Conheça o universo da maternidade por meio de quem compartilha suas experiências na “blogosfera materna”
Por Cris Marques
Os blogs são uma das ferramentas de comunicação mais populares da internet. Em formato de diário virtual, normalmente abordam um tema específico e fazem sucesso justamente por seu caráter pessoal. É nesse espaço, usado para informação, formação, diversão, amizade e até para o campo profissional, que os autores falam sobre suas vidas, registram suas rotinas e expõe suas experiências. E isso não seria diferente em um momento tão complexo e maravilhoso como a maternidade. A mamãe blogueira quer relatar sua experiência, indicar um produto ou profissional, perguntar se alguém de seu público já passou por aquilo também, procurar um ombro amigo, registrar cada momento da gestação e do crescimento do filho, instruir e dividir o que sente. “Esse período causa diversas mudanças físicas e emocionais na vida da mulher. Ela se sente mais sensível e com muitas dúvidas, o que é natural. Por isso, a necessidade de buscar todas as informações possíveis. E de compartilhar também”, explica Fernanda Fernandes, pedagoga e psicopedagoga.
De acordo com a profissional, essa troca de informações por meio de blogs é muito saudável e pode ajudar outras mães, sejam elas de primeira viagem ou não. “Esse interesse pelo on-line é o resultado de uma geração tecnológica que procura recursos para facilitar seu dia a dia e a internet oferece formas fáceis e rápidas de comunicação que ‘aproximam’ até quem está longe. É um ambiente propício para conhecer pessoas novas, trocar ideias, responder questões, fazer comparações e discutir os mais variados assuntos: de preocupações, ansiedades e alimentação até promoções e temas para as festinhas. […] Ao postar, a blogueira se coloca como exemplo, para que suas leitoras possam seguir tal situação/recomendação ou, até mesmo, tomar como lição e prevenir possíveis problemas ou situações futuras”.
Da praça para o www
Sabe quando as mães levavam os filhos para brincar na pracinha e se juntavam para conversar sobre essa grande aventura que é gerar e criar uma criança? Pois bem, com os blogs sobre o assunto essa prática apenas migrou do real para o virtual. “Não existe nada como encontrar um ombro amigo de quem já passou, compreende ou tem total empatia por você e seu momento. A troca de experiências também é valida para nos ajudar a ver as coisas sob novos pontos de vista, repensar modelos e expectativas. Eu acho que quando ela é rica e respeitosa só acrescenta em um ‘maternar’ melhor. Mas há também a parte chata, os julgamentos, a competição. Igualzinho ao que acontecia na praça”, pontua Loreta Berezutchi, publicitária, blogueira e mãe do Pedro e da Catarina.
A história dela começou em 2011, com o lançamento do Bagagem de Mãe (www.bagagemdemae.com.br), depois de se mudar de São Paulo para Recife. “Com a mudança percebi a necessidade de manter contato com os familiares e as amigas que estavam longe. Como fui a primeira a casar e ter filhos, era eu quem sempre passava as dicas sobre esse universo, o que resultava no envio de e-mails gigantescos. Então uma amiga sugeriu que eu tivesse um espaço para compartilhar esse material e também todas as experiências que estava vivendo na nova cidade”. Hoje, o blog atrai mulheres grávidas e/ou com crianças de até 6 anos que se identificam com a história da publicitária e seu modo de pensar, além de leitores interessados em viagens com a família.
Maternidade em pauta
Angélica Viegas, blogueira desde 2002, já mantinha seu próprio domínio, o www.angeliica.com, quando se casou e engravidou e isso acabou refletindo nos assuntos que eram postados por lá. “Não foi uma mudança radical, mas foi, sim, bastante significativa e essas postagens serão lembranças da infância de meu filho. Com isso eu pude trocar experiência com outras mães e ajudar quem tinha as mesmas dúvidas que eu. Só acho complicado quando o assunto é saúde, por exemplo. A grávida não pode substituir a opinião profissional por relatos on-line. Não é porque uma blogueira descreveu que sua gravidez foi ‘assim e assado’ que a dela também será”, alerta.
E o Angeliica.com – com dois is mesmo, pois Angélica Huck, a artista da Globo, é dona do domínio com um i só – acabou revelando outros dois “profissionais da internet” na família: o marido, que chegou a postar algumas experiências no blog, e seu pequeno, que ganhou um espaço no canal do Youtube. “O Rodrigo assumiu alguns posts, até para que ele se colocasse no meu lugar de blogueira e entendesse como é expor uma opinião e receber retorno dos leitores. Foi uma ação bem bacana que precisamos repetir. Já a série de vídeos do Diguinho Viegas [como ele é conhecido na blogsofera], surgiu depois que ele descobriu um youtuber mirim super fofo, chamado Felipe Calixto. Certo dia, me deparei com ele falando sozinho com o monitor, como se fosse um apresentador conversando com seus telespectadores. Pronto! Foi a deixa que eu precisava para dar início a ideia”.
