Benditos sejam outros, aqueles que vieram antes de nós!

 

Creio que há no Mundo três “colunas” que devem sustentar a Humanidade e auxiliá-la nos caminhos corretos da Paz e da Evolução. No simples ponto de vista de um velho que ainda não viveu o suficiente para se fazer poeta e pensador, a primeira é a ARTE, pois como sempre é expressão do Belo e do Bom, a mais verdadeira fruta do Amor que se revela nos pensamentos, mas que é sempre fecundada no rico solo dos nobres corações, aqueles que se mostram mais sensíveis para todos os tipos de expressões, sejam elas das formas, das palavras escritas, dos movimentos e dos sons.

A segunda é a RELIGIÃO. A única e verdadeira, sem mistificação. Aquela que, qualquer que seja, nos faz sempre melhor. Que nos permite praticar o bem e compreender os motivos de tudo, mas não pela razão e, sim, pela crença e pela pura convicção que nascem da própria Alma, sem aparente explicação.

E, finalmente, mas no mesmo patamar de igualdade, a terceira – penso eu – é a CIÊNCIA. Aquela que promove sempre as descobertas e, consequentemente, nos oferece significativas contribuições que nos levam olhar o futuro na expectativa de curas, de conforto, de paz, de solidariedade e de redenção.

São, também, essas três enormes sustentações, como grandes árvores que, com suas imensas copas, estendem sobre nós um sutil e sublime frescor. As doces sombras de suas verdejantes folhas de Esperança permitem, mesmo no exaurir das nossas forças pelo cansaço do caminhar, o florescer entre nós da crença de um futuro cada vez melhor.

É, pois, sob suas copas que nossas Almas pobres, de andarilhos humildes, após o merecido repouso, encontram, novamente, as forças para poder contemplar o futuro e, como um acordar, um despertar, nos incitar a continuar essa divina marcha do eterno buscar.

Algumas vezes, essas três divinas árvores produzem, também, particulares Flores que, por suas peculiares naturezas, se tornam verdadeiros remédios para os cansados viandantes, aqueles que, como eu, ainda carecem dos balsamos vitalizadores para continuar a dolorosa peregrinação. Bem sei que são raras tais “flores”!… Mas certeza tenho eu que seus perfumes e suas belezas, ainda que muito parcas, exalam e se irradiam por muito e muito tempo entre nós!

Assim, digo eu: Benditos, pois, sejam aqueles que, sobretudo, com suas palavras, suas obras e seus pensamentos se tornam verdadeiros faróis a nos conduzir neste mundo de trevas, de preconceitos e de erros, que só escravizam e sufocam as Almas mais pueris! E, digo mais: Benditos sejam todos aqueles que vieram antes de nós. E, humildemente, estenderam suas mãos, nos amparando e nos protegendo dos terríveis perigos, na longa estrada da Evolução!

Vou além, e reafirmo que: Benditos sejam aqueles que, na simplicidade de seus corações, deram exemplos de Amor, se sacrificaram e, até mesmo, suas vidas ofereceram sem rodeios e sem temor. Pois, morreram nas cruzes, nas chamas, nas guilhotinas, nas masmorras e nos escombros das perversas perseguições. Digo, ainda, que: Benditos sejam aqueles que não se importaram com o escárnio e não fugiram da humilhação. Benditos, também, sejam os que se deixaram queimar, se imolar, sem hesitação, mas com profunda paz e sublime convicção em seus puros corações, e que – antes do expirarem – voltaram seus olhos para os  simples mortais e, nos perdoando, também, nos abençoaram.

Conclamo, também, que Benditos sejam aqueles que, pela Arte, pela Ciência ou pela Religião, nos mostram a sútil trilha que nos conduz, ainda que devagar, como filhos pródigos de volta à Casa do Pai!

E, enfim, digo ainda que Benditos sejam todos que nos ensinam, nos amparam e cuidam, zelosamente, de nossas pobres e doentes Almas, nesta divina e eterna trilha de expiação.

José Paulo Ferrari – (28 de agosto de 2015, Dia de Agostinho. O Santo que veio antes de nós).