por diante. O mesmo acontecerá com o acesso à internet. Ainda sobre computadores: o uso desses aparelhos vem caindo de modo significativo em comparação com cinco anos atrás, por exemplo. Para acessar a internet, é muito mais comum fazê-lo pelo smartphone ou tablet, até mesmo pela mobilidade. Por isso, pode-se dizer que a internet vem se tornando invisível e imperceptível, pois está cada vez mais presente ao ponto de não a percebermos. Ou melhor: torna-se perceptível quando a conexão cai.
Por fim, uma coisa é fato: a maneira como nos relacionamos com a internet nunca mais será a mesma. “A transição para a internet das coisas é um caminho sem volta”, completa Gabriel Rossi, cuja opinião é endossada pela de Alain Karioty, diretor regional para América Latina e Ibéria da A10 Networks. “Veremos mais e mais a palavra ‘inteligente’ quando nos referirmos a sistemas humanos desenvolvidos, o que significa que, por meio de pessoas e processos, utilizando a conectividade apropriada, seremos capazes de tirar proveito de sensores ligados às coisas para fazê-los se comportar da maneira que nós queremos”.

Tempo das coisas
A primeira fase da internet foi nos anos 80, quando pessoas eram conectadas via internet por meio de uma rede de computadores interligados. A segunda, até então a mais popular, veio à tona com o surgimento do www (World Wide Web, ou rede mundial de computadores, em tradução livre), nos anos 90. Já a terceira fase da internet é considerada a internet das coisas, já chamada por especialistas no mundo online como uma revolução na maneira como o indivíduo lida com a internet.

A origem
A primeira menção sobre a internet das coisas foi feita no fim dos anos 90 pelo inglês Kevin Ashton, pioneiro em tecnologia, para descrever novas maneiras do homem se relacionar com a rede mundial de computadores. Em 2009, Ashton publicou um artigo em que relembrou o conceito criado tempos antes e, desde então, a internet das coisas passou a estar cada vez mais presente no imaginário e – por que não? – no cotidiano.

Em números
Estima-se que haverá cerca de 50 bilhões de dispositivos conectados até 2015 e, acredite ou não, a expectativa é haver 200 bilhões até 2020.