Espaço para publicidade
Assim como em outros nichos, os blogs mamães também são espaços promissores para publicidade, seja com parcerias, publieditoriais – posts contratados por agências ou empresas para que o blogueiro divulgue determinado produto ou serviço – , presentes e cobertura de eventos. “Eu acho que ações desse tipo são bem vindas, desde que eu acredite nela. De maneira alguma deposito confiança em algo que eu não confie. Não acho que vale a pena levar vantagem enganando as pessoas, principalmente quando se trata de crianças. Eu que sou mãe entendo bem esse tipo de preocupação”, conta Angélica, que participou da inauguração do novo Parque da Mônica, por causa de seu blog em uma das coberturas mais incríveis que já fez, segundo ela.
Loreta ainda acrescenta que muitas mulheres, como ela mesma, encontram no blog uma profissão, uma forma de gerar renda para a família sem precisar sair de casa, o que é possível por meio da publicidade. “Talvez a maior dificuldade das mães blogueiras, hoje, seja reconhecer sua importância no mercado publicitário e ter esta visão macro sobre o anunciante e o impacto que ele causa nas famílias. A publicidade infantil, por exemplo, é uma questão que me incomoda muito e eu mantenho o olhar atento para as marcas que usam este artifício, sou contra e estas não encontram espaço no meu blog, não”.
Na base do limite
A psicopedagoga Fernanda Fernandes incentiva a mulher que pensa em criar um blog específico para falar do assunto ou aproveitar a plataforma que já tem para abordar a questão, porém ela adverte que é preciso prezar pela segurança e ficar atenta aos perigos da internet. “Quando se trata de criança, o cuidado deve ser redobrado. Os pais tentam ‘congelar’ essa fase linda da infância dos filhos, registrando, mostrando e compartilhando tudo, o aprendizado, as gracinhas e até as bagunças, para que os familiares, amigos e leitores acompanhem, mas essas fotos e vídeos podem cair em mãos erradas, principalmente se indicam, de alguma forma, informações do dia a dia. Além disso, é importante pensar na privacidade da criança não publicando algo que poderá constrangê-la”.
Loreta conta que, apesar de falar sobre a vida dos filhos, segue a risca a cartilha de proteção, especialmente no que diz respeito às fotos. “Não posto imagens deles com uniforme da escola, placa de carro ou no banho. Por enquanto, a questão da exposição ainda não os alcançou, mas, quando alguém para e os cumprimenta ou fala deles com certa intimidade, eles acham estranho. Imagino que talvez, quando estiverem maiores e começarem a ler os conteúdos dos posts, possam ficar com vergonha. Na hora que isso acontecer, eu paro imediatamente de tocar nesse tipo de assunto. O respeito aos meus filhos é minha prioridade”, finaliza ela.
Caderninho virtual
Talvez você já tenha ouvido falar dos caderninhos de anotações usados pelas mamães de recém-nascidos para acompanhar a rotina diária do bebê, mas, por mais que a ideia seja boa, o método pode ser muito trabalhoso e sujeito a erros. E foi pensando exatamente em facilitar esse processo que a designer freelancer Danielle Vicosa e seu marido Elvio Vicosa criaram o app Mamae (mamaeapp.com). Disponível gratuitamente para iOS e com projetos de expansão para Apple Watch, Android e Windows Phone, o aplicativo tem versões em português, espanhol, inglês e alemão e já conta com mais de mil usuárias. “Ele possui uma interface simples e intuitiva. Basta escolher um dos cinco instrumentos para o monitoramento das atividades da criança, como seio, bombinha, mamadeira, fralda ou sono, e cadastrar a nova atividade”, afirma Danielle. Outro benefício é que ele disponibiliza os dados em gráficos, tornando fácil para as mães entenderem melhor o comportamento do bebê.
De olho na blogosfera materna
Além do próprio blog de nossas mamães fontes, elas ainda indicam outros domínios legais para acompanhar e entender mais sobre maternidade e a criação dos filhos. Confira:
ForMães (www.facebook.com/formaes)
Grupo criado por Cristiana Taylor e Renata Costa com mais de 9.000 participantes para desabafar, trocar dicas e emocionar-se com as outras mães que estão por lá.
Mães amigas (maesamigas.com.br)
Grupo criado pelas mamães Polyana Pinheiro e Michelle Occiuzzi sobre esse universo.
Mamatraca (www.mamatraca.com.br)
Olhar mais crítico sobre a maternidade e a sociedade, incluindo assuntos polêmicos como consumo.
Materniarte (www.materniarte.com.br)
No espaço, as professoras de arte Adriana, que também é mãe do Theo, e Thais Flaitt ensinam atividades e brincadeiras.
Maternidade Colorida (www.maternidadecolorida.com.br)
Nutricionista e mãe da Clara, Paola posta por lá muitas receitas deliciosas e saudáveis para os pequenos.
Para Criança (www.paracrianca.com.br)
Blog comandado pela Karina Ruela e com conteúdo criado após vivência, pesquisa e opiniões de especialistas.

