Por Tamiris Monteiro
Fotos: Arquivo pessoal e Instagram
É preciso admitir: ser grato não é uma das tarefas mais fáceis; afinal, passamos boa parte da vida buscando pelo melhor. Queremos um emprego que paga mais, um carro mais bacana, uma casa maior e mais bem localizada, um celular mais moderno, uma roupa mais descolada e, apesar de conquistarmos uma pequena ou grande parte de tudo isso, parece que nunca é suficiente. E aí, agradecer vai ficando em segundo plano e as reclamações e problemas parecem ganhar um espaço imenso na nossa vida.
Por um bom tempo, para a publicitária Elis Marina Fraga foi exatamente assim, até que uma viagem para o outro lado do globo mudou tudo. “Quando saí do Brasil, pensava apenas em fazer um simples intercâmbio; no entanto, quando cheguei na Austrália, descobri que não sabia nem quem eu era, quais eram meus sonhos e o que tinha ido buscar. Fiquei perdida no primeiro mês, mas com o passar do tempo, senti no coração que deveria ficar o máximo que pudesse, para entender melhor a mim mesma e saber lidar com meus medos, anseios e todo o turbilhão de sentimentos que é viver em outro país”, conta.
Há um ano e nove meses morando na Austrália, Elis lembra de que o início foi difícil, mas que todo o processo de adaptação foi necessário para que entendesse o sentido da gratidão. “Acredito muito que tudo acontece no tempo certo, embora a gente não aceite. Um dia, a vida me presenteou com uma nova amiga, a Graciane, e, de verdade, é o ser mais iluminado que já conheci. Com ela eu conheci de perto a importância da meditação e aprendi mantras e ioga, atividades que considero importantes na busca de compreender o que é a gratidão. Essa foi a porta de entrada para que eu repensasse muitas coisas e o ponto de partida para tentar me tornar uma pessoa melhor, inclusive, para mim mesma”, pontua.
As mudanças vividas pela publicitária fizeram com que ela enxergasse a vida de outra maneira e sua história exemplifica bem que ser grato envolve muito mais do que agradecer ao que somente consideramos bom. “Gratidão é saber que tudo que vivemos é maravilhoso, embora, às vezes, seja dolorido quando algo não sai como planejávamos. Temos que ser superiores e agir com menos reprovações. Aceitar as mudanças e agradecer os caminhos. A boa energia, paz e a gratidão andam todas juntas. O desequilíbrio delas faz sentirmos tudo dando errado. Percebi o quanto as coisas prosperaram depois que resolvi aceitar que sou como sou. É maravilhoso poder acordar e sentir gratidão pelo lugar onde moro, por minha história, pelas coisas boas e pelas ruins que me fizeram mudar a direção, resultando em novos desafios e sonhos. Inclusive, quero deixar registrada minha gratidão por participar dessa matéria”, finaliza.
A lei do retorno em ação
Flavia Melissa é mais uma dessas pessoas que teve a vida transformada pela gratidão. Psicóloga, pós-graduada em acupuntura tradicional chinesa e moxibustão no Brasil e na China, é também practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e instrutora de Qi Gong Medicinal. Apesar do currículo extenso, foi na internet que viu sua história mudar, por causa de vídeos em que fala sobre gratidão. As gravações viralizaram de tal maneira, que hoje, Flavia motiva centenas de pessoas pelas redes sociais.
“Em 2011 tinha acabado de voltar da China, onde fui me aprofundar nos conhecimentos da medicina chinesa. Tinha investido todo o meu dinheiro nesse desafio e, ao voltar para o Brasil, as coisas não fluíram do modo como esperava e fiquei sem grana. Com tempo demais e um baita conflito emocional a respeito de ter feito ou não a coisa certa, apesar de acreditar de todo o meu coração que havia feito, os resultados que estava obtendo me decepcionavam e eu sofria”, relembra.
Talvez, nem Flavia esperasse, mas a frustração foi o pontapé inicial para os vídeos e para os resultados que, despretensiosamente, trariam. “Lembro-me que estava no meu consultório e, na época, ele servia de cenário para os vídeos, porque eu não tinha pacientes. Pagar as contas no final do mês estava sendo uma dureza e, com 33 anos, ainda dependia financeiramente da minha mãe. De repente, o telefone tocou e era uma pessoa que havia assistido aos meus vídeos, querendo marcar uma consulta. Fiquei feliz por dois segundos e, em seguida, comecei a arrumar as minhas coisas para ir embora, mas me dei conta de que algo incrível tinha acabado de acontecer”.
A repercussão dos vídeos foi tão positiva para a psicóloga, que logo gratidão passou a ser uma das hashtags mais utilizadas nas redes. “Nunca tinha pensado em fazer vídeos com o propósito de atrair pacientes, meu único interesse era compartilhar o que vinha vivendo em minha jornada. Alguém me telefonar querendo se consultar em função dos vídeos foi um verdadeiro presente do Universo. E eu estava fazendo o quê? Agindo como se nada estivesse acontecendo, pensando no próximo compromisso do dia. Então parei tudo e gravei um vídeo sobre gratidão. Foi quando decidi dar espaço para o sentimento. Todas as noites, antes de dormir, dedicava alguns momentos a refletir sobre meu dia e sobre o que tinha acontecido e, espontaneamente, escolhia algo para conscientemente me sentir grata. Não importava o quanto o resto das coisas não tivessem acontecido exatamente como queria. Aquele era um momento em que eu escolhia agradecer por algo, ao invés de reclamar ou me sentir péssima por todas as coisas que eu queria estar vivendo e não estava. Alguns meses depois, tive a ideia de lançar um desafio nas redes sociais: os 21 dias ininterruptos de gratidão”.
#DesafiodaGratidão
Os 21 dias foram um sucesso. Flavia postava em sua fanpage a gratidão do dia e as pessoas, nos comentários das postagens, faziam as suas gratidões. Daí surgiu a ideia de um novo desafio, dessa vez com 300 dias, que teve início em 26 de maio. A ideia é postar no Facebok ou Instagram, o que quer que seja que exista em sua realidade que seja capaz de despertar o sentido da gratidão e do contentamento. A pessoa pode tirar uma foto ou escolher uma imagem que represente o momento. Quem quiser saber mais detalhes do desafio, pode acessar o site.



